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Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Monday, July 18, 2005

spectroman e chico

Tenho percebido ultimamente uma febre de saudosismo coletivo, querendo reviver décadas passadas. Vou me ater aqui aos anos 80, bem explorados nestes últimos tempos através de livros, revistas, programas de TV, rádio e shows musicais. Devo ressaltar que toda minha infância e o início da adolescência se passaram nesta época. Lembro, evidentemente, com prazer das tardes de inverno à frente da televisão. Chegava do colégio - estudava no horário da manhã - e mais que depressa me abancava para acompanhar o epílogo da Operação Genocídio. Dr. Gori e Spectroman num duelo inesquecível. Putz, muito bom. "Planeta Terra, cidade Tóquio, entre todas as metrópoles deste planeta....." Na seqüência tinha Elo Perdido, um clássico - Marshall, Will e Holly... ainda lembro da melodia na abertura da série. Diversão garantida ou seu dinheiro de volta. Azar dos temas de casa. A lição só saia na noite, com sono e o caderno cheio de borrão e garrancho. A mãe pirava. Na verdade, tem mais uma infinidade de coisas que marcaram os anos 80. Não é minha intenção aqui ficar listando. Até porque lembranças cada um tem a sua. E material para consulta não falta. Não há dúvida, porém, de que foi um tempo muito legal. Eu curti. Agora, vamos combinar que no cenário musical os anos 80 ficaram devendo. E muito. Depois de duas décadas - 60 e 70 - incríveis, ricas em produção e primor técnico, os 80, salvo raríssimas exceções, nasceram com a peste da mediocridade. Por aqui, digo no Brasil, o caos se instalou de uma forma devastadora. Nunca se viu um acúmulo tão grande de mesmices e pobreza sonora. Alguns grupos, ainda hoje, povoam nossos pesadelos. Para citar algumas pérolas, entrando na febre do recordar é sofrer, temos Biquini Cavadão, Heróis da Resistência, Capital Inicial, Inocentes, Os Eles, Rádio Táxi, João Penca, Léo Jaime, RPM, Barão Vermelho, Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Uns e Outros, Magazine (do Kid Vinil)....chega, chega. Tá bom. É só pra dar uma idéia. Cruzes. E não é preconceito com a produção nacional. Pra não dizer que ninguém se salvou da hecatombe, destaco o Ira! como a redenção de um tempo enfadonho. Até porque, o Ira! tem um cara diferenciado: Edgard Scandurra. Poderia elencar ainda os Paralamas do Sucesso, salvos aos 45 do segundo tempo, e os Titãs, pelos álbuns Titanomaquia e Tudo ao Mesmo Tempo Agora, ambos gravados logo após o período de trevas. Enfim, ainda bem que passou. Ok, quero deixar claro que não sou xiita. Também não tenho uma cadeira permanente no Conselho de Segurança do Clube do Ódio. Sei que o Brasil possui variados ritmos e uma riqueza sonora extraordinária. Mas, o cenário rock daquela época foi de lascar. Depois da catástrofe era difícil acreditar em reconstrução. Chegam os anos 90. O milagre acontece. Chico Science é o nosso salvador. Mangue-boy-malungo-sangue-bom.

"Como um pássaro o tempo voa/ A procura do exato momento/ Quando o que você pode fazer fosse agora/ Com as roupas sujas de lama/ Porque o barro arrudeia o mundo/ E a TV não tem olhos pra ver/ Eu sou como aquele boneco/ Que apareceu no dia na fogueira/ E controla seu próprio satélite/ Andando por cima da terra/ Conquistando o seu próprio espaço/ É onde você pode estar agora"

Foto: Passarinho

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