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Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Tuesday, December 25, 2007

Qual é a graça?

Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.

Wednesday, December 19, 2007

Leitura do momento

Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:
Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.

Tuesday, December 18, 2007

A função de dezembro

O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.

Tuesday, October 16, 2007

Sobre o Tropa de Elite

É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?

Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.

Thursday, October 11, 2007

Iniciativas que afastam a molecada do tráfico

Nas condições normais de pressão e temperatura, é praticamente impossível concorrer com o apelo do tráfico nas periferias. Para os adolescentes, poucas são as opções e estímulos para trilhar um caminho diferente. Falo da falta de oportunidades, de maneira geral, e da baixa auto-estima, diante do descaso da sociedade, em última instância. São renegados, rotulados e praticamente invisíveis, como avalia Luiz Eduardo Soares. Para os jovens favelados, uma das poucas referências em relação ao poder público é quando a polícia entra em ação. Frente a uma realidade tão cruel, unir-se ao tráfico é quase que inevitável. Isso porque, o tráfico, às avessas, possibilita experimentar o reconhecimento, a valorização, “um plano de carreira”, dinheiro, status. Representam conquistas dificultadas ao extremo para eles pelas vias legais. Esclareço que esta não é uma defesa ao tráfico, mas a ilustração de como a batalha é desleal para quem se importa. É um círculo, literalmente, vicioso. Por isso, mais uma vez defendo iniciativas como o Hip Hop, que tão pouco apoio recebe da sociedade civil organizada. Para quem entende o Hip Hop apenas como estilo musical, cabe ressaltar que a premissa maior do movimento é fomentar a cultura da paz. A religiosidade também se presta a este fim. Nos cultos de matriz africana, por exemplo, é visível a crescente participação da juventude. Enquanto cantam e rezam para saudar seus Orixás, retiram-se do rol de possíveis soldados da violência e desenham um futuro com mais esperança e alternativas. Parece pouco ou simplista? Pode ser, mas já é alguma coisa. Cada vez que se consegue trazer um para o lado branco da força, a contabilidade da paz cresce e nós agradecemos.

Friday, October 05, 2007

Duff e rosquinhas

Matt Groening. A Playboy do mês passado traz uma entrevista muito legal com esse cara. Ele colocou o nome de seus pais e irmãos em personagens de desenho: Homer, Margie, Lisa e Meggie. E o Bart mistura a personalidade de seu criador e de um outro irmão que não coube na animação. Groening foi quem concebeu Os Simpsons, em 1987. Movida pelo sarcasmo, ironia e forte crítica aos costumes norte-americanos, a família amarela já teve suas aventuras representadas em cerca de 400 episódios e um filme, recentemente. Na entrevista, Groening lembra como foi o início da série, uma das mais duradouras da TV mundial, batendo até a chata e badalada Friends. Os Simpsons também revelaram técnicas inovadoras do ponto de vista estético, por exemplo, que revolucionaram a confecção dos desenhos atuais. Ele também é o pai de Futurama, que terá novos capítulos em 2008. Vale a pena dar uma conferida neste bate-papo. O cara é bem descontraído, o que indica a origem de tanta irreverência no dia-a-dia de seus personagens. Sou fã dessa família.

Tuesday, September 25, 2007

O Tas falou, tá falado

Zapeando no final de semana passado vi uma entrevista com o Marcelo Tas. O cara dispensa comentários. É um blogueiro de primeira. E ele disse algumas coisas interessantes sobre este meio de interatividade e comunicação. Uma delas, parece óbvia, mas, pelo menos pra mim, muitas vezes passava batido. Ele relatou, não com estas palavras, mas com esse sentido: para quem tem um blog, sua principal ferramenta de divulgação é a assiduidade. Quem lê, procura novidades, se não acha, vai embora. Então, seguem minhas desculpas aos que, mesmo eventualmente, visitam este espaço.

Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas

Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)

Friday, August 10, 2007

É melhor ser alegre que ser triste

Todo artista precisa de inspiração. Por exemplo, Pedro Juan, necessita sentir na pele o ar de Havana. No meio da semana vi o documentário Vinícius. E para este, o combustível musical e poético era o amor. Necessitava estar constantemente apaixonado. Casou-se nove vezes. E aliado a este estado de espírito, soma-se a genialidade. Vinícius de Mores aproximou a métrica do popular. Foi um dos criadores da bossa nova e dono de canções imortais. O documentário é fabuloso. Traz um retrato fiel da vida do poeta, com depoimentos, interpretações sonoras e os versos dos mais bonitos que já li na vida. Além disso, mostra as transformações do Rio de Janeiro, sua cidade natal, desde a época em que era a capital do Brasil. A obra emociona também pelas imagens antigas em parcerias com Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto. Ainda as reuniões em seu apartamento, nas noites de whisky, cantoria e composições. E mais: as interpretações dos poemas por Camila Morgado e Ricardo Blat, num pocket show em homenagem a Vinícius, são maravilhosas e de uma sensibilidade incrível. Vale a pena. Recomendo. Só vendo é possível tentar dimensionar quem foi Vinícius de Moraes. Me fez lembrar das leituras, quando adolescente, na biblioteca pública de São Leopoldo. Bons tempos. Foi um período de mergulho intenso na literatura brasileira.

Tuesday, August 07, 2007

Leitura do momento

Contundente. É tipo um soco na boca do estômago. Em relatos que conversam com o leitor, os caras apontam a realidade cruel em que a juventude da periferia é exposta cotidianamente. O tráfico, a violência, o vício, o medo, a corrupção policial, o racismo, o descaso, o ódio, a bala perdida, etc. Trazem para discussão a forma como todos estes problemas estão sendo (ou como deveriam ser) tratados pelo poder público e pela sociedade. O terreno é bastante espinhoso e complexo. E essa é a questão. Como desenrolar todos esses nós quando temos falência moral de cima para baixo? Falta base, educação, saúde, cultura, emprego. Sem isso, o círculo será literalmente vicioso. Avançando nas páginas, voltei à minha monografia. Estudei o Hip Hop e a mídia e, em determinado momento, cheguei a conclusão de que quem ajuda a favela é a própria favela. Falta conhecimento de causa e vontade política para projetos sociais eficientes que possam acender aquela luz no fim do túnel para a rapaziada. Numa entrevista que fiz com DJ Nezzo para o TC, ele disse: “na maioria das vezes, a única referência que a comunidade tem com o estado é quando a polícia entre na periferia”. E da parte da mídia, uma das falhas que apontei, é a falta de aprofundamento e contextualização neste tipo de cobertura, relatando, por exemplo, ações como as do movimento Hip Hop. E o que é mais perigoso, a generalização: favela como sinônimo de marginalidade. A temática precisa ser constantemente debatida de forma séria, por todos os seguimentos. Recomendo esta leitura como um incentivo a internalizar essas questões e a projetar de que forma podemos fazer a nossa parte. Lutemos pela salvação do coletivo.

Friday, July 27, 2007

Mais sobre o Rei Lagarto

The End é o nome do livro de Sam Bernett, lançado neste mês, na França, que reabre a polêmica sobre a morte de Jim Morrison. Segundo o cara, no dia 3 de julho de 1971, o vocalista do The Doors foi encontrado desacordado no banheiro de uma casa noturna parisiense. Bernett era o então gerente da Rock and Roll Circus. Ele conta que naquela noite, Morrison estava duro da fanta, total fora da casa, e que comprou heroína para sua namorada. Logo depois, trancou-se no banheiro masculino, onde foi localizado apagadaço. Um médico que estava no estabelecimento teria afirmado que Jim estava morto. Dali, Morrison foi levado para seu apartamento onde tentaram, na banheira, reanimá-lo, sem sucesso. Claro que já choveram críticas e contestações a esta versão. Segue o mistério, o que alimenta ainda mais o mito de um dos maiores poetas do rock mundial. Salve o Rei Lagarto.

Monday, July 23, 2007

Pra irritar

Acompanhar os jogos do Inter, nos últimos tempos, tem sido um teste de paciência. Nem sempre dá pra se controlar. De minha parte, sábado foi um dia de extrema irritação. O colorado fez força pra perder. Na semana passada, ouvi o Gallo afirmar que trabalha com uma concepção moderna de futebol. Ou seja, na avaliação desse cidadão, sua equipe se adapta à movimentação da equipe adversária. Tá bom, então tô ficando louco, né? Só se falta de esquema ou incompetência tática mudaram de nome. Cada jogo é uma formação. O time não tem mais identidade. Falo isso não porque o Inter pipocou contra o Juventude, mas venho, há horas, observando essa esculhambação. Tudo bem, viemos de três vitórias, mas credito muito mais à fragilidade dos adversários do que por mérito vermelho. Aliás, alguém pode me responder algumas questões como: quem é Magal? Quem é Roger? Por que o Clemer e o Christian não pedem o boné? Perdão pelo desabafo, mas tá punk mesmo. Outro dia o Guerrinha comentou que o torcedor do Inter é um cara que não vive sem emoção. Ano passado era pela disputa da Libertadores e Mundial. Esse ano, pra se manter na linha intermediária, sendo otimista. E assim é. Tomara que eu morda a língua. Tomara.

Thursday, July 19, 2007

O desastre

Nossa, quanta tristeza. E choca ainda mais por tudo ter acontecido tão perto da gente, com muitos conhecidos de conhecidos nossos. As cenas são assustadoras. A angústia das famílias, meu Pai, a espera, a identificação dos corpos, o sofrimento. Quanto pesar. Estamos todos abalados, irmanados, enlutados por aqueles que partiram de forma tão abrupta. Que Deus abençoe, ilumine a todos e nos dê força para tocar a vida.

Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.

Thursday, July 12, 2007

Escrever por música

Dia desses voltei ao fone de ouvido. Em tempos de Mp3, Ipods, celulares com rádio, etc, maravilhas modernas, lembrei dos tempos do bom e velho Walkman. Tinha esquecido como era a sensação de perambular com trilha sonora. Remocei uns 10 anos. Pensamentos borbulhantes, chapação virtual, enfim, há tempos a mente não se agitava de tal maneira. É um tipo de egoísmo barulhento em que os órgãos se balançam, vibrando no ritmo dos riffs. Enquanto milhares de pessoas circulam apressadas, aquele momento é só seu. Aquela música lhe pertence. O volume sobe repentinamente. Não há mais ruídos ao redor. Apenas o deleite dos tímpanos que internalizam o punch, as rimas e a distorção. É como sonhar em outra dimensão, talvez um Vanilla Sky em que você tem o controle. Nada de errado em chorar, sorrir ou escrever. Verve pura, essência da vida. Sem mais a dizer. Som. Assim é.

