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Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Wednesday, June 27, 2007

Eles têm caráter...

Foi o que disse o pai de um dos covardes que, recentemente, espancaram uma doméstica no Rio de Janeiro. “Eles erraram, mas não se pode prender crianças. Não se pode deixar que fiquem presos junto com bandidos. Eles têm caráter, estão na faculdade, trabalham”. Em síntese, são as declarações. Revoltante. Pra quem não acompanhou a história, cinco jovens, filhos da classe média e média alta, agrediram violentamente uma trabalhadora enquanto ela esperava o ônibus. “Pensamos que fosse uma prostituta”, alegaram, como se justificasse a barbárie. Enquanto isso, aqui em Porto Alegre, outra demonstração de intolerância. Em frente ao prédio do Direito da UFRGS, um muro foi pichado com a frase: “Negro só se for na cozinha do R.U. Cotas não!". Uma demonstração pura de racismo, vindo de universitários, o que torna a questão muita mais séria. Se de quem deveria brotar a esperança de um futuro mais justo, observa-se ações retrógradas com esta, coloca-se em xeque o pensamento democrático e a sobrevivência da diversidade. É preciso identificar e punir o mais rápido possível os responsáveis para que não tornem-se exemplo a outros. A discussão sobre cotas nas universidades é válida, oportuna, acima de tudo, e que pode vir a corrigir distorções sociais históricas, caso sejam aprovadas. Existem opiniões divergentes, faz parte do contraditório, mas impõe-se que os debates ocorram dentro de níveis de civilidade. É o mínimo que se espera a partir de integrantes da comunidade acadêmica. RACISMO É CRIME.

Foto: Leandro Molina

Wednesday, June 20, 2007

Pra não deixar dúvidas

Claro que em campo tudo pode acontecer. Cada jogo é uma história diferente. Perder, vencer, empatar, normal. O que vale é o resultado dentro das quatro linhas. Mas, por favor, vamos parar com essa palhaçada de imortal. Vamos dar um tempo com essa besteira de mística tricolor. Bater em morto é barbada. E muito se falava durante a semana em “Caxias de grife” ... Tá bom!!! Chega de soberba, né!?! Foi incontestável. Três a zero lá e dois a zero aqui. Algo mais a se questionar? Enfim. No final do ano, dá-lhe Boca no Japão.

Manifestações

Aos amigos que visitam este blog, não fiquem com o pé atrás quando bater aquele impulso, aquela vontade de comentar algum post. Não há contra-indicações. Exponham suas opiniões, sejam protagonistas, dividam com os demais seus posicionamentos. É uma oportunidade de exercitar, testar seu poder de crítica, argumentar. Ou não. O certo é que da interatividade nascem pautas, réplicas, tréplicas, diversão, novas bobagens – o que é muito saudável e, diga-se de passagem, muitas vezes mais produtivo - e quem sabe até mesmo um fórum de discussões. Mesclar idéias é dar luz a culturas diferentes, vivências diversas e aprendizado, em última instância. De minha parte, prometo não ser mais tão relapso nas atualizações. Vamos aos debates. Abraços hermanos.

Tuesday, June 19, 2007

Leitura do momento

Avançando nesta leitura, fico cada vez mais assustado quando algumas pesquisas de opinião apontam a preferência pelo retorno da ditadura. Os que são favoráveis ao regime de exceção argumentam, principalmente, que na época dos generais não havia corrupção, ou muito menos do que se verifica atualmente. Por outro lado, também não existia imprensa para denunciar as falcatruas. Minha adolescência foi nos anos 90. Não vivenciei este período negro da história brasileira. Porém, foi um tema que sempre me interessou e que influenciou muitas de minhas leituras. Certa vez perguntei a um coronel reformado, oficial no regime, o que ele pensava sobre a retração da cultura no país a partir de 64 até o final dos anos 80. O homem ficou irado. “Aquilo não era cultura, era uma bagunça, uma putaria e que merecia ser barrada pelo bem da família”. Enfim. Que fique claro que isso não é uma crítica aos militares. Tenho grandes amigos no meio verde-oliva, parentes e colegas fardados. Todos pessoas maravilhosas. E que são contrárias ao retorno da ditadura. Critico a mentalidade intolerante da época, que em nome sei lá do que, torturou e matou milhares de cidadãos. Vlado foi uma dessas vítimas. Pagou com a vida ao lutar por um estado democrático de direito e por tentar fazer jornalismo de verdade. É bom que a gente reflita sobre isso. Nossa democracia é recente, tem muito a amadurecer, tendo em vista questões como ética, moralidade política e etc, mas retroceder seria mergulhar no fim do mundo.

