- TOM FORTUNATO
- Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!
Tuesday, December 25, 2007
Qual é a graça?
Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.
Wednesday, December 19, 2007
Leitura do momento
Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.
Tuesday, December 18, 2007
A função de dezembro
O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.
Tuesday, October 16, 2007
Sobre o Tropa de Elite
É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.
Thursday, October 11, 2007
Iniciativas que afastam a molecada do tráfico
Nas condições normais de pressão e temperatura, é praticamente impossível concorrer com o apelo do tráfico nas periferias. Para os adolescentes, poucas são as opções e estímulos para trilhar um caminho diferente. Falo da falta de oportunidades, de maneira geral, e da baixa auto-estima, diante do descaso da sociedade, em última instância. São renegados, rotulados e praticamente invisíveis, como avalia Luiz Eduardo Soares. Para os jovens favelados, uma das poucas referências em relação ao poder público é quando a polícia entra em ação. Frente a uma realidade tão cruel, unir-se ao tráfico é quase que inevitável. Isso porque, o tráfico, às avessas, possibilita experimentar o reconhecimento, a valorização, “um plano de carreira”, dinheiro, status. Representam conquistas dificultadas ao extremo para eles pelas vias legais. Esclareço que esta não é uma defesa ao tráfico, mas a ilustração de como a batalha é desleal para quem se importa. É um círculo, literalmente, vicioso. Por isso, mais uma vez defendo iniciativas como o Hip Hop, que tão pouco apoio recebe da sociedade civil organizada. Para quem entende o Hip Hop apenas como estilo musical, cabe ressaltar que a premissa maior do movimento é fomentar a cultura da paz. A religiosidade também se presta a este fim. Nos cultos de matriz africana, por exemplo, é visível a crescente participação da juventude. Enquanto cantam e rezam para saudar seus Orixás, retiram-se do rol de possíveis soldados da violência e desenham um futuro com mais esperança e alternativas. Parece pouco ou simplista? Pode ser, mas já é alguma coisa. Cada vez que se consegue trazer um para o lado branco da força, a contabilidade da paz cresce e nós agradecemos.
Friday, October 05, 2007
Duff e rosquinhas
Matt Groening. A Playboy do mês passado traz uma entrevista muito legal com esse cara. Ele colocou o nome de seus pais e irmãos em personagens de desenho: Homer, Margie, Lisa e Meggie. E o Bart mistura a personalidade de seu criador e de um outro irmão que não coube na animação. Groening foi quem concebeu Os Simpsons, em 1987. Movida pelo sarcasmo, ironia e forte crítica aos costumes norte-americanos, a família amarela já teve suas aventuras representadas em cerca de 400 episódios e um filme, recentemente. Na entrevista, Groening lembra como foi o início da série, uma das mais duradouras da TV mundial, batendo até a chata e badalada Friends. Os Simpsons também revelaram técnicas inovadoras do ponto de vista estético, por exemplo, que revolucionaram a confecção dos desenhos atuais. Ele também é o pai de Futurama, que terá novos capítulos em 2008. Vale a pena dar uma conferida neste bate-papo. O cara é bem descontraído, o que indica a origem de tanta irreverência no dia-a-dia de seus personagens. Sou fã dessa família.
Tuesday, September 25, 2007
O Tas falou, tá falado
Zapeando no final de semana passado vi uma entrevista com o Marcelo Tas. O cara dispensa comentários. É um blogueiro de primeira. E ele disse algumas coisas interessantes sobre este meio de interatividade e comunicação. Uma delas, parece óbvia, mas, pelo menos pra mim, muitas vezes passava batido. Ele relatou, não com estas palavras, mas com esse sentido: para quem tem um blog, sua principal ferramenta de divulgação é a assiduidade. Quem lê, procura novidades, se não acha, vai embora. Então, seguem minhas desculpas aos que, mesmo eventualmente, visitam este espaço.
Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas
Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)
Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas
Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)
Friday, August 10, 2007
É melhor ser alegre que ser triste
Todo artista precisa de inspiração. Por exemplo, Pedro Juan, necessita sentir na pele o ar de Havana. No meio da semana vi o documentário Vinícius. E para este, o combustível musical e poético era o amor. Necessitava estar constantemente apaixonado. Casou-se nove vezes. E aliado a este estado de espírito, soma-se a genialidade. Vinícius de Mores aproximou a métrica do popular. Foi um dos criadores da bossa nova e dono de canções imortais. O documentário é fabuloso. Traz um retrato fiel da vida do poeta, com depoimentos, interpretações sonoras e os versos dos mais bonitos que já li na vida. Além disso, mostra as transformações do Rio de Janeiro, sua cidade natal, desde a época em que era a capital do Brasil. A obra emociona também pelas imagens antigas em parcerias com Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto. Ainda as reuniões em seu apartamento, nas noites de whisky, cantoria e composições. E mais: as interpretações dos poemas por Camila Morgado e Ricardo Blat, num pocket show em homenagem a Vinícius, são maravilhosas e de uma sensibilidade incrível. Vale a pena. Recomendo. Só vendo é possível tentar dimensionar quem foi Vinícius de Moraes. Me fez lembrar das leituras, quando adolescente, na biblioteca pública de São Leopoldo. Bons tempos. Foi um período de mergulho intenso na literatura brasileira.
Tuesday, August 07, 2007
Leitura do momento
Contundente. É tipo um soco na boca do estômago. Em relatos que conversam com o leitor, os caras apontam a realidade cruel em que a juventude da periferia é exposta cotidianamente. O tráfico, a violência, o vício, o medo, a corrupção policial, o racismo, o descaso, o ódio, a bala perdida, etc. Trazem para discussão a forma como todos estes problemas estão sendo (ou como deveriam ser) tratados pelo poder público e pela sociedade. O terreno é bastante espinhoso e complexo. E essa é a questão. Como desenrolar todos esses nós quando temos falência moral de cima para baixo? Falta base, educação, saúde, cultura, emprego. Sem isso, o círculo será literalmente vicioso. Avançando nas páginas, voltei à minha monografia. Estudei o Hip Hop e a mídia e, em determinado momento, cheguei a conclusão de que quem ajuda a favela é a própria favela. Falta conhecimento de causa e vontade política para projetos sociais eficientes que possam acender aquela luz no fim do túnel para a rapaziada. Numa entrevista que fiz com DJ Nezzo para o TC, ele disse: “na maioria das vezes, a única referência que a comunidade tem com o estado é quando a polícia entre na periferia”. E da parte da mídia, uma das falhas que apontei, é a falta de aprofundamento e contextualização neste tipo de cobertura, relatando, por exemplo, ações como as do movimento Hip Hop. E o que é mais perigoso, a generalização: favela como sinônimo de marginalidade. A temática precisa ser constantemente debatida de forma séria, por todos os seguimentos. Recomendo esta leitura como um incentivo a internalizar essas questões e a projetar de que forma podemos fazer a nossa parte. Lutemos pela salvação do coletivo.
Friday, July 27, 2007
Mais sobre o Rei Lagarto
The End é o nome do livro de Sam Bernett, lançado neste mês, na França, que reabre a polêmica sobre a morte de Jim Morrison. Segundo o cara, no dia 3 de julho de 1971, o vocalista do The Doors foi encontrado desacordado no banheiro de uma casa noturna parisiense. Bernett era o então gerente da Rock and Roll Circus. Ele conta que naquela noite, Morrison estava duro da fanta, total fora da casa, e que comprou heroína para sua namorada. Logo depois, trancou-se no banheiro masculino, onde foi localizado apagadaço. Um médico que estava no estabelecimento teria afirmado que Jim estava morto. Dali, Morrison foi levado para seu apartamento onde tentaram, na banheira, reanimá-lo, sem sucesso. Claro que já choveram críticas e contestações a esta versão. Segue o mistério, o que alimenta ainda mais o mito de um dos maiores poetas do rock mundial. Salve o Rei Lagarto.