Wednesday, July 04, 2007

Ainda sobre o Vlado

Em tempos de debates sobre TV Pública e o receio de um conteúdo chapa-branca, vejamos o que disse Vladimir Herzog, ainda nos anos 70, ao assumir o comando da TV Cultura de São Paulo: “Jornalismo em rádio e TV deve ser encarado como instrumento de diálogo e não como um monólogo paternalista. Para isso, é preciso que espelhe os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige. Um telejornal de emissora do governo também pode ser um bom jornal e, para isso, não é preciso esquecer que se trata de emissora do governo. Basta não adotar uma atitude servil”.

Wednesday, June 27, 2007

Eles têm caráter...

Foi o que disse o pai de um dos covardes que, recentemente, espancaram uma doméstica no Rio de Janeiro. “Eles erraram, mas não se pode prender crianças. Não se pode deixar que fiquem presos junto com bandidos. Eles têm caráter, estão na faculdade, trabalham”. Em síntese, são as declarações. Revoltante. Pra quem não acompanhou a história, cinco jovens, filhos da classe média e média alta, agrediram violentamente uma trabalhadora enquanto ela esperava o ônibus. “Pensamos que fosse uma prostituta”, alegaram, como se justificasse a barbárie. Enquanto isso, aqui em Porto Alegre, outra demonstração de intolerância. Em frente ao prédio do Direito da UFRGS, um muro foi pichado com a frase: “Negro só se for na cozinha do R.U. Cotas não!". Uma demonstração pura de racismo, vindo de universitários, o que torna a questão muita mais séria. Se de quem deveria brotar a esperança de um futuro mais justo, observa-se ações retrógradas com esta, coloca-se em xeque o pensamento democrático e a sobrevivência da diversidade. É preciso identificar e punir o mais rápido possível os responsáveis para que não tornem-se exemplo a outros. A discussão sobre cotas nas universidades é válida, oportuna, acima de tudo, e que pode vir a corrigir distorções sociais históricas, caso sejam aprovadas. Existem opiniões divergentes, faz parte do contraditório, mas impõe-se que os debates ocorram dentro de níveis de civilidade. É o mínimo que se espera a partir de integrantes da comunidade acadêmica. RACISMO É CRIME.

Foto: Leandro Molina

Wednesday, June 20, 2007

Pra não deixar dúvidas

Claro que em campo tudo pode acontecer. Cada jogo é uma história diferente. Perder, vencer, empatar, normal. O que vale é o resultado dentro das quatro linhas. Mas, por favor, vamos parar com essa palhaçada de imortal. Vamos dar um tempo com essa besteira de mística tricolor. Bater em morto é barbada. E muito se falava durante a semana em “Caxias de grife” ... Tá bom!!! Chega de soberba, né!?! Foi incontestável. Três a zero lá e dois a zero aqui. Algo mais a se questionar? Enfim. No final do ano, dá-lhe Boca no Japão.

Manifestações

Aos amigos que visitam este blog, não fiquem com o pé atrás quando bater aquele impulso, aquela vontade de comentar algum post. Não há contra-indicações. Exponham suas opiniões, sejam protagonistas, dividam com os demais seus posicionamentos. É uma oportunidade de exercitar, testar seu poder de crítica, argumentar. Ou não. O certo é que da interatividade nascem pautas, réplicas, tréplicas, diversão, novas bobagens – o que é muito saudável e, diga-se de passagem, muitas vezes mais produtivo - e quem sabe até mesmo um fórum de discussões. Mesclar idéias é dar luz a culturas diferentes, vivências diversas e aprendizado, em última instância. De minha parte, prometo não ser mais tão relapso nas atualizações. Vamos aos debates. Abraços hermanos.

Tuesday, June 19, 2007

Leitura do momento

Avançando nesta leitura, fico cada vez mais assustado quando algumas pesquisas de opinião apontam a preferência pelo retorno da ditadura. Os que são favoráveis ao regime de exceção argumentam, principalmente, que na época dos generais não havia corrupção, ou muito menos do que se verifica atualmente. Por outro lado, também não existia imprensa para denunciar as falcatruas. Minha adolescência foi nos anos 90. Não vivenciei este período negro da história brasileira. Porém, foi um tema que sempre me interessou e que influenciou muitas de minhas leituras. Certa vez perguntei a um coronel reformado, oficial no regime, o que ele pensava sobre a retração da cultura no país a partir de 64 até o final dos anos 80. O homem ficou irado. “Aquilo não era cultura, era uma bagunça, uma putaria e que merecia ser barrada pelo bem da família”. Enfim. Que fique claro que isso não é uma crítica aos militares. Tenho grandes amigos no meio verde-oliva, parentes e colegas fardados. Todos pessoas maravilhosas. E que são contrárias ao retorno da ditadura. Critico a mentalidade intolerante da época, que em nome sei lá do que, torturou e matou milhares de cidadãos. Vlado foi uma dessas vítimas. Pagou com a vida ao lutar por um estado democrático de direito e por tentar fazer jornalismo de verdade. É bom que a gente reflita sobre isso. Nossa democracia é recente, tem muito a amadurecer, tendo em vista questões como ética, moralidade política e etc, mas retroceder seria mergulhar no fim do mundo.

Friday, June 08, 2007

Tudo é tão tufum...

Diálogo que presenciei na mesa ao lado, durante o horário de almoço, nesta sexta-feira. Rapaz e moça conversam de forma descontraída. Não são namorados. Aparentam 24 anos.
Ele: ...sou um cara cético.
Ela: mas cético em que sentido?
Ele: em todos os sentidos. Só acredito nas coisas que podem ser provadas. Sou muito assim. Não é egoísmo. As pessoas já me magoaram muito.
Ela: mas cético em todos os sentidos mesmo?
Ele: em todos. Só creio no que é concreto.
Ela: eu acredito nas pessoas. Não muito, mas acredito.
Ele: pois eu já me decepcionei muito. Muito mesmo. Hoje sou assim.
....
Ele:...sabe, voltei para o Orkut.
Ela: pois é. Eu vi que tu tinhas saído.
Ele: estava preocupado de ficar me expondo. Precisei me aconselhar com uns amigos. Eles me convenceram a voltar. O Orkut tem 95% de coisas ruins, mas os 5% de coisas boas me fizeram voltar. Sei lá, voltei. Te adicionei.
Ela: é, eu estou no Orkut, mas entro pouco.
...
Ela: tu vais no campus hoje, amanhã, no ano que vem?
Ele: vou. Tenho algumas coisas pra fazer.
Ela: entrega esse dvd pra mim?
Ele: o que é?
Ela: um documentário.
Ele: deixa eu ver...esse eu já olhei. Não gostei. Achei muito superficial. Ah, eu sou assim, muito crítico com as coisas.
...
Bah, troféu Carlos Lacerda pra ti, magrão. Putz, a vida é bem mais simples, não acham? Nós é que complicamos tudo. Enfim. Terminei de almoçar e caminhei por 10 minutos no sol antes de voltar ao trabalho.

Wednesday, June 06, 2007

A pior banda da semana

Fomos no Abbey Road, em Novo Hamburgo, no último sábado, 2. Lugar bacana, clima aconchegante, enfim, indico pra quem está atrás de uma festa com música da melhor qualidade. O DJ trabalha bem, sabe articular o ecletismo dentro do universo "rock", sem deixar cair a verve da rapaziada. Tem também som ao vivo, com banda no palco. Pra mim, o ponto alto da função. E geralmente, pelo menos nas oportunidades que estive lá, os grupos sempre se puxaram e mandaram bem. A gente sabe que no caso do cover a mentira faz parte, mas a banda que observei no final de semana, tenha paciência, santa paciências, eu diria. Até o momento, um acidente de percurso em relação à qualidade do espaço. Putz, mas no sábado, além do exagerado engodo musical e muita pose, faltou o bom e velho ensaio. Até mesmo os TNT-Cascavelletes da vida os caras conseguiram errar, festival do lá e cá. Inimigos do ritmo. Cada um numa nota nos finais apoteóticos que as bandas gostam de fazer. Cruzes. Doeu nos ouvidos. Tocaram U2, duas músicas, One e Desire. Ou melhor, tentaram. Sou mais eu manco na viola. E olha que sou treze a fu nas seis cordas. Nunca ouvi três figuras tão desentrosadas. E de tempos em tempos, o guitarrista-cantor-poser-castelhano arrematava: “bate palma quem tem sentimento”. O meu sentimento era de ódio, como diria uma grande amiga. Ai que ódio, ai que ódio...O pior é que a indiada toda no bar já estava dura da fanta. Resultado: aplausos pelas bizarrices. Freak show total. Se você ficou curioso pra saber que banda é essa, vale um aviso. Na página do bar, o nome que está lá não é o do grupo em questão. Erraram ou precisou ser trocado por força maior, não sei. Agora, se me perguntarem pessoalmente, terei o maior prazer em revelar. Afinal, trata-se de utilidade pública.

Tuesday, April 03, 2007

Decibéis

Quem seguidamente cruza a Rua da Praia com a Rua General Câmara, na capital, já deve ter visto este personagem. Ou melhor, ouvido. “Quem não arrisca não petisca, a sorte grande não belisca”. Trata-se de um senhor, aparentando entre 45 e 50 anos, deficiente visual, e que vende bilhetes de loteria. “Mega Sena acumulada. UM MILHÃO DE REAIS. É pra hoje. Mega Sena acumulada”. E segue a ladainha. O que mais chama a atenção é a altura com que o cidadão anuncia o seu comércio. O homem parece um alto-falante. Uma voz forte, firme, sem desafinar, com ritmo, continuo, enfim. Subindo a ladeira, dias desses, em direção à Praça da Matriz, escutei o seguinte comentário: “Bah, dá pra ouvir o cara lá da Azenha”. Claro, um “pouco” de exagero, mas o lance impressiona mesmo. Ele ganha do pai do Milton.

