Sempre tive uma preferência pelas biografias e uma que vou esperar com todo carinho é de Tim Maia, por Nelson Motta. Não há informações precisas sobre datas até o momento. Desde 2000, Motta tenta escrever sobre a vida desta figura, uma das mais polêmicas da música brasileira. Os processos trabalhistas herdados pelo cantor vinham barrando a realização do projeto. A novidade é que agora parece que o lance vai tomar forma. O escritor e jornalista, em conjunto com a Editora Objetiva, tomou todas as precauções para que a obra não seja embargada. Mas, enfim...nunca se sabe. Segundo Nelson Motta, em se tratando de Tim Maia, os riscos são válidos. Ele espera começar em breve, assim que o contrato for assinado. O que se pode adiantar, é que o livro deve ter um capítulo dedicado à passagem de Tim Maia pelos Estados Unidos, entre 1959 e 1964. Putz, histórias - e das boas - não deverão faltar. Já estou louco de curiosidade.
- TOM FORTUNATO
- Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!
Monday, January 30, 2006
Nelson Motta deu a nota...
Sempre tive uma preferência pelas biografias e uma que vou esperar com todo carinho é de Tim Maia, por Nelson Motta. Não há informações precisas sobre datas até o momento. Desde 2000, Motta tenta escrever sobre a vida desta figura, uma das mais polêmicas da música brasileira. Os processos trabalhistas herdados pelo cantor vinham barrando a realização do projeto. A novidade é que agora parece que o lance vai tomar forma. O escritor e jornalista, em conjunto com a Editora Objetiva, tomou todas as precauções para que a obra não seja embargada. Mas, enfim...nunca se sabe. Segundo Nelson Motta, em se tratando de Tim Maia, os riscos são válidos. Ele espera começar em breve, assim que o contrato for assinado. O que se pode adiantar, é que o livro deve ter um capítulo dedicado à passagem de Tim Maia pelos Estados Unidos, entre 1959 e 1964. Putz, histórias - e das boas - não deverão faltar. Já estou louco de curiosidade.
Monday, January 23, 2006
Clau e as letras
As formaturas são realmente emocionantes. Minha amiga Cláudia Costa passou neste final de semana pela cerimônia de Colação de Grau. É muito gratificante vermos nossas parcerias rompendo barreiras, alcançando seus objetivos. Só quem está na correria sabe os sacrifícios que exigem uma jornada como esta. Por isso, parabéns mesmo aos que chegaram lá. É um importante passo, é a qualificação da carreira e a realização pessoal. Eventos como este também quase sempre guardam manifestações, situações marcantes. Um dos formandos era deficiente visual. Auxiliado pelos colegas, deslocou-se até a mesa e recebeu do reitor a graduação. Foi um momento extremamente significativo. Na hora dos agradecimentos, lembrou das pessoas que o ajudaram ao longo de sua trajetória. Finalizou: “nunca, nunca, nunca desista”. Sem dúvida, uma lição de vida para todos nós. Sabe aquelas situações em que paramos para pensar e reavaliar nossos valores e atitudes? Pois é. À parte, também tivemos músicas para todos os gostos à medida que cada um ia sendo chamado. Assim é a diversidade. Saudações a todos estes que venceram mais uma batalha. Concedo-lhe o grau.
Friday, January 20, 2006
Um bom tema para discussão
Saiu na Agência Reuters
O Parlamento de Portugal aprovou uma medida que visa incentivar a música portuguesa, estabelecendo cotas para talentos locais no rádio, disse um porta-voz do governo na sexta-feira.
Emissoras que desprezarem a lei, que estabelece um mínimo de 25 por cento do tempo de transmissão para a música portuguesa, podem ser multadas em até 50.000 euros (60.000 dólares).
Os deputados aprovaram a medida do governo socialista na quinta-feira, disse um porta-voz do Ministério das Questões Parlamentares.
O rock e o pop internacional dominam as ondas de rádio em Portugal, país com 10 milhões de habitantes. A música local é mais conhecida por seus tradicionais fados, mas também tem um número crescente de bandas pop.
A medida ganhou apoio como uma forma de defender a indústria musical nacional, assim como a identidade de Portugal, em uma União Européia que já conta com 25 países.