Monday, July 23, 2007
Pra irritar
Acompanhar os jogos do Inter, nos últimos tempos, tem sido um teste de paciência. Nem sempre dá pra se controlar. De minha parte, sábado foi um dia de extrema irritação. O colorado fez força pra perder. Na semana passada, ouvi o Gallo afirmar que trabalha com uma concepção moderna de futebol. Ou seja, na avaliação desse cidadão, sua equipe se adapta à movimentação da equipe adversária. Tá bom, então tô ficando louco, né? Só se falta de esquema ou incompetência tática mudaram de nome. Cada jogo é uma formação. O time não tem mais identidade. Falo isso não porque o Inter pipocou contra o Juventude, mas venho, há horas, observando essa esculhambação. Tudo bem, viemos de três vitórias, mas credito muito mais à fragilidade dos adversários do que por mérito vermelho. Aliás, alguém pode me responder algumas questões como: quem é Magal? Quem é Roger? Por que o Clemer e o Christian não pedem o boné? Perdão pelo desabafo, mas tá punk mesmo. Outro dia o Guerrinha comentou que o torcedor do Inter é um cara que não vive sem emoção. Ano passado era pela disputa da Libertadores e Mundial. Esse ano, pra se manter na linha intermediária, sendo otimista. E assim é. Tomara que eu morda a língua. Tomara.
Thursday, July 19, 2007
O desastre
Nossa, quanta tristeza. E choca ainda mais por tudo ter acontecido tão perto da gente, com muitos conhecidos de conhecidos nossos. As cenas são assustadoras. A angústia das famílias, meu Pai, a espera, a identificação dos corpos, o sofrimento. Quanto pesar. Estamos todos abalados, irmanados, enlutados por aqueles que partiram de forma tão abrupta. Que Deus abençoe, ilumine a todos e nos dê força para tocar a vida.
Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.
Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.
Thursday, July 12, 2007
Escrever por música
Dia desses voltei ao fone de ouvido. Em tempos de Mp3, Ipods, celulares com rádio, etc, maravilhas modernas, lembrei dos tempos do bom e velho Walkman. Tinha esquecido como era a sensação de perambular com trilha sonora. Remocei uns 10 anos. Pensamentos borbulhantes, chapação virtual, enfim, há tempos a mente não se agitava de tal maneira. É um tipo de egoísmo barulhento em que os órgãos se balançam, vibrando no ritmo dos riffs. Enquanto milhares de pessoas circulam apressadas, aquele momento é só seu. Aquela música lhe pertence. O volume sobe repentinamente. Não há mais ruídos ao redor. Apenas o deleite dos tímpanos que internalizam o punch, as rimas e a distorção. É como sonhar em outra dimensão, talvez um Vanilla Sky em que você tem o controle. Nada de errado em chorar, sorrir ou escrever. Verve pura, essência da vida. Sem mais a dizer. Som. Assim é.
Wednesday, July 04, 2007
Ainda sobre o Vlado
Em tempos de debates sobre TV Pública e o receio de um conteúdo chapa-branca, vejamos o que disse Vladimir Herzog, ainda nos anos 70, ao assumir o comando da TV Cultura de São Paulo: “Jornalismo em rádio e TV deve ser encarado como instrumento de diálogo e não como um monólogo paternalista. Para isso, é preciso que espelhe os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige. Um telejornal de emissora do governo também pode ser um bom jornal e, para isso, não é preciso esquecer que se trata de emissora do governo. Basta não adotar uma atitude servil”.
Wednesday, June 27, 2007
Eles têm caráter...
