My photo
Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Monday, February 09, 2009

Do outro lado da moeda

Outro dia encontrei um amigo que há muito não via. Parceiro mesmo, da antiga. Dos tempos das grandes noites nos bares do Vale. Madrugadas de rock, funk e psicodelia. Enfim. Nos encontramos por acaso. Resolvi dar uma banda, nada marcado. Lá estava, no balcão e a gelada pegando. Depois de um abraço efusivo, ele perguntou:
- Ficou rico?
- Não, bem capaz.
- Então entrou para alguma seita ou coisa parecida?
- Também não.
- Então?
Ele continua, como de praxe, com vários projetos culturais-musicais-cibernéticos. Está casado, tem um filho, mas sempre maluco. Na seqüência, fiquei pensando. Acho, que de um modo, levamos tudo muito a sério. Com isso, fechamos a porta para tantas coisas, especialmente no processo evolutivo-criativo. Valeu, Muthafuckerniggerlucio (na foto, primeiro da esquerda p/direita-sentado).

Monday, January 26, 2009

Harry Potter maldito

Voltava para casa, dia desses, final da tarde, mais uma jornada corrida de trabalho. Como faço usualmente, no trem, lia atentamente o interminável, mas muito bom – recomendo - (554 páginas) - Abusado, Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos. Trajava calça e camisa sociais, como regra o cerimonial no meu ambiente profissional. Enfim. Lá pelas tantas, começou a ladainha: “senhoras e senhores........” Era um menino, 12, 13 anos, no máximo. Miúdo, porém eloqüente. Chegou perto com suas balas de goma. Ajudei com dois reais, embora recusasse a mercadoria. Percebi que minha atitude causou surpresa no moleque. Ele se afastou, mas continuava me olhando. Sagaz e exercendo seu poder de associação, retornou ao meu lado. Respirou fundo, como se tomasse coragem. De certo pensou, "agora é o momento". Talvez aquela dúvida o viesse atormentando há horas. O diálogo foi rápido:
- O senhor é da igreja?
- Não.
- Ah, tá. Sabe o que é? Eu queria perguntar uma coisa.
- Pergunta.
- É verdade que o Harry Potter é do diabo?
- Hein? Como é? Não, claro que não. Isso é tudo mentira, conversa fiada, não vai atrás.
- Ah, obrigado tio, tchau.
E lá se foi na próxima estação. Desembarcou, adentrando em outro vagão para seguir com a labuta. Perdi a concentração na leitura. O guri se tornou o meu personagem daquele dia.

Friday, September 19, 2008

Legal

Por força do trabalho, acabei visitando o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, na quinta-feira, à noite. Confesso que não tenho essa prática entre minhas prioridades nas horas de folga. E por isso, não tinha idéia do volume de pessoas que dedicam seu tempo a apreciar as obras em exposição. Confesso minha ignorância no assunto. E confesso que muita coisa por lá não entendi. Mas o clima é legal. Literalmente dá para respirar cultura. Acho que deveria freqüentar mais. Arte é uma coisa bem ampla e penso que, além do treino, é preciso uma certa sensibilidade mais aguçada para ver além. Ouvi muitos comentários sobre traços precisos, técnicas apuradas, cores, sombras, enfim. Algumas coisas consegui sacar, mas meu poder de classificação, até o momento, não tem nada de complexo. Apenas posso dizer: legal, gostei. Gostei da exposição de Pedro Weingärtner, “Obra Gráfica”. Gostei da exposição de Antonio Caringi, “50 anos do Laçador”. Gostei muito, também, do acervo permanente, em especial, de uma pintura de Emiliano Di Cavalcanti, “Cristo Morto” (foto), utilizando óleo sobre tela. Me impressionou mesmo. A partir de agora, vou reservar sempre um tempinho para dar uma passada no Margs. Agora, como aproximar toda essa maravilha da população, desmistificar um pouco esse conceito de arte? Fica já a sugestão para o debate e para um próximo post.

Wednesday, September 17, 2008

Churrasquinho no domingo?