Friday, March 30, 2007

A segunda vida

Putz, essa semana me deparei com uma leitura abordando a Second Life. Second Life? Pois é, até então nunca tinha ouvido falar. Ela existe, mas não tem nada a ver com religiosidade, crença ou algo do gênero. Trata-se de um mundo virtual, onde as pessoas relacionam-se como se estivessem em uma cidade normal. Existem casas, prédios, carros, empresas, festas, enfim. Cada pessoa é representada por uma espécie de bonequinho, mas com formas humanas bem definidas, como nos mais avanços jogos de computador. Os seres que habitam a Second Life são chamados de Avatar. E a coisa é tão “real” que para você se vestir, por exemplo, precisa comprar roupas em lojas existentes nesse cenário paralelo. E custa dinheiro. Linden é o nome da moeda. Isso se processa através de transações por cartões de crédito, daí, de forma verdadeira. Ou seja, até terrenos são comercializados na Second Life, mas quitados com grana mesmo, real, dólar, euro. O mais interessante é que neste final de semana será inaugurado o primeiro CTG na Second Life. Fiquei chocado. Interessante e surpreendente. Cada vez mais, homens e mulheres estão optando por este tipo de relacionamento. Fico preocupado com o futuro. Me pergunto onde fica o toque, o olho no olho? E o Orkut? Sei, é uma forma, digamos, um tanto “fria” de trocar idéias. Mas, uma vida dentro do computador já é demais pra minha cabeça. E o troço vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo. São pelo menos cinco milhões de pessoas “vivendo” uma outra identidade. Em linhas gerais, é mais ou menos assim que funciona.

Wednesday, March 14, 2007

Ouça no volume máximo

Pois bem, amigos. Hoje o assunto é música. Então, queria lembrar de uma grande banda que, infelizmente, encerrou definitivamente suas atividades, pelo que sei, ou até que surjam informações contrárias. Trata-se de um grupo de São Leopoldo. Talvez nem todos lembrem, mas estou falando da PULSE. O que aconteceu com os caras? Resolvi expor o assunto depois de estar viajando na Internet e encontrar a página da banda. O site está todo desfigurado, mas ainda é possível ouvir as composições do grupo. E que sonzera, meu velho! Muita melodia, pegada, harmonia, arranjos, putz. E mais: estavam muito a frente de todos nós, do ponto de vista de qualidade sonora, visão empresarial, marketing, etc. Mais ainda: sempre curti o lance de variar o som com altos e baixos, calmaria e pancada, preparação e explosão. E isso, a PULSE sabia fazer muito bem. Pra resumir, baita vocal do Gomez mais novo. Letra: aí vai uma das minhas preferidas:

Unconscious

The sun rises again.
I feel its gentle touch on my face.
My bed is all I have.
This unconsciousness fills the air.
I can’t feel my legs, my arms or
Forget the pain! Take me out of my head...
“So young and full of life”,
my mother always says before she cries.
It’s hard to realize that all that’s left for me is in this cry.
And every night the car crash echoes inside myself.
The darkness blurs my thoughts and I pray:
“Please God, help me, end this day!”
Unspoken words will have to be postponed.
My life goes on unconscious.

Tuesday, March 13, 2007

Oremos

Pois é, como diria o grande Aroldo de Souza: e agora, tchê? Ontem saiu a notícia de que o jornal Correio do Povo também foi vendido para Igreja Universal. A Rádio e TV Guaíba já tinham sido incorporadas ao patrimônio do senhor Edir Macedo. A venda do Correio surpreendeu ainda mais, já que o proprietário do complexo havia, anteriormente, negado veementemente a negociação envolvendo o jornal. Bom, enfim. Restam incertezas por parte de todos que trabalham por lá, principalmente os jornalistas. Muitos com anos de casa. Também fica a dúvida sobre as intenções dos novos proprietários. Se investirem na área de informação, quem sabe isso possa movimentar o mercado, abrir novos campos de trabalho e valorizar os profissionais da área. Fica o benefício da dúvida. Mas também a angústia, as especulações, uma vez que, até o momento, nada há de concreto. Os novos proprietários deverão se apresentar na próxima semana. O lamentável, efetivamente até agora, é o desgaste de uma das empresas jornalísticas mais tradicionais do Estado. É uma pena. E o que é pior, especula-se que o complexo Correio do Povo – Rádio Guaíba tenha sido vendido por algo em torno de R$ 100 milhões. Muito pouco para este império que contou a história do povo gaúcho. Enfim. Esperemos. Melhor, oremos. Fazer o quê?

Monday, March 12, 2007

Esse cara era foda

Bueno, como disse no post abaixo, estamos retomando as atividades. Neste primeiro contato efetivo em 2007, gostaria de sugerir algo da série “Leitura do Momento”. Vamos lá, então. Não é segredo que tenho uma paixão pelas biografias. Acho que o campo de visão vai além, não só a respeito do personagem, mas em relação ao contexto. Enfim. O lance é que nos últimos dias tenho dedicado minhas idas e vindas no trem à leitura de “Sinfonia Inacaba”, de Lilian Dreyer. O livro foi um presente da minha amiga Mary Mezzari. Trata-se da vida de José Lutzenberger. Então, no avançar das páginas, percebe-se o quanto esse cara era genial. Desde os primeiros anos de vida, Jolch, como era chamado pelas outras crianças, já apresentava tamanha sensibilidade e curiosidade em relação aos assuntos a sua volta. E chega a dar um nó na garganta quando recorda, ainda na infância, as visitas, as brincadeiras e a adoração pelo verde, flora e fauna, exuberantes no Morro da Polícia, em Porto Alegre. Das águas límpidas do Arroio Dilúvio. As praias do Guaíba. Estamos falando em meados dos anos 20. No final dos anos 60, quando retorna da Europa, apavora-se com a degradação e o crescimento desordenado da cidade. Putz, anos 60. Fico imaginado a dor desse homem nos seus últimos anos de vida. Por falar em retornar da Europa, essa volta ao Brasil ocorre por estar vivendo uma crise de consciência. Formou-se em Agronomia na UFRGS, mas com uma visão muito mais ampla do que os colegas de faculdade. Nesse momento já dispunha de uma consciência ecológica, aliás, a palavra ecologia era praticamente desconhecida na época. E Lutz foi um dos responsáveis pela propagação. Por todas suas aptidões, incluindo extremo conhecimento em química, fluência em inglês, alemão e francês, velocidade de raciocínio, dentre tantas outras qualidades, foi contratado por uma multinacional alemã, ligada ao setor químico. Viajou o mundo. Estava sendo cotado para um cargo de executivo, prestes a ganhar um dos maiores salários da empresa, quando percebeu que a indústria havia focado seus investimentos no ramo de defensivos agrícolas. Defensivos agrícolas? Pois bem, futuramente, esses produtos viriam a ser chamados de agrotóxicos, devido também a luta e insistência de Lutzemberger. E isso foi o pivô de sua dor de cabeça. Não poderia mais trabalhar para uma empresa que distribuía veneno pelo mundo, acabando com tudo que era vivo nas lavouras, inclusive muitos agricultores morreram na esperança de ver suas plantações mais produtivas. Na época não havia a cultura de equipamentos de proteção e era um período em que pouco se sabia sobre as conseqüências do uso continuo deste material. Pois o homem previu a catástrofe que estaria por vir. Pediu demissão e montou em Porto Alegre a Agapan, na defesa da natureza, na defesa da vida. Tornou-se um ambientalista. Precisamos de mais militantes como Lutzemberger. O aquecimento global é uma realidade. E logo chegará o dia em que a natureza irá, efetivamente, cobrar de nós tudo o que fizemos contra ela ao longo dos anos. Que medo! Proponho fazermos a nossa parte enquanto há tempo.

Wednesday, March 07, 2007

Retomando a atividade

Em breve, muito em breve, novos posts. Aguardem.

Tuesday, December 26, 2006

Os poemas do trem

Diariamente utilizo o trem para o deslocamento ao trabalho. Geralmente, me distraio com o fone de ouvido e a rádio sintonizada em AM, lógico. Mas, por vezes, na correria, esqueço o aparelho. E nestes casos a distração vem através de uma cochilada. Entre uma e outra piscada, dias desses, me detive a ler os poemas que ficam expostos nas paredes do veículo. Percebi, então, o quando é complicado escrever este tipo de texto. É necessário muito talento para transformar a inspiração em algo visível. Quando mais jovem, na adolescência para ser mais exato, era metido a poeta. Escrevia desesperadamente. Boa parte deste material foi para o lixo, graças a Deus. Lembrando de alguns, penso, como eram ridículos, piegas ao extremo, previsíveis ao extremo e depressivos ao extremo. Hoje não me arrisco mais nestas investidas. Poema é algo muito complexo, difícil. É tênue demais a linha que separa um ótimo poema de um borrão. E não existe meio termo, pelo menos na minha avaliação. Muitas vezes se pensa que a utilização de palavras e expressões rebuscadas significam conhecimento e o sucesso da poesia. Muito pelo contrário, acredito. Que o diga Mario Quintana. Escrever de forma simples não necessariamente resulta em abandonar a sutileza do texto, uma das características do poema. Mas pra isso é necessário mais que vontade. Isso eu tenho bastante. Letra de música é diferente, a melodia, o instrumental podem salvá-la, e assim é, na maioria das vezes. Acho que escrever poesia é um dom divino. Eu tô fora. Recolho-me a minha insignificância poética. Mas fica a dica. Sugiro uma leitura dos poemas do trem. Existem coisas maravilhosas. Por outro lado, também estão por lá verdadeiros amontoados de palavras, que só fazem sentido na cabeça de quem escreveu, se é que este tem noção do que queria realmente dizer.

Contraponto:
Na verdade, acho que sou muito burro e não entendo nada. Quem sabe me faltam leitura, sensibilidade e boa vontade pra sacar as coisas que estão diante dos olhos. Será que perdi a fantasia e o romantismo no modo de encarar a vida? Será que o pragmatismo tomou conta do meu ser?

Conclusão:
Ah, porra nenhuma. Salvo exceções, os poemas do trem são uma bosta.

Remorso:
Quem sou eu pra ficar avacalhando os poemas do trem ou qualquer outro?