Foi o que disse o pai de um dos covardes que, recentemente, espancaram uma doméstica no Rio de Janeiro. “Eles erraram, mas não se pode prender crianças. Não se pode deixar que fiquem presos junto com bandidos. Eles têm caráter, estão na faculdade, trabalham”. Em síntese, são as declarações. Revoltante. Pra quem não acompanhou a história, cinco jovens, filhos da classe média e média alta, agrediram violentamente uma trabalhadora enquanto ela esperava o ônibus. “Pensamos que fosse uma prostituta”, alegaram, como se justificasse a barbárie. Enquanto isso, aqui em Porto Alegre, outra demonstração de intolerância. Em frente ao prédio do Direito da UFRGS, um muro foi pichado com a frase: “Negro só se for na cozinha do R.U. Cotas não!". Uma demonstração pura de racismo, vindo de universitários, o que torna a questão muita mais séria. Se de quem deveria brotar a esperança de um futuro mais justo, observa-se ações retrógradas com esta, coloca-se em xeque o pensamento democrático e a sobrevivência da diversidade. É preciso identificar e punir o mais rápido possível os responsáveis para que não tornem-se exemplo a outros. A discussão sobre cotas nas universidades é válida, oportuna, acima de tudo, e que pode vir a corrigir distorções sociais históricas, caso sejam aprovadas. Existem opiniões divergentes, faz parte do contraditório, mas impõe-se que os debates ocorram dentro de níveis de civilidade. É o mínimo que se espera a partir de integrantes da comunidade acadêmica. RACISMO É CRIME.Foto: Leandro Molina
Wednesday, June 20, 2007
Pra não deixar dúvidas
Claro que em campo tudo pode acontecer. Cada jogo é uma história diferente. Perder, vencer, empatar, normal. O que vale é o resultado dentro das quatro linhas. Mas, por favor, vamos parar com essa palhaçada de imortal. Vamos dar um tempo com essa besteira de mística tricolor. Bater em morto é barbada. E muito se falava durante a semana em “Caxias de grife” ... Tá bom!!! Chega de soberba, né!?! Foi incontestável. Três a zero lá e dois a zero aqui. Algo mais a se questionar? Enfim. No final do ano, dá-lhe Boca no Japão.
Manifestações
Aos amigos que visitam este blog, não fiquem com o pé atrás quando bater aquele impulso, aquela vontade de comentar algum post. Não há contra-indicações. Exponham suas opiniões, sejam protagonistas, dividam com os demais seus posicionamentos. É uma oportunidade de exercitar, testar seu poder de crítica, argumentar. Ou não. O certo é que da interatividade nascem pautas, réplicas, tréplicas, diversão, novas bobagens – o que é muito saudável e, diga-se de passagem, muitas vezes mais produtivo - e quem sabe até mesmo um fórum de discussões. Mesclar idéias é dar luz a culturas diferentes, vivências diversas e aprendizado, em última instância. De minha parte, prometo não ser mais tão relapso nas atualizações. Vamos aos debates. Abraços hermanos.
Tuesday, June 19, 2007
Leitura do momento
Avançando nesta leitura, fico cada vez mais assustado quando algumas pesquisas de opinião apontam a preferência pelo retorno da ditadura. Os que são favoráveis ao regime de exceção argumentam, principalmente, que na época dos generais não havia corrupção, ou muito menos do que se verifica atualmente. Por outro lado, também não existia imprensa para denunciar as falcatruas. Minha adolescência foi nos anos 90. Não vivenciei este período negro da história brasileira. Porém, foi um tema que sempre me interessou e que influenciou muitas de minhas leituras. Certa vez perguntei a um coronel reformado, oficial no regime, o que ele pensava sobre a retração da cultura no país a partir de 64 até o final dos anos 80. O homem ficou irado. “Aquilo não era cultura, era uma bagunça, uma putaria e que merecia ser barrada pelo bem da família”. Enfim. Que fique claro que isso não é uma crítica aos militares. Tenho grandes amigos no meio verde-oliva, parentes e colegas fardados. Todos pessoas maravilhosas. E que são contrárias ao retorno da ditadura. Critico a mentalidade intolerante da época, que em nome sei lá do que, torturou e matou milhares de cidadãos. Vlado foi uma dessas vítimas. Pagou com a vida ao lutar por um estado democrático de direito e por tentar fazer jornalismo de verdade. É bom que a gente reflita sobre isso. Nossa democracia é recente, tem muito a amadurecer, tendo em vista questões como ética, moralidade política e etc, mas retroceder seria mergulhar no fim do mundo.