Liguei para o Mano, ontem. Este é seu apelido: Mano. Ele é meu primo. Há tempos não falava com a figura. Temos várias histórias de festas, coisas hilárias, entre outras passagens bíblicas. Crescemos juntos, praticamente. Parceria pura. Só não lembro a última vez que conversamos. Ou melhor, lembro, sim. Foi num velório. Que coisa! No nosso papo mais recente prometemos mais uma vez: “vamos marcar alguma coisa. Vamos nos reunir”. Depois fiquei pensando. Como acabamos nos tornando escravos do tempo. É impressionante. A correria do dia-a-dia é implacável mesmo. A necessidade nos impõe limitações. Precisamos trabalhar de forma enlouquecida. Não é necessariamente uma reclamação. Ter emprego, atualmente, é tão complicado que todas as manhãs devemos agradecer ao Velhinho por nossa atividade remunerada. Por outro lado, os quesitos lazer, entretenimento, família, acima de tudo, são também fundamentais para nossa formação e sobrevivência. Claro, nem sempre conseguimos cumprir o que planejamos, magoamos pessoas, por ser essa uma missão complicadamente difícil, ou seja, achar o equilíbrio entre os dois extremos. Agora, é necessário que seja um exercício contínuo, buscar é imperativo, eu diria. Prossigamos na missão. Vamos tentar um churrasquinho no próximo domingo. Ou outra atividade que o valha. Amigos, manifestem-se. Não vamos deixar o tempo se esvair de uma forma tão apática.

Thursday, September 11, 2008

Eu vim com a Nação Zumbi

Por falar em música, vi o show da Nação Zumbi no Canal Brasil, um domingo desses. Fiquei espantado, emocionado, na verdade. Depois que o Chico levou sua poesia para a outra dimensão, deixei de acompanhar um pouco a banda, embora sempre ouvindo uma coisa e outra. Agora, a apresentação dos caras despertou novamente meu entusiasmo. Eles estão maduros, seguros e firmaram a identidade "Nação Zumbi". Quando a banda surgiu, no início dos anos 90, tendo à frente o mestre Science, musicalmente falando, foi, para mim, o troço mais inovador que já existiu por aqui nos últimos 30 anos, pelo menos. A perda prematura, deixou a banda meio desorientada, com uma sonoridade quase sem personalidade. Entretanto, "como um pássaro o tempo voa" e os pernambucanos souberam ter esse tempo como aliado. Evidente que os clássicos da época não podem faltar, até como um sinal de respeito ao fundador do grupo, mas a banda foi além. Os tambores que nunca silenciaram, agora, estão cada vez mais encorpados, Du Peixe está cantando, Pupilo está mais visceral, Lúcio arranca riffs gordurosos, sem falar nas letras. Arrisco, sem medo de errar: a Nação é a melhor banda do Brasil. Por favor, não me venham com essas melodias ridículas que estão por aí, sem conteúdo, e todas parecidas, produção em série, fruto da modinha do momento. Não, por favor, isso não. Estamos falando de música de verdade, não de palhaçada ou arremedos. Aliás, os anos dois mil estão se caracterizando por essa pulverização musical. Assim é.

Saturday, August 16, 2008

Tuesday, July 01, 2008

Balaio de gato

Acompanhei, no final de semana, uma matéria gigantesca, na Record, sobre a cantora Amy Winehouse. Tudo bem, se espicharam um pouco mais para explicar o que era enfisema pulmonar, enfermidade que acomete a estrela do momento. Agora, pergunto, na ignorância que me é peculiar no assunto, tendo em vista minha preferência declarada pela programação AM, quem é essa dita cuja na ordem dos fatos? Quer dizer, gosto de som, já participei de banda e tal, entretanto, confesso não estar ligado nas novidades do mundo POP/Rocker/enfim. Perdão aos que a apreciam, mas pelo que tenho tentado ler e ouvir, sei lá. Talento indiscutível, porém, não estou entendendo tanta exposição, tanto estardalhaço. Cantora de mão cheia, ok, mas como tantas outras, nada espetacular, ou inovador. Parecido com tudo que rola por aí. Será devido ao seu envolvimento com drogas? Bom, desde sempre jovens roqueiros mantiveram essa relação próxima com os tóxicos. Enfim, ou estamos em falta e sem critérios para novos ídolos, ou, como falei antes, minha superficialidade sobre o tema seja mais latente do que imagino. Agora, a mina dá porrada em fã (foto) também. Ah, só um pouquinho. Tá lhooooco. Pára tudo que eu vou descer. E tem mais um bando no balaio de gato que virou a produção musical neste novo milênio. Que saudades dos anos 90.