É similar a uma lei da França, que exige que 40 por cento das músicas tocadas nas rádios sejam francesas.
Em 2005, apenas 7 por cento das músicas que tocaram nas rádios portuguesas eram de bandas nacionais, enquanto a música local representou um quarto das vendas de discos.
A indústria musical portuguesa fez lobby em favor da lei, mas alguns críticos a descreveram como uma medida nacionalista.
O Parlamento de Portugal aprovou uma medida que visa incentivar a música portuguesa, estabelecendo cotas para talentos locais no rádio, disse um porta-voz do governo na sexta-feira.
Emissoras que desprezarem a lei, que estabelece um mínimo de 25 por cento do tempo de transmissão para a música portuguesa, podem ser multadas em até 50.000 euros (60.000 dólares).
Os deputados aprovaram a medida do governo socialista na quinta-feira, disse um porta-voz do Ministério das Questões Parlamentares.
O rock e o pop internacional dominam as ondas de rádio em Portugal, país com 10 milhões de habitantes. A música local é mais conhecida por seus tradicionais fados, mas também tem um número crescente de bandas pop.
A medida ganhou apoio como uma forma de defender a indústria musical nacional, assim como a identidade de Portugal, em uma União Européia que já conta com 25 países.
É similar a uma lei da França, que exige que 40 por cento das músicas tocadas nas rádios sejam francesas.
Em 2005, apenas 7 por cento das músicas que tocaram nas rádios portuguesas eram de bandas nacionais, enquanto a música local representou um quarto das vendas de discos.
A indústria musical portuguesa fez lobby em favor da lei, mas alguns críticos a descreveram como uma medida nacionalista.
Thursday, January 19, 2006
Eu passarinho
Geralmente neste espaço abordo assuntos ligados à música. Desta vez, no entanto, vou mudar um pouco o foco. Creio que o registro é super válido por se tratar de uma figura fascinante. Quero falar de um dos maiores poetas brasileiros. Nesta semana, produzi um programa de TV com o diretor da CCMQ, Sérgio Napp. 2006 é o ano do centenário de Mario Quintana - ele nasceu em 30 de julho de 1906. E para os próximos 12 meses estão sendo organizadas uma série de atividades culturais comemorativas. O gancho da pauta foi por aí. Pelo menos nos primeiros cinco minutos de entrevista. Na seqüência, falou mais alto a curiosidade sobre a vida deste verdadeiro gênio das letras. Napp lembrou de seu convívio mais intenso com Mario, entre 87 e 94. E o apresentador, o jornalista Antonio Czamanski, teve a sensibilidade de abandonar o roteiro e deixar o papo fluir. Liberou seu lado fã. Afinal, por ter sido um homem muito reservado, toda informação atribuída a Mario Quintana é bem vinda. Contribui para povoar o nosso imaginário em relação ao mito. Durante a conversa, Sérgio Napp destacou que as atividades relativas ao centenário têm também o objetivo de oportunizar o contato com a obra do poeta. De acordo com o diretor da CCMQ, a produção de Mario Quintana até hoje ainda não recebeu o devido reconhecimento. Na avaliação de Napp, talvez a intelectualidade não tenha entendido o talento de Mario Quintana. Considera que a grandiosidade do poeta gaúcho estava no seu texto limpo e aparentemente simples. Acredita, porém, que o suposto fácil entendimento da obra acabou não chamando a atenção da crítica. “Mario Quintana era um poeta do cotidiano, mas era um poeta denso”, definiu. Conforme Napp, a obra de Mario Quinta oculta caminhos recheados de hipertextos e de uma sensibilidade surpreendente. O diretor da CCMQ contou ainda que Mario Quintana era obcecado em melhorar seu texto, nunca estava satisfeito com o que escrevia. “Alguns poemas têm várias versões. Ele (Mario Quintana) acabava mudando algumas coisas à medida que novas edições iam sendo publicadas. Era uma dor de cabeça para os editores”.Informações sobre o Centenário de Mario Quintana: www.ccmq.rs.gov.br e www.estado.rs.gov.br/marioquintana