Friday, June 08, 2007
Tudo é tão tufum...
Diálogo que presenciei na mesa ao lado, durante o horário de almoço, nesta sexta-feira. Rapaz e moça conversam de forma descontraída. Não são namorados. Aparentam 24 anos.
Ele: ...sou um cara cético.
Ela: mas cético em que sentido?
Ele: em todos os sentidos. Só acredito nas coisas que podem ser provadas. Sou muito assim. Não é egoísmo. As pessoas já me magoaram muito.
Ela: mas cético em todos os sentidos mesmo?
Ele: em todos. Só creio no que é concreto.
Ela: eu acredito nas pessoas. Não muito, mas acredito.
Ele: pois eu já me decepcionei muito. Muito mesmo. Hoje sou assim.
....
Ele:...sabe, voltei para o Orkut.
Ela: pois é. Eu vi que tu tinhas saído.
Ele: estava preocupado de ficar me expondo. Precisei me aconselhar com uns amigos. Eles me convenceram a voltar. O Orkut tem 95% de coisas ruins, mas os 5% de coisas boas me fizeram voltar. Sei lá, voltei. Te adicionei.
Ela: é, eu estou no Orkut, mas entro pouco.
...
Ela: tu vais no campus hoje, amanhã, no ano que vem?
Ele: vou. Tenho algumas coisas pra fazer.
Ela: entrega esse dvd pra mim?
Ele: o que é?
Ela: um documentário.
Ele: deixa eu ver...esse eu já olhei. Não gostei. Achei muito superficial. Ah, eu sou assim, muito crítico com as coisas.
...
Bah, troféu Carlos Lacerda pra ti, magrão. Putz, a vida é bem mais simples, não acham? Nós é que complicamos tudo. Enfim. Terminei de almoçar e caminhei por 10 minutos no sol antes de voltar ao trabalho.
Ele: ...sou um cara cético.
Ela: mas cético em que sentido?
Ele: em todos os sentidos. Só acredito nas coisas que podem ser provadas. Sou muito assim. Não é egoísmo. As pessoas já me magoaram muito.
Ela: mas cético em todos os sentidos mesmo?
Ele: em todos. Só creio no que é concreto.
Ela: eu acredito nas pessoas. Não muito, mas acredito.
Ele: pois eu já me decepcionei muito. Muito mesmo. Hoje sou assim.
....
Ele:...sabe, voltei para o Orkut.
Ela: pois é. Eu vi que tu tinhas saído.
Ele: estava preocupado de ficar me expondo. Precisei me aconselhar com uns amigos. Eles me convenceram a voltar. O Orkut tem 95% de coisas ruins, mas os 5% de coisas boas me fizeram voltar. Sei lá, voltei. Te adicionei.
Ela: é, eu estou no Orkut, mas entro pouco.
...
Ela: tu vais no campus hoje, amanhã, no ano que vem?
Ele: vou. Tenho algumas coisas pra fazer.
Ela: entrega esse dvd pra mim?
Ele: o que é?
Ela: um documentário.
Ele: deixa eu ver...esse eu já olhei. Não gostei. Achei muito superficial. Ah, eu sou assim, muito crítico com as coisas.
...