Monday, December 25, 2006

Mr. Dinamite, a lenda

Este foi um dos caras mais influentes da música mundial. Pai do soul, inspirador do funk, gospel e hip hop, Mr. Dinamite também popularizou a dança em meados dos anos 70. Moradores de guetos como o Bronx, nesta época, espelhavam-se em James Brown, em suas atitudes e coreografias. Incorporavam os passos, movimentos estes que serviram de base para os primeiros b-boys. Politizado, James Brown foi ativista do movimento negro, lutando pela igualdade racial. Foi ele quem imortalizou a célebre frase de Steve Biko: say it loud, i’m black and proud. O mundo perde um dos artistas mais performáticos de todos os tempos. Ficam o legado, a irreverência e os sucessos. James Brown morreu na madrugada desta segunda-feira, 25, aos 73 anos, em Atlanta, nos Estados Unidos, vítima de uma forte pneumonia.
Mr. Dinamite foi batizado como James Joseph Brown. Nasceu em 3 de maio de 1933 na Geórgia, Estados Unidos. Filho de família pobre, teve a infância marcada pela miséria e violência. Abandonado pelos pais aos 4 anos, ficou aos cuidados de parentes e amigos. Muito cedo começou a trabalhar. Engraxava sapados e recolhia alimentos dos cestos de lixo para matar a fome. Freqüentou poucas escolas, já que também eram poucos os colégios destinados a negros nesta época. O ingresso na música ocorreu através das melodias religiosas, quando passou a fazer parte de corais nas igrejas.

Saturday, December 23, 2006

Eu dancei o clipe

Revendo algumas ilustrações que utilizei na minha monografia encontrei esta, à esquerda. É a capa do Thriller, de 1982, o disco mais vendido do mundo, cerca de 100 milhões de cópias, segundo o Livro dos Recordes, edição de novembro de 2006. Então, este álbum traz clássicos como a faixa título e ainda The Girl Is Mine, Billie Jean e Beat It. O disco também conta com participações especiais de Paul MacCartney, do guitarrista Eddie Van Halen e do ator Vincent Price. Tem mais: os videoclipes deste LP foram considerados inovadores para época. Inclusive, a estréia de Billie Jean na MTV norte-americana foi marcado como o primeiro de um músico negro na emissora. Além disso, Thriller e as coreografias de seu autor influenciaram, indiscutivelmente, a mobilização dos primeiros b-boys brasileiros. Conclusão: Michael Jackson negão era o cara. E eu confesso: quando pequeno tentei fazer aquele passo que ele desliza pra trás, tá ligado?! Bom Natal a todos.

Monday, December 18, 2006

Bandeiras coloradas estão tremulando torcedor do Brasil. A rede ainda está balançando, balançando...

Isso eu não poderia deixar de registrar. O colorado bateu o poderoso Barcelona de Ronaldinho, Deco e companhia. Foi a vitória da união, do grupo, da garra, da vontade. Se não tínhamos o talento dos melhores, sobrou alma e muita raça. A marcação vermelha neutralizou o ataque dos espanhóis que não encontrava espaço para produzir suas jogadas maravilhosas. Se na vida existem coisas que não têm preço, o beiço da principal estrela do Barça é uma delas. E mais: os caras vieram de um passeio em cima do América do México. Pra meio mundo, o Inter seria o próximo a tomar um chocolate. Mas, enfim. Taí, mais uma vez a prova de que atualmente no futebol não existe favoritismo nem já ganhou antes dos 90 minutos. Apesar de toda empáfia dos espanhóis, o colorado entrou em campo de cabeça erguida, enfrentou cada lance com seriedade e resultado foi esse que todos pudemos acompanhar. INTERNACIONAL 1 X 0 BARCELONA. Um a zero ganha jogo, sim senhor.

MUITA EMOÇÃO. CANTA TORCIDA COLORADA. O INTER É CAMPEÃO DO MUNDO.

Friday, December 08, 2006

Parceria é tudo

Em determinado momento perguntei pra essa figura: Paulo, tu acha que eu vou morrer? Ele disse: Vai, mas não hoje. Pois é. Há alguns dias fui brincar de dublê e acabei me dando mal. Na verdade, por um problema mecânico perdi o controle do carro e entrei num barranco. Cinco pontos na cabeça e um galo considerável. Mas enfim, graças a Deus, foi só. Porém, se não fossem figuras como esse negão aí, sei lá o que poderia ter acontecido. Este post é pra agradecer o tanto que todos vocês fizeram por mim. Desde o contato com os bombeiros até as ligações posteriores para saber como eu estava. É nessa hora que a gente percebe o quanto as amizades são importantes na vida. Geralmente a correria do dia-a-dia não nos deixa espaço pra mais quase nada. No entanto, precisamos tirar um tempo pra cultivar as parcerias, conversar, saber como as pessoas estão. Um telefonema que seja. Tirei muitas lições desse dia. Obrigado por tudo, gente. Tem uma lista para quem eu gostaria de deixar o meu “valeu mesmo” e não queria esquecer de ninguém. Para não correr esse risco, meu respeito a todos, todos mesmo, que de alguma forma procuraram saber notícias da minha situação. Aos poucos vou agradecendo pessoalmente, um por um. Uma das melhores coisas nesse mundo é amizade. Ah, vale registrar uma surpresa muito boa: a visita do Carolos. Obrigado, irmão.

Aos meus pais e à minha Risoflora.

Wednesday, November 29, 2006

O talento derrubando preconceitos

Vai ao ar neste domingo, às 12h30, pela Rádio Unisinos FM 103.3, uma entrevista que fizemos – Claiton Fortunato, Paulo Rogério e Júlio Ferreira - com a cantora Marietti Fialho. No programa Estúdio Aberto, ela fala sobre sua carreira, as influências e as dificuldades de se viver de música no Brasil sem ter que apelar para o jabá. Ainda rola uma canja, só no vocal, de Telhados de Paris, releitura de Nei Lisboa, no CD Baladas do Bom Fim. Marietti ainda aborda a questão do preconceito e conta histórias vividas por ela, mostrando quanto o racismo vai ficando cada vez mais explicito na sociedade. Dona de uma voz poderosa, esbanja simpatia e humildade. Foi um bate-papo super descontraído, embora tratando de temas importantes. Vale a pena conferir. É um exemplo de força de vontade, determinação, uma história de vida emocionante digna de uma guerreira. Da perifa pro mundo, Marietti Fialho. Meu respeito.

Técnica: Leandro Molina
Supervisão: Sérgio Endler

Monday, November 27, 2006

Enferrujado, mas vivo

Bah, faz uma cara que não faço um som. Vontade própria e motivos de força maior – não necessariamente nessa ordem - me afastaram do circuito por algumas longas temporadas. Mas o sangue ainda corre, a verve se mantém, apesar da ferrugem. Destreinado, porém, com a cabeça fervendo de letras e projetos para o futuro. Aqui na imagem, participação numa destas sextas-feiras da vida com a amiga Dayana, da All Stars Band. Grande figura. É a garantia de muito talento e carisma no palco. Retomando a cagação de tese, o tempo é o senhor das situações. Nos faz amadurecer, aprender, esquecer as mágoas e olhar para frente. E assim é. Hoje sei exatamente o que quero fazer. Então, lá vamos nós. Esta é a melhor parte da viagem. Da viagem, a melhor parte e a que mais gosto.

Foto: Talita Raquel

Verborragia de qualidade

Viva a criatividade. Com ela tudo é possível. Num cenário musical tão pobre e pasteurizado, pouco resta para nossa apreciação e deleite. Pois na última sexta-feira, pela TV, tive uma surpresa bem positiva e que me renovou a esperança quanto às possibilidades de composições com conteúdo. Cito o grupo Mamelo Sound System, de São Paulo. O lance das figuras é Rap, mas eles exploram a sonoridade de uma forma tão original que transcende o senso comum quando se fala em Hip Hop. Aliás, as rimas também são de uma sensibilidade impressionante, abordando temas como cotidiano, negritude, religiosidade, diversão, resgate cultural, etc. O bagulho é louco mesmo, pesado, visceral, refrão pegado e tal. Tá valendo. Recomendo, se me permitem.

Ouvindo: Zulu/Zumbi – Mamelo Sound System

Friday, September 29, 2006

Coletiva

Bah, abandonei o bagulho. Ficou tempos desativado. Punk. Tá, mas tamo de volta e trazendo um registro da entrevista coletiva do MV BILL, em Porto Alegre, na abertura da Semana da Juventude, em 12 de agosto. Sobre a cultura Hip Hop, o cara disse o seguinte: "A ascensão é uma coisa que é necessária. A partir do momento que os afro-descendentes, as pessoas de periferia, de baixa renda vão ganhando visibilidade e oportunidade acho que as coisas vão se equilibrando. Não é tomar o espaço de ninguém, é ocupar um espaço que está vago". Sobre a política de cotas: "Olha, eu gostaria muito que fosse de uma forma diferente. É um pouco constrangedor, mas se não for dessa forma, infelizmente a gente não entra no processo de inclusão. Gostaria muito que fosse uma forma diferente do ingresso desses jovens nas faculdades, mas eu não consigo ver uma forma melhor. Então, as cotas acabam sendo uma coisa necessária, mas acho que elas não precisam ser perpétuas. Acho que ao mesmo tempo que criam as política de cotas, podem também melhorar o ensino básico, público, fazer a educação virar prioridade no Brasil. Acho que com isso, as cotas vão acabar muito rápido".

Wednesday, August 23, 2006

Vamo que vamo

Como diria o Rappin Hood, passei pra deixar um salve pras parceiras e pros parceiros. A correria tá grande, mas na seqüência vou postar por aqui coisas bem legais que ocorreram em Porto Alegre nos últimos dias, como a Seletiva Estadual de Basquete de Rua, realizada pela Cufa-RS. Vai ter fotinho e tudo mais. Deixo também uma sugestão de som, que achei massa: Zumbira e os Palmares. Os caras tem pegada e mesclam tri bem samba, rock e outros ritmos. Abraços. Voltaremos.

Friday, July 28, 2006

Previsão completa

Coloquei ali no espaço dos serviços o link da MetSul Meteorologia. O site dos caras está muito bom. Além da previsão completa e dos mapas prognósticos, é possível conferir diversas matérias e curiosidades relacionadas aos fenômenos da natureza. E mais: tem a chancela de nomes como Eugenio Hackbart e Luiz Fernando Nachtigall, os principais meteorologistas do RS - esses acertam mesmo. Vale dar uma olhada.