Tuesday, June 17, 2008

Custo-benefício

Tem que ter paciência. Bom, não é de graça que as operadoras de telefonia são as campeãs de reclamações nos Procons. Eu desafio alguém a solicitar algum tipo de serviço à empresa Brasil Telecom e não se estressar. Há um mês, aproximadamente, pedimos os préstimos da companhia para instalação de banda larga, após insistentes telefonemas da BrT oferecendo a tecnologia. Pois bem, aceitamos. Era o início da peregrinação. Nos informaram que em 48 horas iriam liberar o sinal. OK, faz parte do processo. Compramos o modem, felizes, esperando com otimismo usufruir do benefício. Chamamos o parceiro Richard, Kid em computadores. Tri na boa vontade, foi lá em casa e fez toda a mão. Um porém. Cadê o sinal? Será problema no modem? O irmão da Clau testou o aparelho na casa dele. Funcionou, sem problemas. Bom, só tem um jeito, ligar para a assistência da empresa. Advinha? 48 horas para a visita dos técnicos. Passaram os dois dias. Tudo bem, teve o final de semana no meio. Voltamos a fazer contato. Nada. Seguinte, vamos cancelar, então. Feito. Entretanto, no final da semana passada, o telefone ficou mudo. Opção? Ligar para a Brasil Telecom. Depois de ouvir repetidamente toda aquela cantilena – para isso, tecle 1; para aquilo, tecle 2 ... – descobrimos, quase um mês depois, que ainda não tinham fechado a ordem de serviço para instalação da banda larga e, por isso, não poderiam abrir outra para verificar o problema na linha. Dá-lhe ligar novamente para fechar a primeira ordem de serviço. No meio do estresse, um técnico da empresa liga para o celular. Pensei, nossos problemas acabaram. Surpresa. Disse o representante da BrT: “E a banda larga, tudo ok, funcionando?” Não é possível, não pode ser sério. Aí, contamos toda a história para o cidadão. Perguntou nosso endereço e disse: “Pois é. Nessa região realmente estamos com problema no sinal”. Foi só então quando conseguimos fechar a ordem de serviço inicial. Agora sim, paciência tem limite. Não queremos mais ser clientes. Ainda no sábado, voltamos a ligar para nos livrar da empresa. A atendente: “para esse procedimento, somente em horário comercial, de segunda a sexta”. Enfim. Na segunda, os caras arrumaram o telefone. Entretanto, a conta da banda larga que nem chegamos a usar também veio junto.

Monday, June 16, 2008

Reflexões sobre a cidade

Avançando nas leituras, é inevitável lincar aos aforismos do mestre Chico, o Science. Neste caso, refiro-me a um "pensar-olhar-sentir" a cidade, esse elemento vivo, pulsante e reconfigurado (r) no âmbito da contemporaneidade. "A cidade se apresenta centro das ambições para mendigos ou ricos e outras armações. Coletivos, automóveis, motos e metrôs, trabalhadores, patrões, policiais, camelôs". São esses fluxos que potencializam a diversidade cultural, através de hibridismos envolvendo costumes, comportamento, ideologias, linguagens, enfim. É uma espécie de caos, que nega a etimologia da palavra e vê-se ligada a um tipo de organização específica. A cidade sugere o urbano. O urbano apresenta suas tribos, estabelecidas pelo sentimento de pertença e repulsa. A cidade se movimenta. O tensionamento entre as classes é outra característica, embora o espaço urbano não faça distinções. Todos estão representados. Até os monumentos esquecidos pelo tempo são reintegrados. As pichações se encarregam disso. Não quero fazer juízo de valores, certo ou errado. É apenas constatação, advinda do exercício de observar, observação participativa, afinal, aqui vivemos. Reitero os versos de Chico: “A cidade não pára, a cidade só cresce. O de cima sobe e o de baixo desce”. Acrescento: “O objeto cidade é uma sucessão de territórios onde as pessoas, de maneira mais ou menos efêmera, se enraízam, se retraem, buscam abrigo e segurança” (MAFFESOLI, 2006, p.224).