Bah, troféu Carlos Lacerda pra ti, magrão. Putz, a vida é bem mais simples, não acham? Nós é que complicamos tudo. Enfim. Terminei de almoçar e caminhei por 10 minutos no sol antes de voltar ao trabalho.
Wednesday, June 06, 2007
A pior banda da semana
Fomos no Abbey Road, em Novo Hamburgo, no último sábado, 2. Lugar bacana, clima aconchegante, enfim, indico pra quem está atrás de uma festa com música da melhor qualidade. O DJ trabalha bem, sabe articular o ecletismo dentro do universo "rock", sem deixar cair a verve da rapaziada. Tem também som ao vivo, com banda no palco. Pra mim, o ponto alto da função. E geralmente, pelo menos nas oportunidades que estive lá, os grupos sempre se puxaram e mandaram bem. A gente sabe que no caso do cover a mentira faz parte, mas a banda que observei no final de semana, tenha paciência, santa paciências, eu diria. Até o momento, um acidente de percurso em relação à qualidade do espaço. Putz, mas no sábado, além do exagerado engodo musical e muita pose, faltou o bom e velho ensaio. Até mesmo os TNT-Cascavelletes da vida os caras conseguiram errar, festival do lá e cá. Inimigos do ritmo. Cada um numa nota nos finais apoteóticos que as bandas gostam de fazer. Cruzes. Doeu nos ouvidos. Tocaram U2, duas músicas, One e Desire. Ou melhor, tentaram. Sou mais eu manco na viola. E olha que sou treze a fu nas seis cordas. Nunca ouvi três figuras tão desentrosadas. E de tempos em tempos, o guitarrista-cantor-poser-castelhano arrematava: “bate palma quem tem sentimento”. O meu sentimento era de ódio, como diria uma grande amiga. Ai que ódio, ai que ódio...O pior é que a indiada toda no bar já estava dura da fanta. Resultado: aplausos pelas bizarrices. Freak show total. Se você ficou curioso pra saber que banda é essa, vale um aviso. Na página do bar, o nome que está lá não é o do grupo em questão. Erraram ou precisou ser trocado por força maior, não sei. Agora, se me perguntarem pessoalmente, terei o maior prazer em revelar. Afinal, trata-se de utilidade pública.
Tuesday, April 03, 2007
Decibéis
Quem seguidamente cruza a Rua da Praia com a Rua General Câmara, na capital, já deve ter visto este personagem. Ou melhor, ouvido. “Quem não arrisca não petisca, a sorte grande não belisca”. Trata-se de um senhor, aparentando entre 45 e 50 anos, deficiente visual, e que vende bilhetes de loteria. “Mega Sena acumulada. UM MILHÃO DE REAIS. É pra hoje. Mega Sena acumulada”. E segue a ladainha. O que mais chama a atenção é a altura com que o cidadão anuncia o seu comércio. O homem parece um alto-falante. Uma voz forte, firme, sem desafinar, com ritmo, continuo, enfim. Subindo a ladeira, dias desses, em direção à Praça da Matriz, escutei o seguinte comentário: “Bah, dá pra ouvir o cara lá da Azenha”. Claro, um “pouco” de exagero, mas o lance impressiona mesmo. Ele ganha do pai do Milton.