Foto: Dulce Helfer
"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio. "
Mario Quintana
Wednesday, January 18, 2006
The Classic
No último final de semana, depois do show, conversei muito rapidamente com Dayana Rows. Ela tinha acabado de sair do palco. Queria ter dito mais coisas, ter perguntado mais sobre a banda – ensaios, repertório, outras datas, etc. Na empolgação do momento, porém, apenas trocamos algumas palavras. “Cada vez melhor”, foi o que consegui dizer na ânsia de classificar a apresentação da The Classic Rock Band. Cara, é uma banda que recomendo. É diversão garantida, e além disso, sempre vale a pena ver bons músicos em cena. Vale para o aprendizado. O set list da The Classic é composto de covers. Mas isso não desmerece a atuação do grupo. Pelo contrário, mostra a versatilidade, o potencial e o entrosamento dos integrantes. Possibilita também que cada um possa explorar ainda mais seu talento e sensibilidade. É o que eles se propõem a fazer e fazem muito bem feito. Isso denota profissionalismo, o que neste caso, se converte em qualidade musical. O público agradece. No site da banda tem mais informações sobre os membros, fotos, agenda e mp3: www.theclassicrockband.com.br/. Grande abraço à Dayana e parabéns pelo vocal, carisma e presença de palco.Na foto: Eu em primeiro plano, Dayana (The Classic), Carolos, o mexicano, e Viktor (Florbela Espanca - outra grande banda)
Tuesday, January 03, 2006
Libertação dos sentidos
Está começando o efeito implacável
Amanhecer, anoitecer
Segurem as mãos ou não
Cinzas
Estamos suspensos num pequeno sonho
Ônibus fora do asfalto
Poucos sobreviventes
Libertação dos sentidos
Libertação dos sentidos
Acordei alguns instantes atrás
Já estou em direção à névoa da cidade
O cheiro de fritura dá a noção da chegada
E sobre a ponte vejo o rio gotejar
Lá em baixo
Aos amigos: Carolos, o mexicano, e Milton Saraivada de Bala
Amanhecer, anoitecer
Segurem as mãos ou não
Cinzas
Estamos suspensos num pequeno sonho
Ônibus fora do asfalto
Poucos sobreviventes
Libertação dos sentidos
Libertação dos sentidos
Acordei alguns instantes atrás
Já estou em direção à névoa da cidade
O cheiro de fritura dá a noção da chegada
E sobre a ponte vejo o rio gotejar
Lá em baixo
Aos amigos: Carolos, o mexicano, e Milton Saraivada de Bala
Monday, January 02, 2006
A cara dura não tem limites
Saiu na Folha On Line (com agências internacionais)
A banda Pearl Jam, que esteve recentemente no Brasil em curta temporada, venceu um processo nos Estados Unidos contra um site que usava o nome da banda para vender uma série de produtos.Para a Justiça de Mineápolis, o fato de o site se intitular "pearljams" causa confusões com o nome patenteado pela banda de Seatle (EUA), que surgiu nos anos 90. Representantes do site, que pertence a Vertical Axis, não se pronunciaram sobre o assunto.
O Pearl Jam lançou seu primeiro álbum, "Ten", em agosto de 1991, emplacando vários hits (como "Even Flow", "Alive", and "Jeremy") e entrando para o "Top Ten" (dez mais vendidos) da indústria fonográfica norte-americana.
A banda Pearl Jam, que esteve recentemente no Brasil em curta temporada, venceu um processo nos Estados Unidos contra um site que usava o nome da banda para vender uma série de produtos.Para a Justiça de Mineápolis, o fato de o site se intitular "pearljams" causa confusões com o nome patenteado pela banda de Seatle (EUA), que surgiu nos anos 90. Representantes do site, que pertence a Vertical Axis, não se pronunciaram sobre o assunto.
O Pearl Jam lançou seu primeiro álbum, "Ten", em agosto de 1991, emplacando vários hits (como "Even Flow", "Alive", and "Jeremy") e entrando para o "Top Ten" (dez mais vendidos) da indústria fonográfica norte-americana.