Confraria Castro Alves

Num dos posts anteriores falei sobre o Programa Confraria Castro Alves, veiculado na TV Assembléia. Então, volto a convidá-los a prestigiar este espaço. No domingo agora, dia 30, os convidados são os seguintes:

Rita da Silva – Vice-presidente do Quilombo da Família Silva
Onir Araújo – Movimento Negro Unificado – Advogado do Quilombo Silva
Pauta: Situação dos Quilombolas – Situação do Quilombo do Silva, primeiro Quilombo Urbano reconhecido no Brasil

Malu Viana – Central Única das Favelas RS – Cufa RS
Pauta: União da Juventude Negra na América Latina

Lúcia Brito – ONG Maria Mulher
Pauta: Trabalho da entidade – suas experiências no Movimento Negro

O Confraria Castro Alves vai ao ar todos os domingos, às 16h, no canal 16 da net. Também pode ser conferido na Internet, no site da Assembléia Legislativa, no link da TV Assembléia.

Apresentação: Professor Pernambuco
Produção: Claiton Fortunato

Tuesday, July 18, 2006

Cultura Negra Part.2

No domingo acompanhei na TVE o documentário "Brasil Eterno Quilombo". Trata-se de uma produção que, além de denunciar o racismo no país, baseado em estatísticas oficiais, também exaltou a valorização do negro nos diversos aspectos. Trouxe depoimentos de militantes do movimento, expoentes como Oliveira Silveira. Muito bem produzido, roteiro e fotografia maravilhosos. E ainda, emocionantes os ritos, as rezas referentes às religiões de matriz africana, interpretadas entre poesias e o som do atabaque. O vídeo também foi exibido sábado, no Memorial do Rio Grande do Sul. Além disso, concorre em dois festivais: Gramado Cine Vídeo Nacional e Regional, no Festival de Gramado, e no EXPOCOM de Minas Gerais, na categoria melhor documentário universitário. No mais, estou muito feliz porque este filme foi idealizado e editado por um grande irmão: Júlio Ferreira, mais conhecido como Julinho. Figuraça. Um cara tri do bem, grande aliado. Detonou, meu bruxo. Suerte, mano.

Monday, July 17, 2006

Cultura Negra

Há quase um ano venho trabalhando na produção de um programa voltado para a cultura negra. Chama-se Confraria Castro Alves. Vai ao ar todos os domingos, às 16h , na TV Assembléia, canal 16 da Net. O espaço congrega debates sobre igualdade racial, cotas, educação, juventude, saúde, religiosidade, violência e artes. É um programa pioneiro nas emissoras legislativas em relação à esta temática. No Programa que vai ao ar no próximo dia 23, o apresentador, professor Pernambuco, conversará com a advogada Letícia Lemos da Silva, com o professor de História, Arilson Gomes, e com o Babalorixá, Baba Diba de Yemonja. Um dos pontos da pauta irá tratar sobre a Lei 10.639/03, que dispõe sobre a inclusão da cultura negra no currículo escolar. Vale a pena acompanhar. Os depoimentos são bastante significativos e merecem que fiquemos atentos a questões como estas para a construção de uma sociedade mais justa. O Programa pode ser acompanhado também pela Internet, no site da Assembléia Legislativa.

Dica de leitura do professor Arilson:
Educando pela Diversidade Afrobrasileira e Africana – Jorge Arruda
OBS: O livro pode ser encontrado no Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Thursday, July 13, 2006

O marketing furado e a pseudo-intelectualidade

Dias atrás encontrei um amigo que agora trabalha em Brasília. Falamos dos ossos do ofício e sobre o quase sacerdócio relativo à nossa atividade. Diversos assuntos, enfim. Mas a parte que mais rendeu foi quando entramos no quesito música – bandas, underground sonoro, ideologia dos grupos, etc. Ele me contou de um cenário bem legal que rola por lá. Lamentou, porém, a falta de criatividade que poderia separar o joio do trigo. A produção em série acaba fazendo tudo soar como punheta em cabo de vassoura. E pra piorar, acrescentei, poucos, muito poucos, são os que conseguem estabelecer um simples diálogo com o público. Além disso, divagamos, é um certo egoísmo montar uma banda apenas por diversão. Creio, disse, se faz necessário ter consciência social sobre o verdadeiro papel que um grupo pode exercer no ambiente onde está inserido. Como isto pode acontecer? Resposta: através, basicamente, da produção de conhecimento. Sempre haverá público. E uma banda medíocre, atrai um público medíocre, numa relação de ação e conseqüência. O amigo de Brasília foi mais longe, avaliou: a superficialidade dos nossos tempos produz os pseudo-intelectuais. São aqueles que fazem alarde dos milhões de livros que acabaram de ler, mas que quando questionados sobre a influência dessas obras no contexto da sua produção, acabam patinando nas decorebas, nas frases prontas, no clichê. Nomes de bandas também, ressaltou, muitas vezes, têm o efeito contrário, o marketing furado. Em algumas ocasiões, nem os próprios integrantes sabem ao certo o que significa. Ou sabem superficialmente, perdendo, assim, a oportunidade de passar uma mensagem consistente e repleta de significados para, quem sabe, um posterior debate sobre a questão. Seguimos a cagação de tese até o final da última garrafa de vinho. Aí o leitor pode questionar: quem vocês pensam que são? Prestem atenção nas alternativas:
a) dois cuzões
b) dois pseudo-intelectuais falando de seus páreas
c) dois abobados sem talento que foram refugados por suas bandas
d) dois desocupados e rançosos
e) todas alternativas estão corretas

Wednesday, June 28, 2006

Da série letras ótimas e versões maravilhosas nº1













Todos Estão Surdos
Autoria: Roberto Carlos
Versão: Chico Science e Nação Zumbi
Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo
Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Outro dia, um cabeludo falou: Não importam os motivos da guerra A paz ainda é mais importante que eles.
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosasMas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!
Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo
Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade
Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Tuesday, June 27, 2006

Ray

Gosto de cinema, mas como um mero expectador. Não sou dado a cagação de teses, até porque nem tenho conhecimento para isso. O fato é que recentemente vi o filme Ray. Tudo bem, confesso ainda que nesta área estou completamente defasado. A película estreou por aqui há horas, mas só agora consegui degustá-la. E falo em saborear porque foi como me senti vendo esta grande obra. É de uma sensibilidade incrível e mostra a trajetória de um dos maiores músicos que já passaram por esta existência. Mr. Charles reunia todas as qualidades sonoras em um só cidadão. Ouvido mais que absoluto, dom aguçado além da conta em função da cegueira como forma de compensar a falta de visão. Ah, e Jamie Foxx está perfeito no papel título. Para os atrasados como eu que ainda não assistiram, vale a pena conferir.

Monday, June 26, 2006

Zulu Nation


...Saca só todo mundo que eu não vou repetir
Intelecto da rua pronto prá se divertir
E aproveito cada instante como o ar que eu respiro
Saco a cidade sem precisar resolver no tiro
Da Central do Brasil a Plane Station
Os mandamentos que eu sigo são da Zulu Nation
E mesmo que não deixem
E ainda que se queixem
As portas que se abrem parceiro
Nunca mais fecham...

Neste trecho da letra de Vai Vendo, Marcelo D2 cita a Zulu Nation. Se trata de uma organização não-governamental, criada em 21 de novembro de 1973 por Kevin Donovan, conhecido mundialmente como Africa Bambaataa. Essa figura é considerada o pai do Hip Hop. Bambaataa nasceu e foi criado no Bronx, um dos bairros mais violentos e pobres de Nova York. Na juventude chegou a fazer parte de uma gangue chamada Black Spades. No decorrer, conscientizou-se da importância de pregar uma cultura de ressocialização. A Zulu Nation é isso. Preconiza paz, amor, união, trabalho, liberdade, fé em Deus e diversão. Mais: promove palestras enfocando temas como saúde, economia e ciências. Um exemplo de iniciativa que tirou da marginalidade muita gente boa e com potencial enorme a ser explorado nas diversas áreas culturais e artísticas. A ZN devolveu a muitos deles a auto-estima e a esperança de um futuro melhor.

Saturday, June 24, 2006

Insônia parte 1

É impressionante a capacidade que algumas pessoas têm de fazer barulho. Eu, particularmente, me incomodo com muito silêncio. A ausência de som me causa pânico. Preciso, por exemplo, constantemente de um rádio ligado na AM pra pensar melhor. Mas tudo tem limite. Hora de dormir é hora de dormir. Atualmente, em função da correria – trampo, etc, tenho me entregado aos sonhos por apenas seis horas diárias. Então, é imperativo que este pouco tempo de inércia seja aproveitado da melhor maneira possível para que as energias possam ser restabelecidas. Enfim, mas quando se é vizinho de Veronica Mars às avessas o seu descanso fatalmente estará comprometido. Pois bem, a própria protagonista da série já é um pé no saco, mas nada comparado com P. Chatista, a adolescente tapada. Não raro, por volta da uma da madrugada, somos abruptamente despertados por suas risadas desproporcionais que mais parecem um relincho. Ah, e ela nunca está sozinha. Sempre alguém da turma, que convencionei chamar de entulho, a acompanha na saga das palhaçadas noturnas. E aí você vai me perguntar: mas e os pais dessa menina? Eu respondo: bem...deixa pra lá. O que posso dizer? Enfim, QUE GENTE!!!!!!!!!!!!! (continua)

Thursday, June 22, 2006

"Homem na Estrada" - RMc's

Pois é, moçada. Precisei passar um tempo fora para recobrar a consciência. Sinceramente, pensei em terminar com este espaço. Porém, com a cabeça mais fria, pude avaliar melhor a idéia. Resolvi, então, continuar tocando o barco. Enfim. Foi um período para colocar a casa no lugar, reforçar algumas convicções e projetar os próximos passos. Agradeço às amigas Clau, Andrea e à Cíntia, minha Risoflora, pela grande força nesta entre-safra intelecto-social-psicológica. Na seqüência, vamos aos posts.

Ouvindo Ed Motta – Vamos Dançar – Meio Bom, hehehe.

Tuesday, May 09, 2006

Degenerativo

Terminou a criatividade, por isso, estou largando de mão este espaço. Vou deixá-lo no ar por mais alguns dias e fim. Não sei mais sobre o que escrever, não tenho mais disposição nem incentivo. Esgotei de vez o processo de composição. Daqui não sai mais nada. Tento, mas a inspiração tirou férias e abriu precedente para a crise no processo descritivo. A falta de talento é uma realidade.

Thursday, May 04, 2006

Tim beleza

MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA ISTO É DESTA SEMANA.