Thursday, June 12, 2008

É justus?

Pauta do bate-papo, dias atrás: processos utilizados pelas empresas para contratação. Tudo bem, a concorrência é grande. Há que se refinar cada vez mais os métodos de escolha? Concordo. Agora, elencar como primordial a avaliação psicológica dentre os critérios, acho questionável, absolutamente duvidoso. Penso ser esta uma ferramenta extremamente subjetiva. Como forma de auto-conhecimento ou de indicativo relacionado a pontos que precisam ser melhorados pelo candidato, ok. Entretanto, não creio ser a forma mais justa para seleção, principalmente quando o processo não vem acompanhado de testes práticos relevantes à função pretendida. Se não for assim, de que vale a experiência? Que venham as dinâmicas de grupo, os malabarismos, a grafologia, análise do Orkut, jogos psicológicos, sei lá, enfim, mas que nunca deixem de lado o “saber fazer” e que atribuam a este o peso devido. Não sou especialista no assunto, pode ser, de minha parte, uma análise bastante superficial, mas não me furto a sugerir o debate, tendo em vista os atravessamentos do mercado no nosso dia-a-dia. Preparemo-nos. Acho que vou me inscrever no Aprendiz. Roberto Justus é o cara. Até CD o cidadão está lançando. Maravilha, Alberto!*

* Expressão cunhada pelo Rock Gol.

Wednesday, June 11, 2008

Leitura do momento

Depois de algum tempo, volto, trazendo o tópico “Leitura do momento”. E ele também retornou, um dos meus autores preferidos: Pedro Juan Gutiérrez. “Nosso GG em Havana” retrata a passagem do escritor britânico Graham Greene pela ilha, nos anos 50, período pré-Fidel. A trama envolve o submundo hard core cubano, agentes do FBI, KGB, caçadores de nazistas e a máfia italiana de Nova York. Porém, tudo mais light em relação a suas obras anteriores. Acho que faltou aquele tom sarcástico característico. Por outro lado, ilustra um outro momento no cenário político do país, antes da revolução, com várias correntes ideológicas em movimento, todas prospectando, mesmo que nas entrelinhas, o quanto prósperos poderiam ser seus projetos de futuro para Cuba. Boa leitura, recomendo, embora eu seja suspeito em se tratando de Pedro Juan. É que o texto do cara é tão envolvente que os finais sempre deixam um sentimento de: “já acabou?”.

Wednesday, February 20, 2008

Putz

É uma pena. Saiu hoje na Zero Hora, Contracapa, por Roger Lerina. Lamentável, mas a história parece que é real. A Ultramen vai dar um tempo, sem data determinada para voltar. Os caras vão se dedicar a projetos pessoais. Numa época de tão raras bandas de qualidade, é triste ver que um dos melhores grupos no cenário nacional entrará em estágio de stand by. Como diria a Funéria, que infortúnio. A banda ainda manterá a agenda até abril, devem gravar DVD ao vivo na abertura do Opinião, mas, enfim. Segue a nota oficial enviada à coluna do Lerina:

“Depois de 16 anos de estrada, músicas executadas nas principais FMs e shows pelo Brasil, a Ultramen vai dar um tempo... por tempo indeterminado. Nessa parada, os músicos vão cuidar de projetos pessoais e não prometem data pro retorno das atividades da banda, nem comentam o que cada um vai fazer durante esse tempo. A banda segue fazendo shows até o final de abril.”

Foto: Eduardo Quadros, Divulgação.

Friday, February 01, 2008

Como nascem as expressões

Dia desses, voltando de viagem a trabalho, conversava com outros dois colegas. Falávamos sobre um quarto personagem, famoso, reza a lenda, por ser pegador. Há rumores, de tempos, que o cidadão passa o rodo geral no setor onde labuta.
- O papo que rola é de que o cara não perdoa, reiterei.
- É real. Ele é matador mesmo, confirmou o colega.
- O profissional sempre de chuteirinha trava alta, acrescentei, aludindo ao futebol.
- O homem é o camisa nove, evoluiu o parceiro.
- Centroavante nato, é só bola na rede, rebati.
- Como vocês são chulos, criticou a moça.
Silêncio. Olhares. Pensamentos. Risos. O breve momento de pausa antecedeu uma das expressões mais peculiares que já ouvi nos últimos tempos. Para não ser indelicado ao tratar do tema e atendendo ao pedido da colega de não baixarmos o nível, o outro lascou, referindo-se ao sujeito foco dos debates:
- Ele é afeito às lides da centroavância.