Thursday, December 22, 2005
Algumas lembranças rápidas
Esta banda na foto é a extinta Old People. Na ocasião, verão de 95, tocamos num extinto bar, em Sapucaia do Sul, perto do Comercial. Dividimos o palco com a extinta Free Jack e a extinta Little Happy Sun. Lembro, porém, que as coisas começaram algum tempo antes. Meus ex-companheiros de grupo vieram da extinta Análise Soberana. Foi quando, então, surgiu a extinta Portas da Percepção. O ponto de partida foi uma apresentação no extinto Gallery. Abrimos para a extinta Stupid Incesticide, a futura extinta Pulse. Eram tempos bacanas. Tempos dos extintos circuitos de rock. Eu, particularmente, não perdia quando tocava a extinta The Junk. Muita zoeira regada a vinho do extinto Bar Castelo. E por lá, quase sempre encontrávamos o pessoal da extinta Código Penal. Na seqüência, vieram os shows na extinta Sorveteria. Tocamos ao lado da extinta Motor Mojo Junkie e da extinta Tack Ups. Depois vieram as apresentações no extinto Vira Verão. Em alguns momentos cruzamos com a extinta Causa Mortis. Ainda em Esteio, na passada, tomamos várias no extinto La Noche e no extinto Corujas. Indo a Canoas, o som rolava no extinto Gullys. E pra ensaio, no extinto estúdio do Veveto. Em São Leopoldo, o point era o extindo Dimadeli. E mais tarde, o extinto BR3.*Texto sujeito a atualizações.
Wednesday, December 21, 2005
O velho batuta
Qual a música ideal para escutar no Natal? Toda vez que penso nisso, apenas um som me vem à mente. É aquele velho e por demais batido clássico punk. Não que eu seja um adepto do movimento, mas me parece que os Garotos Podres, nos idos de 85, acertaram a mão e estes versos, por mais toscos que possam parecer, ainda permanecerão atuais por muitos e muitos anos. Vai, então, uma homenagem ao nosso ímpeto consumista:Papai Noel Velho Batuta - Garotos Podres
Papai filho da puta/Rejeita os miseráveis/Eu quero matá-lo/Aquele porco capitalista/Presenteia os ricos/E cospe nos pobres/Presenteia os ricos/E cospe nos pobres/Papai Noel filho da puta/Rejeita os miseráveis/Eu quero matá-lo/Aquele porco capitalista/Presenteia os ricos/E cospe nos pobres/Presenteia os ricos/E cospe nos pobrespobrespobres/Mas nos vamos seqüestrá-lo/E vamos matá-lo/Por que?/Aqui não existe natal/Aqui não existe natal/Aqui não existe natal/Aqui não existe natal/Por que?/Papai Noel filho da puta/Rejeita os miseráveis/Eu quero matá-lo/Aquele porco capitalista/Presenteia os ricos/E cospe nos pobres.
Tuesday, December 20, 2005
Ele tinha razão
Há algum tempo, observando, principalmente shows locais, uma questão tem me preocupado bastante. Pode ser neurose, mas acho que falta comunicação mais clara das bandas com o público. Em tempos de Orkut, blogs, fotologs e afins, a Internet, sem dúvida, é um meio imprescindível para divulgação do trabalho. Mas, nada supera o contato ao vivo. E neste ponto, me parece que muito ainda precisa ser afinado. O sucesso no palco depende do conjunto da obra. Em resumo: som, performance e diálogo. Acho que o grupo ganha em respeitabilidade quando consegue mandar uma idéia que tenha nexo, com início, meio e fim. Afinal, é a ideologia e o marketing da banda que estão em jogo. É preciso ter alguém que fale, que tenha conhecimento do que diz. Não culpo somente os vocalistas. Esta deve ser uma preocupação coletiva. A banda, quem sabe, pode eleger um “porta-voz”. É lógico que no contexto, temos as exceções. Mas na maioria, até o clichê tem saído de forma truncada. Lugar comum por lugar comum, na pior das hipóteses, se for bem feitinho já é um começo. Façamos um exercício de analisar este quesito em cada show que estivermos presentes. Por favor, chega de meias palavras. Chega de “aí galera....” Enquanto público tenho o direito de querer um show consistente, com conteúdo. Assim, ganhamos todos.