Chega às lojas o CD Tim Maia racional,o cultuado disco que o cantor gravou comofiel da seita Universo em Desencanto eque lançou o hit Que beleza

Os fãs de Tim Maia sempre peregrinarampelos sebos musicais em busca de seu discomais raro: Tim Maia racional, de 1975. Agora a peregrinação acabou. Está nas lojas a versão remasterizada desse álbum, cujas cançõesforam feitas sob a forte influência da seitaUniverso em Desencanto, da qual o cantor foi naquela época um fiel seguidor. A expectativa de que o disco fosse relançado é explicável: mais do que divulgar os fundamentos da crença criada pelo líder espiritual Manoel Jacinto Coelho, o “grão-mestre varonil”, Tim Maia racional é composto por excelentes músicas e influenciou toda uma geração de artistas ao injetar na MPB elementos do funk, do soul e do gospel. Com o passar do tempo, o disco virou uma raridade porque o próprio Tim mandou retirá-lo do mercado quando se desencantou com a Universo em Desencanto – uma mixórdia mística que pregava a opção pela pindaíba, mas ganhava dinheiro com seus crentes. Tim Maia rompeu com ela quando percebeu que, graças às suas canções, a venda dos livros sobre a seita aumentava e engordava a conta bancária de seus líderes. “Como era louco, mas não era burro, Tim saiu, ao seu estilo, quebrando tudo e esculhambando o ex-guru”, diz o produtor musical e compositor Nelson Motta, que está escrevendo a biografia do cantor. Essa fase teve, no entanto, um saldo em sua vida. “Ele estava fumando, cheirando, bebendo e picando todas. Brigava com meio mundo e estava sem gravadora e sem dinheiro. Ao abraçar a Universo em Desencanto, produziu dois discos sensacionais”, diz Motta.
Não foi somente o “síndico” (apelido que Tim ganhou de Jorge Benjor) queentrou de cabeça na seita – uma mistura de umbanda com gente que se achava extraterrestre e prometia a salvação através da “imunização racional”. Todosos integrantes de sua banda, vestidos de branco nos shows, embarcaram nessa viagem. “Paramos com as drogas e todos os dias fazíamos reuniões para lero orelhudo, que era como Tim chamava o livro de ensinamentos”, diz o músico Serginho Trombone. O músico acompanhou o dia em que Tim decidiu se livrardos bens materiais, doando todos os objetos de seu apartamento no bairrocarioca de Copacabana. Na leva de doações foram até os brinquedos dos filhos.“A única coisa que o papai deixou foi o meu violãozinho. Quando olho minhasfotos de bebê, sempre estou com roupinhas brancas”, diz o cantor Léo Maia, um dos três filhos do artista.
Se as músicas de Tim Maia racional foram compostas para ser hinos religiosos,é certo que se prestam também ao mundo profano. De todas elas, a mais difundida é Imunização racional (Que beleza): “Que beleza é sentir a natureza/ ter certezapra onde vai e de onde vem.” Marisa Monte, Gal Costa, Sandra de Sá e ToniGarrido já a incluíram em seus shows. A canção O caminho do bem fez parteda trilha do premiadíssimo filme Cidade de Deus. E em festinhas de faculdade que se preze não pode faltar o hit Guiné Bissau Moçambique e Angola racional, em que Tim brada com seu vozeirão: Numa relax/numa tranqüila/numa boa. “Na verdade, as bases de Tim Maia racional eram parte de outro disco que estava para ser lançado. Mas, no meio do caminho, ele entrou para a seita, mandou tirar todas as vozes das canções originais e colocou as letras louvando a Universo em Desencanto”, diz João Marcello Bôscoli, presidente da Trama, selo responsável pelo relançamento do disco. Ele faz parte do time de fãs que percorreram os sebos em busca do vinil: “Encontrei, comprei, mas pesou no bolso. Cobram de R$ 500 a R$ 800.” Uma das provas da raridade do álbum é que, até recentemente, nem Léo Maia, herdeiro de Tim, possuía um exemplar legítimo em sua discoteca. “Eu ouvia um piratinha, até que uma fã do meu pai me presenteou com o vinil num show em Brasília”, diz ele. “Desde então, sempre que canto Imunização racional agradeço a essa senhora. Grande dona Vera!”

Friday, April 28, 2006

Que dupla!

Olha que a fu. O Quentin Tarantino vai rodar a história de Jimi Hendrix. O maluco, diretor de Cães de Aluguel e Pulp Fiction, acaba de assinar o contrato pra filmar a cinebiografia do guitarrista. O roteiro até já teria sido aprovado por Tarantino e a produção segue a todo vapor. As filmagens em si começam no final do ano, em Seattle. O projeto, inclusive, vai ter a colaboração de Leon, irmão de Hendrix.

Na estrada

Bah, bons tempos da Unidade Móvel da Unisinos FM. Trampo massa, circulando pelas ruas do Vale. Muita sonzera, parcerias e diversas histórias. Foi uma escola bem legal. Pena que as coisas vão se perdendo. Enfim. Ah, e o motora do Kombão era um figuraça. Bruxaria total e irrestrita: Rogério Mittman. Ainda ficamos na deva de um segundo churras.

Monday, April 17, 2006

Sons para alma

Aos poucos a Hermano Chiapas vai tomando forma e se reestruturando. Os ensaios retornaram. O entusiasmo de voltarmos a discutir música - estrutura, peso, harmonia, letra, etc - revigora o cidadão. Estar cercado de ótimos músicos também é uma forma de aprendizagem constante. Neste domingo, passamos mais uma vez as próprias. Novas opiniões deram mais consistência à sonoridade. A banda vai ganhando em maturidade e espontaneidade com o empenho da moçada. Tudo isso sem deixar de lado o engajamento social nas composições. Me deixou feliz também o fato de o Viktor V. ter acompanhado o ensaio. É um cara que respeito por tudo que representa no cenário musical da região. É uma figura que tem história. E partiu dele o comentário de que o som está “agressivo”. A força dos amigos nesta jornada é tudo. De maneira rápida ainda conversamos sobre um projeto a la Temple of the Dog. Na seqüência mais informações. Arriba HC e FB.

Thursday, April 13, 2006

Quando Alice não é bem vindo

Pois é. Sabe quando você trabalha mais que cavalo de madeireira? Sabe quando este esforço todo parece não estar lhe rendendo grande coisa do ponto de vista profissional-financeiro-intelectual? Sabe quando se estuda, lê, e ao mesmo tempo parece que a cada dia você está mais ignorante? Sabe quando você começa a perder a confiança na justiça do destino? Sabe quando você está extremamente cansado? Sabe quando você está totalmente sem paciência? Sabe quando você não consegue escrever nada que preste? Sabe quando você percebe os FDPs se dando bem? Sabe quando você está quase jogando a toalha? Sabe quando você se arrepende de ter escolhido fazer o que gosta? Sabe quando você começa a pensar em vender picolé, churrasquinho, rapadura, meias? Sabe quando você não sabe mais porque ter um blog? Sabe quando os feriados não fazem mais diferença? Sabe quando você acha que precisa fazer alguma coisa bem radical? Sabe quando você começa a ter certeza de que vai passar por aqui e não vai deixar um legado produtivo para as novas gerações? Pois é. Qual seria a música salvadora para situações como esta? Vou tentar me distrair nesta busca. Uma certeza: pelo menos por enquanto descarto Love, hate, love. E assim é.

Wednesday, April 12, 2006

E o hey ho let's go ficou na história

Na última quarta-feira encontrei no centro de Porto Alegre um grande amigo do passado. Paramos para bater um papo entre os gritos de “aleluia, aleluia". O coro era produzido por uma moçada que a plenos pulmões divulgava a palavra do Senhor. Então, fazia pelo menos uns dez anos que não topava com este parceiro. Trocamos perguntas sobre os demais conhecidos da época de colégio, o velho segundo grau – hoje ensino médio. Lembro que a figura era tri festeira. E dos mais fervorosos fãs de Ramones. De carteirinha mesmo. Sempre de Walkman, agitado, estilo punk e nem aí. Um camarada pra todas as horas. Enfim, seguimos trovando. Ele me pareceu mais desgastado, com uma fala pausada, mais centrado no que dizia. Estranhei, mas até aí, tudo bem. Recordamos de alguns momentos engraçados e percebi que até pra sorrir o cara estava mais contido. Me contou que seguia estudando e ainda morando na mesma cidade. Passei meu telefone para um contato posterior. Nas despedidas, tomei a liberdade em nome dos idos tempos e questionei se ele estava legal, se estava tudo bem. Foi quando olhou fundo nos meus olhos e proferiu sem rodeios e com uma convicção surpreendente: - Hoje estou bem. Muito bem. Bem mesmo. Renovou o fôlego e mandou sem respeitar qualquer limite de decibéis: - ALELUIA. Hoje ajudo na pregação. ALELUIA. Juro. Me assustei com a berraçada. Fiquei sem ação até entender o que estava acontecendo. E na seqüência veio a ladainha característica dos irmãos. Nos cumprimentamos e apurei o passo em direção ao Mercado Público. One, two, three, four....

Thursday, March 23, 2006

Rádios

Sempre fui louco por rádio. Tudo bem, confesso ter uma paixão pelas emissoras AM. Sou daqueles que leva o aparelho para o banheiro. Vício mesmo. Ossos do ofício, talvez. Enfim, mas o lance é o seguinte: pesquisando, encontrei um site bem interessante em que é possível ouvir AMs e FMs de todo Brasil e também do mundo. O link - Rádios - está ali no espaço Imprensa. Vale dar uma conferida. Bons sons.

Wednesday, March 22, 2006

A percussão é tudo

Tem uma comunidade no Orkut chamada "Se não tem no Google, não existe". Pois é. Há tempos vinha procurando mais informações sobre um músico que curti muito na minha passagem pelo extremo norte do país, fronteira com a Colômbia. Pra quem gosta de percussão, esse é um cara que recomendo. Pra quem é chegado num som caribenho, nem se fala. Vão aí alguns dados do cidadão. Grande sonoridade.

Nome
Chichi Peralta
Origen
Santo Domingo - República Dominicana (1966)

Discografía
(1999) Pa' Otro La'o, (2000) De Veuelta Al Barrio
Los arreglos musicales estuvieron a cargo de él, al igual que la percusión. En De vuelta al barrio se fusiona el son con el jazz, el merengue con el guaguancó, el pop con ritmos africanos y la bachata con los brasileños y árabes, por mencionar algunos. En la grabación participaron la Orquesta Sinfónica de Londres y los coros de Luz Africa, sesiones grabadas en París, Francia. El primer corte es el que le da título al CD. La presentación de la segunda producción de Chichí Peralta y Son Familia será en el barrio que vio nacer al percusionista, en Ciudad Nueva en la capital dominicana.