Friday, March 30, 2007
A segunda vida
Putz, essa semana me deparei com uma leitura abordando a Second Life. Second Life? Pois é, até então nunca tinha ouvido falar. Ela existe, mas não tem nada a ver com religiosidade, crença ou algo do gênero. Trata-se de um mundo virtual, onde as pessoas relacionam-se como se estivessem em uma cidade normal. Existem casas, prédios, carros, empresas, festas, enfim. Cada pessoa é representada por uma espécie de bonequinho, mas com formas humanas bem definidas, como nos mais avanços jogos de computador. Os seres que habitam a Second Life são chamados de Avatar. E a coisa é tão “real” que para você se vestir, por exemplo, precisa comprar roupas em lojas existentes nesse cenário paralelo. E custa dinheiro. Linden é o nome da moeda. Isso se processa através de transações por cartões de crédito, daí, de forma verdadeira. Ou seja, até terrenos são comercializados na Second Life, mas quitados com grana mesmo, real, dólar, euro. O mais interessante é que neste final de semana será inaugurado o primeiro CTG na Second Life. Fiquei chocado. Interessante e surpreendente. Cada vez mais, homens e mulheres estão optando por este tipo de relacionamento. Fico preocupado com o futuro. Me pergunto onde fica o toque, o olho no olho? E o Orkut? Sei, é uma forma, digamos, um tanto “fria” de trocar idéias. Mas, uma vida dentro do computador já é demais pra minha cabeça. E o troço vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo. São pelo menos cinco milhões de pessoas “vivendo” uma outra identidade. Em linhas gerais, é mais ou menos assim que funciona.
Wednesday, March 14, 2007
Ouça no volume máximo
Pois bem, amigos. Hoje o assunto é música. Então, queria lembrar de uma grande banda que, infelizmente, encerrou definitivamente suas atividades, pelo que sei, ou até que surjam informações contrárias. Trata-se de um grupo de São Leopoldo. Talvez nem todos lembrem, mas estou falando da PULSE. O que aconteceu com os caras? Resolvi expor o assunto depois de estar viajando na Internet e encontrar a página da banda. O site está todo desfigurado, mas ainda é possível ouvir as composições do grupo. E que sonzera, meu velho! Muita melodia, pegada, harmonia, arranjos, putz. E mais: estavam muito a frente de todos nós, do ponto de vista de qualidade sonora, visão empresarial, marketing, etc. Mais ainda: sempre curti o lance de variar o som com altos e baixos, calmaria e pancada, preparação e explosão. E isso, a PULSE sabia fazer muito bem. Pra resumir, baita vocal do Gomez mais novo. Letra: aí vai uma das minhas preferidas:
Unconscious
The sun rises again.
I feel its gentle touch on my face.
My bed is all I have.
This unconsciousness fills the air.
I can’t feel my legs, my arms or
Forget the pain! Take me out of my head...
“So young and full of life”,
my mother always says before she cries.
It’s hard to realize that all that’s left for me is in this cry.
And every night the car crash echoes inside myself.
The darkness blurs my thoughts and I pray:
“Please God, help me, end this day!”
Unspoken words will have to be postponed.
My life goes on unconscious.
Unconscious
The sun rises again.
I feel its gentle touch on my face.
My bed is all I have.
This unconsciousness fills the air.
I can’t feel my legs, my arms or
Forget the pain! Take me out of my head...
“So young and full of life”,
my mother always says before she cries.
It’s hard to realize that all that’s left for me is in this cry.
And every night the car crash echoes inside myself.
The darkness blurs my thoughts and I pray:
“Please God, help me, end this day!”
Unspoken words will have to be postponed.
My life goes on unconscious.
Tuesday, March 13, 2007
Oremos
Pois é, como diria o grande Aroldo de Souza: e agora, tchê? Ontem saiu a notícia de que o jornal Correio do Povo também foi vendido para Igreja Universal. A Rádio e TV Guaíba já tinham sido incorporadas ao patrimônio do senhor Edir Macedo. A venda do Correio surpreendeu ainda mais, já que o proprietário do complexo havia, anteriormente, negado veementemente a negociação envolvendo o jornal. Bom, enfim. Restam incertezas por parte de todos que trabalham por lá, principalmente os jornalistas. Muitos com anos de casa. Também fica a dúvida sobre as intenções dos novos proprietários. Se investirem na área de informação, quem sabe isso possa movimentar o mercado, abrir novos campos de trabalho e valorizar os profissionais da área. Fica o benefício da dúvida. Mas também a angústia, as especulações, uma vez que, até o momento, nada há de concreto. Os novos proprietários deverão se apresentar na próxima semana. O lamentável, efetivamente até agora, é o desgaste de uma das empresas jornalísticas mais tradicionais do Estado. É uma pena. E o que é pior, especula-se que o complexo Correio do Povo – Rádio Guaíba tenha sido vendido por algo em torno de R$ 100 milhões. Muito pouco para este império que contou a história do povo gaúcho. Enfim. Esperemos. Melhor, oremos. Fazer o quê?