Thursday, December 15, 2005
O clássico do U2
Os números comprovam que os caras são foda. Em fevereiro teremos mais uma passagem do U2 pelo Brasil – São Paulo, para variar. Não adianta, quando se fala destes quatro irlandeses tudo é sinônimo de superlativo. Pois Paul Hewson e seus parceiros conseguiram em 2005 vender 260 milhões de dólares em ingressos para a Vertigo Tour. São mais de três milhões de pessoas em 90 shows, todos com lotação esgotada. De acordo com a revista Billboard, é a turnê mais rentável neste ano. Em segundo aparece os Eagles, que arrecadaram 117 milhões de dólares em 77 apresentações. Antes de vir para o Brasil, o U2 passa pelo México onde terão que fazer show extra. Os 60 mil bilhetes para a primeira noite se esgotaram em quatro horas. Foi um recorde no país. Para nós, gaúchos, a alternativa são as apresentações na Argentina, nos dias 1º e 2 de março. Por muito tempo acompanhei de perto o trabalho do U2 – ouvindo os Cds e lendo bastante sobre a banda. Depois do Zooropa, no entanto, minha atenção se voltou para outros ritmos, outros músicos, outros caminhos....Mas, há alguns dias, conversando com uma rapaziada mais atualizada em relação aos caras, coloquei que preferia o U2 do The Joshua Tree. Disse que o Rattle and Hum era um clássico e que trazia a versão mais visceral de Bad. A discussão foi boa. Eles argumentaram que o porrada mesmo é o U2 do All That You Can´t Leave Behind e do How to Dismantle an Anotomic Bomb. Tudo bem. Opiniões divergentes são sempre válidas e acaloram o bate-papo. Mas no fundo percebi um certo saudosismo no pessoal ao concordarmos quanto à crueza do som – no bom sentido – em tempos passados.Para Cíntia.
Tuesday, December 13, 2005
Foi como nos velhos tempos
No final de semana, voltamos a falar sobre o show do Pearl Jam. Com cada um que converso e que estava lá, sempre surge algo novo, um detalhe que faz enriquecer ainda mais o grande e histórico evento do 28 de novembro, na capital gaúcha. Queria ter escrito no dia seguinte, mas não conseguia organizar os pensamentos, tamanho choque emocional, tamanha quantidade de informação e tamanha qualidade. Demorou para cair a ficha. Foi tudo tão espetacular que no fundo tornou-se difícil de acreditar. Mas era verdade: eles estavam ali, a poucos metros. Eu vi o Pearl Jam. Não só eu, outros 12,5 mil também estiveram presentes no Gigantinho naquela tarde/noite quente e mágica. Foi uma apresentação antológica. Tudo perfeito: som, luz e especialmente a performance da rapaziada de Seattle. Mordi minha língua quando falei, tempos atrás, sobre a atuação dos caras, baseado em um DVD que tinha visto há alguns meses. Dizia: “bah, não são mais os mesmos da época do Ten. Eles estão mais parados. Deve ser um show morno”. Confesso que entrei na fila às 15h30 ainda um tanto desconfiado, mas, de qualquer forma, valeria pelo conjunto da obra. No entanto......Se eu pudesse definir a apresentação de Porto Alegre em uma palavra, esta seria visceral. Tocaram com vontade e maestria. Visceral, esta é a palavra. Vedder e seu timbre inconfundível, cantado com alma, expondo todas suas caretas e trejeitos que acostumamos a ver durante nossa adolescência. É... foi como nos velhos tempos. Por vezes fechava os olhos marejados no meio da multidão e o filme daqueles idos anos voltavam com vigor à minha mente. Tudo nítido e com trilha sonora. Um desfile de todas as músicas que marcaram não só a minha trajetória de vida, mas a de meus melhores amigos. E eles também estavam lá. Isso foi realmente emocionante.