Monday, January 28, 2008

Trânsito lento

"Estamos vivendo o pré-caos". A afirmação é de um professor da UFRGS, especialista em transportes com quem conversei na semana passada. No bate-papo, expressei minha preocupação quanto ao inchaço populacional e a falta de infra-estrutura para atender toda essa demanda. Ele, citando dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), me deixou ainda mais abalado. Em 2007, foram comercializados, no país, mais de 4,2 milhões de unidades, uma alta de 29,57% em relação ao ano anterior. Claro, por um lado, isso representa crescimento econômico, empregos e uma certa estabilidade financeira por parte da população. O problema é que os investimentos em estradas, por exemplo, não conseguem acompanhar infimamente o desenvolvimento da indústria. Resultado: destruição da malha viária já existente, mais acidentes, engarrafamentos, só para citar alguns problemas neste processo. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Estacionar, atualmente, é uma missão extremamente complicada, mesmo com as cidades menos movimentadas com a maior parte da população no Litoral. Por falar em Litoral, meu Deus! Acompanhando o movimento todos os finais de semana, é visível o aumento da frota. Saindo da Free Way, tem trânsito lento na sexta e no domingo. Haja paciência. Outro exemplo, a BR 116. Estrangulada. O pior é que não se visualizam soluções a curto prazo, como ressaltou o professor. Por outro lado, para amenizar, afirmou que ainda vai demorar um pouco para termos por aqui o mesmo que acontece em SP. No fundo, acho que ele disse isso só para aliviar e descontrair diante do breve silêncio após sua avaliação exposta aqui na abertura do texto. “Mas é um bom tema, importante. Temos que intensificar os debates neste sentido”, finalizou.

Wednesday, January 16, 2008

A Ponte

Para começar 2008, queria falar de um tema menos árido e que foi alvo de uma entrevista que fiz recentemente para um freela. Conversei com a historiadora Alice Trusz, uma das autoras do livro A Ponte do Guaíba. Pois a Ponte está completando 50 anos em dezembro de 2008. Ela contou como a pesquisa foi realizada, levando em consideração os aspectos econômicos-sociais-culturais-ambientais que envolveram o empreendimento, construído entre 1955 e 1958. A Ponte, com a peculiaridade do vão móvel, realmente transformou a paisagem no bairro Navegantes e tornou-se um cartão postal de Porto Alegre, sendo ilustrada em comerciais e filmes. Só o Jorge Furtado utilizou três vezes o cenário. Uma das histórias curiosas contadas por Alice Trusz remete à confusão quanto ao nome da Ponte. Na época da inauguração, o governador do Estado, Ildo Meneghetti, batizou a Ponte como Travessia Regis Bittencourt, em homenagem ao engenheiro que projetou a obra. Porém, quando assumiu o Piratini, Leonel Brizola, resolveu exaltar a figura do presidente Getúlio Vargas e rebatizou-a como Travessia Getúlio Vargas. O inusitado é que no outro dia, a placa com o nome da Ponte foi roubada e ela passou a ser conhecida mesmo como Ponte do Guaíba. O livro, de 96 páginas, conta com textos de Rualdo Menegat, Luiz Antônio Bolcato Custódio, Flávio Kiefer, Alice Dubina Trusz, Rosélia Araújo Vianna e Beatriz Blay, que também assina a edição, contando com a coordenação editorial de Maria Cristina Wolff de Carvalho. A obra traz ainda imagens históricas e recentes, estas últimas produzidas no verão e outono de 2007 pelo fotógrafo Eduardo Aigner. O valor do livro é de R$ 59,00. Garanto que seria uma grana muito bem empregada. Vale a pena.

Tuesday, December 25, 2007

Qual é a graça?

Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.

Wednesday, December 19, 2007

Leitura do momento

Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:
Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.

Tuesday, December 18, 2007

A função de dezembro

O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.

Tuesday, October 16, 2007

Sobre o Tropa de Elite

É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?

Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.

Salve Coletivo

Powered By Blogger