Biografía
Chichi nació en 1966 en Santo Domingo, capital de República Dominicana. Durante 8 años trabajó como percusionista del famoso grupo "4-40", liderado por Juan Luis Guerra. En 1997, realizó el lanzamiento internacional de su primer disco en su país natal. Su carrera como músico se inicia a los 4 años cuando construyó su primer instrumento percusivo, una tambora. El primer álbum de su carrera, después de la exitosa participación al lado de Juan Luis Guerra, es ``Pa' Otro La'o", el cual produjo, arregló y coordinó. Algunos temas los compartió con la voz principal del grupo Son Familia, Jandy Felíz, quien en 1999 abandona la agrupación para iniciar su carrera solista.En 2000 se edita su nuevo trabajo, De Vuelta Al Barrio en el que participan los nuevos vocalistas, César Olarte y René Geraldino.

Tuesday, March 21, 2006

Singles

No final de semana tive a oportunidade de rever "Singles - Vida de Solteiro". Grande filme. Não sou crítico de cinema, nem sou dado a comentários sobre o assunto, mas recomendo o título. Para mim, se trata de um verdadeiro registro desta geração que curtiu boa parte da adolescência nos anos 90. Seguem algumas informações sobre o filme:

Sinopse: Seattle, início dos anos 90. Várias histórias paralelas sobre jovens no começo da vida adulta, que estão preocupados em se firmar em suas carreiras e, principalmente, em encontrar o amor. O filme mostra diversos moradores de um mesmo prédio, que freqüentam a mesma cafeteria. Um deles é Steve Dunne (Campbell Scott), que conhece Linda Powell (Kyra Sedgwick) em um show de rock e aos poucos se apaixonam. Também é focado o relacionamento deles e a de amizade de Steve com Janet Livermore (Bridget Fonda), outra moradora do prédio, que quer conquistar um vizinho, Cliff Poncier (Matt Dillon), um roqueiro. Na verdade ela tem um envolvimento com ele, mas Cliff insiste que seja uma "relação aberta" e isto não agrada muito Janet, que está obcecada por Cliff e pensa em fazer um implante para aumentar os seios, pois acredita que isto agradará Cliff. Paralelamente Debbie Hunt (Sheila Kelley) anseia tanto por achar alguém que produziu um vídeo com alguns efeitos que lhe sirva como apresentação para futuros pretendentes.

Fonte: http://www.adorocinema.com/

Elenco:
Bridget Fonda (Janet Livermore)
Campbell Scott (Steve Dunne)
Kyra Sedgwick (Linda Powell)
Sheila Kelley (Debbie Hunt)
Jim True-Frost (David Bailey)
Matt Dillon (Cliff Poncier)
Bill Pullman (Dr. Jamison)
James LeGros (Andy)
Devon Raymond (Ruth)
Camilo Gallardo (Luiz)
Ally Walker (Pam)
Eric Stoltz (Mime)
Jeremy Piven (Doug Hughley)
Tom Skerrit (Prefeito Weber)
Tim Burton (Brian)
Paul Giamatti
Cameron Crowe

Ficha Técnica:
Título Original: Singles
Gênero: Comédia Dramática
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1992
Estúdio: Warner Bros. / Atkinson/Knickerbocker Productions
Distribuição: Warner Bros.Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe
Produção: Cameron Crowe e Richard Hashimoto
Música: Paul Westerberg
Fotografia: Tak Fujimoto e Ueli Steiger
Desenho de Produção: Stephen J. Lineweaver
Direção de Arte: Mark Haack
Figurino: Jane Ruhm
Edição: Richard Chew

Premiações: Recebeu uma indicação ao MTV Movie Awards, na categoria de Melhor Canção Original ("Would?")

Curiosidades:
- Vida de Solteiro foi inspirado na morte do cantor Andrew T. Wood.
- O diretor Tim Burton aparece em uma pequena ponta, como um diretor de vídeos
- O filme conta com a participação dos integrantes do Pearl Jam - Gossard, Vedder e Ament, que fizeram o papel de integrantes da banda Citizen Dick, encabeçada pelo ator Matt Dilon
- Singles mostra ainda parte de shows do Alice In Chains e Soundgarden

Quem te viu, quem tv

Há alguns dias me detive a acompanhar com mais atenção a programação da MTV. Numa destas noites acompanhei o jornal da emissora. Notei que mudou o cenário e os antigos apresentadores foram sacados. Com o Rafa e a Sarah já era complicado de se manter ligado no programa durante 30 minutos. Entretanto, nada é tão ruim que não possa ser varzeado mais um pouco. No atual Jornal da MTV, creio que a intenção era deixar o ambiente mais despojado, mas os caras erram a mão. Ficou tosco na mais pura concepção da palavra. Sem falar no conteúdo. Ou melhor, a falta dele. A Carla Lamarca não dá, né? Vamos combinar. Bonitinha, mas ordinária. E o Léo Madeira? Não é dos piores, mas botaram o rapaz numa fria. E aí o magrão não rende o que pode render, como no Top Top. O jornal foi somente a ponta do iceberg. Agora, alguém pode me dizer o que é essa onda teen? Caralho, quem são essas gêmeas que apareceram do nada e estão na programação? Ah, vão pra puta que pariu. Li uma matéria sobre as mudanças na emissora. Dizem os cabeças que a intenção destas trocas no time de VJs é deixar a MTV com a cara da audiência. Que absurdo. Mas pensando bem, esquecendo o calor da discussão, é isso mesmo. É a indústria da modinha, da padronização. As novas bandas cheiram a Strokes, os hard cores são medíocres e as adolescentes amam as bundudas da hora e suas musiquinhas pestilentas. A criatividade foi pro ovo. Dizia o Raulzito: falta cultura pra cuspir na estrutura. Que gente! Saudades do Fábio Massari.

Wednesday, March 15, 2006

De volta aos escritos e à musicalidade

Recentemente fomos ver os shows da Bleff e da Deus e o Diabo, no Casarão, em São Leopoldo. A festa foi muito legal. É sempre bom reencontrar velhos amigos e bater um papo amistoso, desabafar, curtir. Ainda não tinha visto as duas bandas – não ao vivo, apenas ouvido na internet. Estava curioso. E mais na expectativa ainda por saber que o baterista da Bleff é um dos caras mais parceiros de todos os tempos: grande Saraivada de Bala. Eles abriram a noite. Mandaram bem. Recomendo. E eu fiquei mais feliz por ver o quanto o Milton está espancando. Batendo firme, concentrado, dedicado, bumbo forte, pesado. Muito bom, meu bruxo. Na seqüência, DEOD. Uma apresentação conceitual, teatral, interessante. Depois teve a sonorização do Gramolix, que dispensa comentários. Está bonito esse cenário em São Léo. Diversidade musical e uma gurizada de fé na ativa. E novidades estão por chegar – Tu-pá, tu-pá, tu-pá.

Saturday, February 25, 2006

Uma homenagem para Layne Staley

Essa cara aí na foto é o guitarrista do Alice in Chains. E a notícia do momento, segundo o próprio Jerry Cantrell, é que a banda realmente vai voltar à atividade. Claro, com um novo vocalista. Só pra lembrar, Layne Staley morreu em 2002. Ele faleceu em casa, vítima de uma overdose, e seu corpo só foi encontrado dias depois. O substituto de Staley, no entanto, ainda não foi escolhido. De acordo com Cantrell, o retorno do Alice in Chains, será uma forma de homenagear a memória do ex-companheiro de grupo. Em 2005, a banda fez algumas apresentações beneficentes com vocalistas convidados. Além de Cantrell, seguem na barca os originais do Alice, Mike Inez, baixista, e Sean Kinney, na batera.


"Into the flood again
same old trip it was back then
so i made a big mistake
try to see it once my way"

Bons tempos da grungera.

Thursday, February 23, 2006

A volta

Olha só essa figura. Estilo Mumm-ha, renascido das cinzas, saindo da tumba, o ser eterno. Pois o Guns N´Roses, do senhor Axl Rose – sim porque a banda é dele, sem dúvida – é atração confirmada no festival inglês Download 2006, entre os dias nove e 11 de junho. O papo que rola é que finalmente serão conhecidas algumas das canções do tão esperado e quase lendário Chinese Democracy. O disco está pra ser lançado há pelo menos dez anos. Parece que agora vai. Neste mesmo festival, também sobem ao palco Metallica, Korn e Deftones.

Wednesday, February 22, 2006

1, 2, 3, 14...

Pois é. Não consegui me abster de falar alguma coisa sobre a passagem do U2 pelo Brasil. Os caras realmente surpreendem nas suas performances ao vivo. Isso sem contar o carisma e o engajamento em causas sociais. A parafernália sonora e televisiva que compõe o palco também ajuda a levar o público a uma espécie de catarse em multimídia. O Set List contemplou todas as épocas da banda – embora não tenham tocado Angel of Harlem nem Bad. É, mas não dá pra reclamar. Foi realmente uma apresentação de luxo. Me emocionei no final quando deixaram o palco, um a um, ao som de 40, ao velho estilo Under a Blood Red Sky. E com o Edge tocando baixo e o Adam, guitarra. Durante o show, no entanto, fiquei agoniado lá pelo meio do espetáculo. A voz do Bono ecoava rouca e cansada. Chegou a mudar algumas melodias para alcançar os tons mais altos. Não sei se ele foi arrebatado pelo calor – o cara suava como louco e nada de sacar a jaqueta, preta – ou estava guardando energias para a segunda noite. O certo é que o Edge salvou a pátria por várias vezes. Aliás, o homem tá cantando muito. Enfim, foi uma segunda-feira que entrou para a história. Pena que só rolou em São Paulo, pra variar.