Friday, June 08, 2007

Tudo é tão tufum...

Diálogo que presenciei na mesa ao lado, durante o horário de almoço, nesta sexta-feira. Rapaz e moça conversam de forma descontraída. Não são namorados. Aparentam 24 anos.
Ele: ...sou um cara cético.
Ela: mas cético em que sentido?
Ele: em todos os sentidos. Só acredito nas coisas que podem ser provadas. Sou muito assim. Não é egoísmo. As pessoas já me magoaram muito.
Ela: mas cético em todos os sentidos mesmo?
Ele: em todos. Só creio no que é concreto.
Ela: eu acredito nas pessoas. Não muito, mas acredito.
Ele: pois eu já me decepcionei muito. Muito mesmo. Hoje sou assim.
....
Ele:...sabe, voltei para o Orkut.
Ela: pois é. Eu vi que tu tinhas saído.
Ele: estava preocupado de ficar me expondo. Precisei me aconselhar com uns amigos. Eles me convenceram a voltar. O Orkut tem 95% de coisas ruins, mas os 5% de coisas boas me fizeram voltar. Sei lá, voltei. Te adicionei.
Ela: é, eu estou no Orkut, mas entro pouco.
...
Ela: tu vais no campus hoje, amanhã, no ano que vem?
Ele: vou. Tenho algumas coisas pra fazer.
Ela: entrega esse dvd pra mim?
Ele: o que é?
Ela: um documentário.
Ele: deixa eu ver...esse eu já olhei. Não gostei. Achei muito superficial. Ah, eu sou assim, muito crítico com as coisas.
...
Bah, troféu Carlos Lacerda pra ti, magrão. Putz, a vida é bem mais simples, não acham? Nós é que complicamos tudo. Enfim. Terminei de almoçar e caminhei por 10 minutos no sol antes de voltar ao trabalho.

Wednesday, June 06, 2007

A pior banda da semana

Fomos no Abbey Road, em Novo Hamburgo, no último sábado, 2. Lugar bacana, clima aconchegante, enfim, indico pra quem está atrás de uma festa com música da melhor qualidade. O DJ trabalha bem, sabe articular o ecletismo dentro do universo "rock", sem deixar cair a verve da rapaziada. Tem também som ao vivo, com banda no palco. Pra mim, o ponto alto da função. E geralmente, pelo menos nas oportunidades que estive lá, os grupos sempre se puxaram e mandaram bem. A gente sabe que no caso do cover a mentira faz parte, mas a banda que observei no final de semana, tenha paciência, santa paciências, eu diria. Até o momento, um acidente de percurso em relação à qualidade do espaço. Putz, mas no sábado, além do exagerado engodo musical e muita pose, faltou o bom e velho ensaio. Até mesmo os TNT-Cascavelletes da vida os caras conseguiram errar, festival do lá e cá. Inimigos do ritmo. Cada um numa nota nos finais apoteóticos que as bandas gostam de fazer. Cruzes. Doeu nos ouvidos. Tocaram U2, duas músicas, One e Desire. Ou melhor, tentaram. Sou mais eu manco na viola. E olha que sou treze a fu nas seis cordas. Nunca ouvi três figuras tão desentrosadas. E de tempos em tempos, o guitarrista-cantor-poser-castelhano arrematava: “bate palma quem tem sentimento”. O meu sentimento era de ódio, como diria uma grande amiga. Ai que ódio, ai que ódio...O pior é que a indiada toda no bar já estava dura da fanta. Resultado: aplausos pelas bizarrices. Freak show total. Se você ficou curioso pra saber que banda é essa, vale um aviso. Na página do bar, o nome que está lá não é o do grupo em questão. Erraram ou precisou ser trocado por força maior, não sei. Agora, se me perguntarem pessoalmente, terei o maior prazer em revelar. Afinal, trata-se de utilidade pública.

Salve Coletivo

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