Monday, November 14, 2005
Leitura do momento
"A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam. Na quinta década havia começado a imaginar o que era a velhice quando notei os primeiros ocos da memória. Revirava a casa buscando meus óculos até descobrir que os estava usando, ou entrava com eles no chuveiro, ou punha os de leitura sem tirar os de ver de longe". (Gabriel García Márquez - Memórias de minhas putas tristes, p. 13 e 14)"Naquele tempo tinha na memória uma lista de rostos conhecidos e outra com os nomes de cada um, mas no momento de cumprimentar não conseguia que as caras coincidissem com os nomes". (Gabriel García Márquez - Memórias de minhas putas tristes, p. 14)
"A quem me pergunta respondo sempre com a verdade: as putas não me deram tempo para casar. No entanto, devo reconhecer que nunca tive essa explicação até o dia dos meus noventa anos...” (Gabriel García Márquez - Memórias de minhas putas tristes, p. 45)
Wednesday, November 09, 2005
Som de CD
Pois em breve a musicalidade de Tim Maia, em sua fase Racional, vai ser relançada pela primeira vez em CD. Os dois lendários bolachões produzidos entre 1974 e 1976 até agora somente eram encontrados nos sebos de discos e nas banquinhas de LPs. Ou na pirataria. Biscoito Fino e Trama são as gravadoras que disputam o privilégio de fazer essa mão. Sabe-se que as capas vão ser as originais: um painel ilustrado com um sol, uma lua, outros símbolos esotéricos e escritos referentes à seita criada por Manuel Jacinto Coelho – Universo em Desencanto. Estranhas e nada comerciais também são as letras das músicas, citando muitas vezes trechos do livro homônimo. Com estes atributos, na época, os discos foram execrados pela crítica e pelo público. Os versos inusitados dão o tom da sonoridade que mistura funk e soul. E na atualidade, muitas composições foram sampleadas por nomes como Marcelo D2 e Racionais MCs. E mais: a canção O Caminho do Bem entrou na trilha sonora de Cidade de Deus. Depois de se desiludir com a seita e seu fundador, Tim, no futuro, renegou os discos. No entanto, o registro foi feito e o lance agora é curtir no volume máximo.
Thursday, October 20, 2005
O trem e os poemas
a menina do primeiro vagãono trem, em pé, lá está a menina do primeiro vagão / ela não teme a solidão / tem uma filha e um irmão / age com a razão / mas não chega a magoar o coração / a ela já tive que pedir perdão
foi quando nela esbarrei, foi um encontrão / ela disse não...não se preocupe / é a lotação /
fiquei sem resposta / e foi aí então / que percebi o quando vale um sorriso no final da tarde.
a melhor parte da viagem
na estação do trem sempre alguém espera alguém / há, entretanto, um porém / existem os que olham com desdém / e nunca se sabe de onde eles vêm / uns rezam e dizem amém / mas a maioria não agüenta a angústia da espera.
Tuesday, October 18, 2005
Leitura do momento

"Eu queria ser alguém e não passar a vida vendendo sorvete. Achei que a solução seria aprender algum ofício. Alguma coisa que servisse para fascinar as pessoas. E lia Como falar bem em público e conquistar amigos, de Dale Carnegie. É preciso fascinar. Seduzir. Quem sabe falar sempre puxa a sardinha para sua brasa. Por isso os abrutalhados morrem dando duro e não vão além disso. E os muito falantes se metem em política e chegam a presidente." (Pedro Juan Gutiérrez - O Ninho da Serpente, p. 9)
"Eu tinha assistido àquilo tudo dando risada. Era muito divertido. Não entendia nada de amor, nem de boleros, nem de morte e sensações de perda. Nada de nada. E portando era cruel, impiedoso, ignorante e feliz. O homem típico. Quer dizer, um imbecil perfeito". (Pedro Juan Gutiérrez - O Ninho da Serpente, p.11)
Tuesday, September 13, 2005
Professores de embolada
No último domingo pude relembrar como é bom dedicar algumas horas ao ócio. Revigora o cidadão. Em frente à TV, somente o exercício de zapear quebrava a harmonia do mais puro estado de inércia. Pensando bem, acho que até mesmo o mudar constante de canais está incluído na arte de não fazer nada. Quem tem o controle tem tudo. É o dono do mundo. Enfim, estava quase batendo o recorde de emissoras visitadas por segundo, quando, num rápido movimento dos olhos, percebi, na tela, duas figuras de pandeiro em punho mandado versos ágeis e contundentes. Embolada da boa seria a expressão correta. Se tratava de Caju e Castanha. Estavam num destes canais alternativos que agora me foge o nome. Bem, o fato é que os caras participavam de uma entrevista e a cada bloco do programa a dupla detonava o repente. O som é simples - não sei se é bem a palavra correta - mas o lance é que a performance dos irmãos de Pernanbuco é irrigada de um entrosamento perfeito, capacidade de raciocínio rápido e grande poder de improviso. Semelhante ao hip hop, porém musicalmente mais rudimentar. Putz, muito bom. As letras trazem uma crítica social forte, humorada, e na linguagem do povo, sem lançar mão do caráter apelativo. Talento puro. Vale lembrar que os caras saíram do nordeste, se foderam de todas as formas, chegaram a São Paulo, vencendo as agruras da pobreza e muito preconceito. Se tiver a oportunidade, vale ouvir, nem que seja para um breve registro. Ah, depois de tudo isso, meu ócio do domingo ganhou mais qualidade.