Monday, March 12, 2007
Esse cara era foda
Bueno, como disse no post abaixo, estamos retomando as atividades. Neste primeiro contato efetivo em 2007, gostaria de sugerir algo da série “Leitura do Momento”. Vamos lá, então. Não é segredo que tenho uma paixão pelas biografias. Acho que o campo de visão vai além, não só a respeito do personagem, mas em relação ao contexto. Enfim. O lance é que nos últimos dias tenho dedicado minhas idas e vindas no trem à leitura de “Sinfonia Inacaba”, de Lilian Dreyer. O livro foi um presente da minha amiga Mary Mezzari. Trata-se da vida de José Lutzenberger. Então, no avançar das páginas, percebe-se o quanto esse cara era genial. Desde os primeiros anos de vida, Jolch, como era chamado pelas outras crianças, já apresentava tamanha sensibilidade e curiosidade em relação aos assuntos a sua volta. E chega a dar um nó na garganta quando recorda, ainda na infância, as visitas, as brincadeiras e a adoração pelo verde, flora e fauna, exuberantes no Morro da Polícia, em Porto Alegre. Das águas límpidas do Arroio Dilúvio. As praias do Guaíba. Estamos falando em meados dos anos 20. No final dos anos 60, quando retorna da Europa, apavora-se com a degradação e o crescimento desordenado da cidade. Putz, anos 60. Fico imaginado a dor desse homem nos seus últimos anos de vida. Por falar em retornar da Europa, essa volta ao Brasil ocorre por estar vivendo uma crise de consciência. Formou-se em Agronomia na UFRGS, mas com uma visão muito mais ampla do que os colegas de faculdade. Nesse momento já dispunha de uma consciência ecológica, aliás, a palavra ecologia era praticamente desconhecida na época. E Lutz foi um dos responsáveis pela propagação. Por todas suas aptidões, incluindo extremo conhecimento em química, fluência em inglês, alemão e francês, velocidade de raciocínio, dentre tantas outras qualidades, foi contratado por uma multinacional alemã, ligada ao setor químico. Viajou o mundo. Estava sendo cotado para um cargo de executivo, prestes a ganhar um dos maiores salários da empresa, quando percebeu que a indústria havia focado seus investimentos no ramo de defensivos agrícolas. Defensivos agrícolas? Pois bem, futuramente, esses produtos viriam a ser chamados de agrotóxicos, devido também a luta e insistência de Lutzemberger. E isso foi o pivô de sua dor de cabeça. Não poderia mais trabalhar para uma empresa que distribuía veneno pelo mundo, acabando com tudo que era vivo nas lavouras, inclusive muitos agricultores morreram na esperança de ver suas plantações mais produtivas. Na época não havia a cultura de equipamentos de proteção e era um período em que pouco se sabia sobre as conseqüências do uso continuo deste material. Pois o homem previu a catástrofe que estaria por vir. Pediu demissão e montou em Porto Alegre a Agapan, na defesa da natureza, na defesa da vida. Tornou-se um ambientalista. Precisamos de mais militantes como Lutzemberger. O aquecimento global é uma realidade. E logo chegará o dia em que a natureza irá, efetivamente, cobrar de nós tudo o que fizemos contra ela ao longo dos anos. Que medo! Proponho fazermos a nossa parte enquanto há tempo.
Wednesday, March 07, 2007
Subscribe to:
Comments (Atom)