Foto: Flávio Florido/Folha Imagem

Thursday, February 16, 2006

Anger is a gift

Tudo bem, sei que a banda acabou. Mas sou um fã saudoso. Nos últimos dias, pra matar essa saudade, tenho escutado o Live at the Grand Olympic Auditorium. Caralho, pancadaria pura, sem cuspe e com areia, do início ao fim - segue o Set List no final. Não quero entrar no mérito sobre o que teria motivado o final do grupo. Audioslave é bom, mas acho que falta pegada. Quero dizer, não que eles não tenham, mas não igual ao RATM. O lance é que o Rage Against the Machine vertia uma química muito foda. O som era extremamente visceral, raivoso, com propósito. No entanto, por curiosidade, no Orkut, em comunidades dedicadas à banda, é possível encontrar uma gama de teorias sobre a separação dos caras. Algumas plausíveis e outras completamente estapafúrdias. E como a gente sempre tem aquela história de fases, atualmente, Bulls on Parade tem combinado mais comigo. Sem essa de Stones e U2. Eu quero mais é RAGE, RAGE, RAGE... – risos.

SET LIST - Live at the Grand Olympic Auditorium – Novembro de 2003
Bulls on Parade
Bullet in the Head
Born of a Broken Man
Killing in the Name
Calm Like a Bomb
Testify
Bombtrack
War Within a Breath
I'm Housin'
Sleep Now in the Fire
People of the Sun
Guerrilla Radio
Kick Out the Jams
Know Your Enemy
No Shelter
Freedom

Bom, né?

Monday, February 13, 2006

As bandas no final de semana

O Black Nê chamou a atenção entre uma e outra cerveja: da Hermano, só falta o Cristiano – assim como nesta foto. E no final da noite de sábado, estávamos os quatro – os remanescentes - falando sobre a banda. É legal saber que a Hermano Chiapas deixou saudades, pelo menos entre nós. Por isso, no momento, estudamos uma maneira de reativarmos o grupo. De qualquer forma, seja lá o que for acontecer, já me sinto feliz de ter participado de algo que foi tão marcante. Não me arrependo de nada, pois tudo foi feito com o coração e com ideologia. Pra mim, foi a mais sincera forma de expressão que tive contato até hoje. De minha parte, estarei sempre pronto para encarar novos desafios, ainda mais estando ao lado dessa rapaziada verdadeiramente de fé.

Na foto da esq. p/ dir: Ricardo, Carolos, yo e Black Nê.

Florbela
Fomos ver a Florbela Espanca na Feira Popular Zona Norte, em São Léo, no sábado. Bom, quanto à banda, sou suspeito. Os caras mandam tri bem. Só tem gente boa. Além de parceiros, ótimos músicos, profissionais. Recomendo. Eles tocam no próximo dia 4 no Casarão, em São Léo, no Gramo Rock Fest.

Friday, February 10, 2006

Fotojornalismo


AMSTERDÃ (Reuters) - Uma fotografia da Reuters mostrando uma mãe e seu filho em um centro de alimentação de emergência no Níger durante a recente crise de fome no local ganhou o prêmio de Foto do Ano do World Press 2005, disseram os organizadores na sexta-feira.
A fotografia, tirada pelo canadense Finbarr O'Reilly em Tahoua, noroeste de Níger, em 1 de agosto de 2005, mostra os dedos magros de um bebê de um ano pressionados contra os lábios de sua mãe.
Um enxame de gafanhotos e a pior seca em décadas deixaram milhões de pessoas sem comida no país do oeste africano.
"A fotografia vem me assombrando desde que a vi pela primeira vez, há duas semanas", disse James Colton, presidente do júri do World Press. "Ela permaneceu na minha cabeça, mesmo depois de ter visto outras milhares durante a competição."
"Essa imagem tem tudo: beleza, horror e desespero."
A fotografia foi escolhida entre 83.044 imagens feitas por 4.448 fotógrafos profissionais -- 182 a mais do que em 2004 -- de 122 países.

Wednesday, February 08, 2006

A cultura dos opressores esmaga minha mente

Vem aí, então, mais um Planeta Atlântida. E as atrações para este ano? Nem precisa estar com a lista na mão para citar a maioria das bandas. São praticamente sempre as mesmas. Pra piorar, é quase certo que na próxima edição não deveremos ter maiores novidades. Pelo menos, os últimos anos de Planeta têm provado isso. E olha que essa safrinha que está por aí é de doer, salvo, algumas raras exceções. Será que, ao menos, a organização não poderia reduzir pela metade o grupo do seis por meia-dúzia e pagar uma atração verdadeiramente de peso? Acho que o festival ganharia muito em maturidade, qualidade sonora e visibilidade. Já que shows de grande porte dificilmente chegam até o sul do país, a estrutura do evento poderia dar este apoio. Sem mais para o momento, vale o exercício da imaginação ou da futurologia: vamos projetar que duas ou três dessas atrações – as sócias, para agradar os devotos – abririam a noite. E pra fim de festa, em grande estilo, teríamos no palco System of a Down. Bah! e mais toda gama de interjeições. É, eu sei, viajei, né? Enfim, perdão, foram cinco minutos de bobeira. Acontece.

Tuesday, February 07, 2006

Gramolix

Hoje recebi – não só eu, mas um povo - o e-mail de uma figuraça. É um parceiro da antiga, bem da antiga, dos tempos do Vira e tudo mais. Pois o recado, intitulado como Gramo Rock Fest, trazia o seguinte conteúdo: COMEMORANDO 31 INVERNOS ANTECIPADAMENTE EM 04/03 CONVIDO A TODOS OS AMIGOS PARA ESSA FESTANÇA LÁ NO CASARÃO.SERÃO 4 BANDAS :
* MAJJORS
* FLORBELA ESPANCA
* ALICE FUZZ
* KHARENKHORE
DISCOTECAGEM DOS MEUS AMIGOS DUDU, PAULO E TAMBÉM PITACOS MEUS E DE OUTROS. A TÔNICA DO SOM SERÁ ROCK CLÁSSICO, ALGUMAS MAIS PESADINHAS, ROCK E POP OITENTISTA E TAMBÉM ALGUM ELETRÔNICO. A BRINCADEIRA COMEÇA PELAS 23:00 SEM HORA PRA TERMINAR. OS INGRESSOS SÃO A BAGATELA DE 5,00 MANGOS. ESPERO VÊ-LOS TODOS, PELO MENOS OS QUE ESTÃO MAIS PERTO. ABRAÇO E ATÉ LÁ!
Achei que deveria reproduzir na íntegra, afinal, o Gramo é um entusiasta incansável desta cultura rock. No final de semana, lá mesmo, no Casarão, trocamos uma idéia - eu, ele e o mexicano - sobre música e iniciativas que possam promover a valorização das bandas locais. O cara está cheio de planos, faceiro, e otimista que 2006 seja um ano de grandes novidades e realizações diversas. E no que precisar, pode contar com a gente. Vamo que vamo.

Saturday, February 04, 2006

Como um pássaro o tempo voa


No último dia 2 de fevereiro completou nove anos da morte de um dos maiores gênios da música brasileira. O nome Francisco de Assis França constava no seu registro de nascimento, mas popularmente era conhecido como Chico Science. Esse cara surgiu para sacudir a pasmaceira do cenário rock nacional. Depois dos enfadonhos anos 80, a pobreza sonora e a falta de criatividade eram uma constante por aqui. Misturando embolada, hip hop, maracatu, rifs criativos e letras contundentes, o malungo sangue-bom, ao lado da Nação Zumbi, fez muita gente se perguntar: o que é isso que está tocando? Realmente, o som era complexo, pesado e acima de tudo, com muita qualidade. Como dizia Chico, tinha que “deixar tudo soando bem aos ouvidos”. Foi o lance mais inovador dos últimos tempos. Além disso, Chico era um poeta, um cara de sensibilidade extremamente apurada. Falava, com conhecimento de causa e sem clichês, de respeito, desigualdade sócio-racial, revolução e da globalização versus o local. Citava personagens marginalizados pela sociedade através dos tempos como Zumbi dos Palmares, Zapata, Sandino, Lampião e os Panteras Negras. Chico Science foi um dos idealizadores do movimento Mangue e trouxe a cultura de sua terra natal para o resto do país. “...trago as luzes dos postes nos olhos, rios e pontes no coração, Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão”. Chico morreu em 1997, aos 33 anos, num acidente de carro na fronteira entre o Recife e Olinda. Definitivamente, a trajetória sonora do Brasil divide-se em A.C e D.C. Salve Chico.

Etnia
Chico Science

Somos todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa etnia
Índios, brancos, negros e mestiços
Nada de errado em seus princípios
O seu e o meu são iguais
Corre nas veias sem parar
Costumes, é folclore é tradição
Capoeira que rasga o chão
Samba que sai da favela acabada
É hip hop na minha embolada
É o povo na arte
É arte no povo
E não o povo na arte
De quem faz arte com o povo
Por de trás de algo que se esconde
Há sempre uma grande mina de conhecimentos e sentimentos
Não há mistérios em descobrir
O que você tem e o que gosta
Não há mistérios em descobrir
O que você é e o que você faz
Maracatu psicodélico
Capoeira da Pesada
Bumba meu rádio
Berimbau elétrico
Frevo, samba e cores
Cores unidas e alegria
Nada de errado em nossa etnia.

Wednesday, February 01, 2006

Leitura do momento

No livro O Dia em que Getúlio Matou Allende você embarca num passeio pela história do Brasil. O jornalista Flávio Tavares lembra os principais acontecimentos que marcaram a trajetória política do país: a morte de Getúlio, JK e a construção de Brasília, Jânio Quadros e suas manias – ou loucuras, Jango, Brizola e o episódio da Legalidade, a ditadura militar. Os fatos são contados de forma esclarecedora, como num grandioso exercício de reportagem. A riqueza de detalhes em algumas situações proporciona a sensação de estarmos presenciando o fato e seus desdobramentos. Além disso, é aquele tipo de texto que merece ser verdadeiramente degustado. E em se tratando de “novelas do poder”, Tavares destaca ainda as influências de figuras estrangeiras como Che Guevara, Perón, De Gaulle, Stalin e Frida Kahlo. Por falar em poder, o autor mostra o quanto são frágeis estas relações, e que na época, a iminência de golpe rondava quase que diariamente as sedes do governo, primeiro no Rio de Janeiro e depois em Brasília. As maracutaias na cúpula, a trairagem e o superfaturamento de obras também aparecem – é a falcatrua e a farra com o dinheiro público através dos tempos fazendo discípulos. O Dia em que Getúlio Matou Allende tem 330 páginas. O custo é de R$ 42,90 – um tanto salgado, mas vale a pena. Recomendo.

Salve Coletivo

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