Monday, July 25, 2005
the soft parade salvou minha adolescência
Motivado por uma notícia que li hoje - segue abaixo na íntegra - lembrei de uma das melhores bandas de todos os tempos. E pra quem curte, com certeza é bem legal fazer um exercício de voltar no tempo e recordar algum fato de sua vida que esteja relacionado ao grupo ou a alguma de suas músicas. Aqui vai uma breve historinha.Estava entrando na adolescência e sentia que precisava fazer algo que realmente valesse a pena. Até então, freqüentava lugares que detestava. Não me sentia bem. Frustração. Não por culpa dos meus amigos, mas pela circunstância. Ou até mesmo pela falta de experiência. Enfim, o certo é que não achava graça nas conversas, nas gírias, nos atos, nas brincadeiras. Muito tempo se passou até que eu descobrisse o que realmente procurava. Fui apresentado a um mundo em que eu certamente poderia ser sincero comigo. Não lembro muito bem de datas, mas nunca mais esqueci daquela música. Começava apenas com o vocal. Ele vociferava:
"When I was back there in seminary school
There was a person there
Who put forth the proposition
That you can petition the Lord with prayer
Petition the lord with prayer
Petition the lord with prayer
You cannot petition the lord with prayer!". Nossa! Esta última frase do primeiro verso era gritada. Uma voz rouca, contundente. E a música tinha vários ritmos. Era longa. Estranha, muito estranha. Autêntica. Apaixonante, eu diria. Queria saber quem tocava. Queria saber a tradução. E essa busca me fez entender muitas coisas, conhecer pessoas e viver intensamente. Grandes parcerias e o início de uma banda (cover).

the doors - the end
O grupo The Doors chegou novamente ao fim. A justiça americana deu ganho de causa para o baterista John Densmore, que pedia para os dois outros integrantes pararem de usar o nome original da banda.
Densmore entrou com o processo em 2003, quando o tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robby Krieger tentaram ressuscitar o grupo sem o cantor Jim Morrison, morto em 1971.
O vocalista Ian Astbury, do The Cult, foi chamado para cantar no "The Doors of the 21st Century" - nome que a banda "repaginada" ganhou.
A família de Morrison também fez parte do processo. Um acordo entre os três integrantes e os herdeiros do músico, feito em 1971, atestava que todos teriam de concordar com o uso futuro do nome The Doors e o logo da banda.
A decisão judicial também ordena que os lucros com a turnê sejam divididos por todos.
mais the doors - sugestão de leitura
as portas do delírio
"As luzes foram se apagando. Subimos a escada íngreme que dava no fundo do palco e tomamos nossas posições. Estendi ao máximo a pele da caixa de minha batera, pois os fortes impactos sempre desapertavam a garra. Olhei em volta e vi Robbie agachado, tentando desemaranhar os cabos de sua guitarra. Jim nos checava o tempo todo com olhares furtivos, empunhando o microfone. Ray curvava-se soturno sobre o teclado e olhou-me de relance no momento em que: 'Senhoras e senhores: aqui lhes fala Humble Marv da KHJ - a Rádio Boss - aqui estamos nós... The Doors' As mãos de Ray preciciptaram-se furiosamente sobre as teclas de seu órgão VOX e os primeiros acordes de 'When The Music's Over' penetraram-me profundamente e pareciam estar levando o público à estupefação.
Num pequeno intervalo de silêncio, comecei a repicar fortemente a caixa, o bumbo e o chimbau: SNAP-BA, BUM Rap BAP - HSSST BUM... BRAP! A cada batida minha, a tensão na sala aumentava. De repente, parei. Esperei e esperei: Este momento era totalmente meu. Permaneci em silêncio, até que a tensão atingisse seu ponto culminante.
Por fim, soltei o xamã que existe em mim: TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT-TAT- TAT CRASH! Como um animal acometido por dor alucinante, Jim vociferou seu grito primal, no momento em que a guitarra de Robbie emitia uma nota sinousa, grave e angustiada. Jim então gritou: E e e e e e e e e e e e e e e e e - aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh, When the music's over When the music's over Yeaaaaah When the music's over Turn out the lights".
do livro de John Densmore, "Riders on the Storm" de 1991
Friday, July 22, 2005
ainda o live 8 - só pra registrar
Não há dúvida que o show de Londres, no Hyde Park, foi o mais badalado, o mais esperado, o mais tudo. Reuniu os principais astros do mundo da música. Estavam todos lá. Qualidade e musicalidade incontestáveis. Shows antológicos e parcerias que entraram para a história. Exemplo: U2 e Paul McCartney com a clássica Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Teve ainda o encontro do Pink Floyd após 20 anos. Teve o Velvet Revolver - acho que agora Slash e sua turma encontraram um vocal de verdade. Teve emoção quando Bob Geldof, idealizador do evento e do Live Aid original, levou ao palco a jovem Birhan Woldu, salva da morte pela campanha anterior. Enfim, muita gente boa, momentos memoráveis e apresentações maravilhosas. Na verdade, chega a ser chover no molhado, já que não se poderia esperar outra coisa que não fosse um evento de alto nível. Mas tudo isso pra registrar que dentre toda esta constelação, eu destacaria o show do R.E.M. Pela sonoridade, pela apresentação visceral e pela performance e carisma de Michael Stipe.
Wednesday, July 20, 2005
playback nem pensar
A notícia saiu na Agência EFE
O Governo da China emitiu uma nova lei que proíbe que os cantores do país façam playback, sob ameaça de "punições graves", informou a agência estatal chinesa Xinhua, nesta quarta-feira. A norma está dentro dos novos Regulamentos sobre Atuações Artísticas com Caráter Comercial, que acrescenta que "qualquer companhia ou indivíduo que engane a audiência" utilizando música gravada "será denunciado publicamente". A lei fixa dois anos de suspensão da atividade artística para os cantores que incorram duas vezes no delito em menos de dois anos. O mesmo tempo de proibição da atividade será aplicada para a empresa promotora do show ou atividade pública. O regulamento é adotado, informaram seus autores, em um momento em que estão se proliferando esse tipo de falsas atuações ao vivo, "com o objetivo de ganhar dinheiro, o que está causando ao público a sensação de que estão sendo enganados". Na China, como na maior parte do planeta, o pop é o gênero musical reinante (embora seja um fenômeno relativamente jovem, já que nos anos 70 apenas existia). Os cantores chineses são fortemente influenciados pelos artistas que fazem sucesso em Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Coréia do Sul.
O Governo da China emitiu uma nova lei que proíbe que os cantores do país façam playback, sob ameaça de "punições graves", informou a agência estatal chinesa Xinhua, nesta quarta-feira. A norma está dentro dos novos Regulamentos sobre Atuações Artísticas com Caráter Comercial, que acrescenta que "qualquer companhia ou indivíduo que engane a audiência" utilizando música gravada "será denunciado publicamente". A lei fixa dois anos de suspensão da atividade artística para os cantores que incorram duas vezes no delito em menos de dois anos. O mesmo tempo de proibição da atividade será aplicada para a empresa promotora do show ou atividade pública. O regulamento é adotado, informaram seus autores, em um momento em que estão se proliferando esse tipo de falsas atuações ao vivo, "com o objetivo de ganhar dinheiro, o que está causando ao público a sensação de que estão sendo enganados". Na China, como na maior parte do planeta, o pop é o gênero musical reinante (embora seja um fenômeno relativamente jovem, já que nos anos 70 apenas existia). Os cantores chineses são fortemente influenciados pelos artistas que fazem sucesso em Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Coréia do Sul.
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