My photo
Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Thursday, August 06, 2009

A verdadeira Love

A Ci sabe que sou fã dessa mina. Love é a protagonista da série Ghost Whisperer, mas já fez de tudo um pouco no mundo artístico. O mais legal dessa foto é que, aqui, ela aparece sem o glamour, sem fotoshop, etc. E só ela, frente e verso, verdadeira. Não tem disfarce. Da página onde busquei a imagem, havia muitos comentários sobre celulite e outros “defeitos”. É complicado. A imposição de um padrão quase não deixa mais espaço para a naturalidade. Sei, evidentemente, que todos queremos nos apresentar da melhor forma. Não há mal nenhum nisso. Correção estética é perfeitamente aceitavel, às vezes, necessário mesmo, salva a autoestima, em alguns casos. Exercícios, ótimo, faz bem para o corpo e para alma. Agora, ter o que mostra a TV como objetivo, já é outro papo. As chamadas "imperfeições" fazem parte da concepção, afinal, somos humanos, não máquinas. Não há beleza somente no universo das turbinadas e exuberantes - muitas vezes artificiais. Preservemos as individualidades. Um pequeno detalhe pode fazer uma grande diferença, superando qualquer equipamento tecnicamente elaborado.

Wednesday, August 05, 2009

Confraria

Encontrei, ontem, camaradas dos tempos de sonzera no Vira Verão, no Bat Bar, em Portão, no BR3, entre outros botecos da vida. Alguns parceiros ainda na ativa, outros com projetos diferentes, enfim. Foi uma grande oportunidade de colocar o papo em dia, lembrar boas histórias e combinar os próximos encontros da nossa “confraria”. Seria legal dar um nome. Quem tiver sugestão, pode mandar. Foi legal, também, ver a rapaziada peleando por uma cena musical na região, um sonho ainda pulsante, renovado através dos anos. Os caras estão se organizando. Tem programa na Rádio Unisinos e até um jornal. Não tenho muitos detalhes, mas sei que vai ao ar todas as terças, das 20h às 21h. Gente se mexendo, velhos irmãos, multiculturalismo, novos planos, ceva gelada. Assim é.

Friday, July 10, 2009

O que vou dizer lá em casa?

“Ah, que bunda!”. Pela foto, fica difícil atribuir um outro pensamento ao mano Obama. Repare, também, o Sarkozy bem de canto. O francês parece estar dizendo para si: “nossa!”. Esse flagra rolou em Roma, durante o encontro do G8 e de adolescentes de 14 países reunidos pelo Unicef. É brasileira a dona do atributo que chamou a atenção dos líderes mundiais. Mayara Tavares, 17 anos, participa da J8 (Cúpula Júnior). A foto é de Jason Reed, da agência Reuters. Horas depois da cena, um vídeo circulou mostrando que Barack, na verdade, estava ajudando uma outra garota a descer o degrau. Pode ser. Mas que ele aproveitou para conferir o material, não tenho dúvida. Big ass, brother!!

Tuesday, July 07, 2009

Coloradismo

Esse cara é diferenciado. Matador. Me arrisco a dizer: craque. Não teve culpa na derrota para o Corinthians. Pelo contrário, procurou o jogo, mas a bola não chegou nele. Milagre não dá para fazer. Enfim, passou. No domingo, Nilmar fez dois e colocou o Colorado na liderança do Brasileirão com 2 a 0 no Náutico, na casa deles. Ao perder o título da Copa do Brasil, fiquei chateado, normal. Lembrei, porém, que o Colorado tem crédito. De 2006 pra cá foram nove finais. Perdemos duas. Quinta, agora, tem outra. E estamos ponteando o certame nacional. Claro, algumas coisas precisam ser revistas. Taison faz horas que anda pipocando. O D’Ale até perdeu pênalti nos Aflitos. “Apenas Cristino, Kaká e Messi são craques todos os dias”, afirmou o gringo na ZH de hoje. Tá bom. O certo é que temos Nilmaravilha. Até quando não sei. Mas bobeou, ele guarda. Por enquanto é isso: minha camisa vermelha e a cachaça na mão.

Monday, June 29, 2009

Eu era o Michael

Bom, os noticiários já falaram e vão continuar abordando por muito tempo ainda as questões envolvendo a trajetória e morte de Michael Jackson. Não quero, aqui, relembrar tudo isso. Quero apenas fazer um breve relato da minha relação com essa figuraça. Eu tinha entre 7 e 8 anos. Por influência de meus primos, não perdia o desenho dos Jackson Five. Naturalmente, começamos a imitar o que víamos. Um primo mais velho aprendia as coreografias e nos ensinava. Éramos entre cinco, como eles. Onde a família estivesse reunida, as apresentações eram certas. Um tanto envergonhados no começo, depois virava festa e todo mundo caia na dança. Ensaiávamos para os “shows”. Eu era o mais novo dos guris. Eu era o Michael. Me sentia, dublava. Eu era o Michael. Veio o Thriller. A febre aumentou. Todos queriam dançar como o Michael. Éramos, agora, o Michael, todos juntos. Felizes. E na TV, acompanhamos impressionados o Michael verdadeiro lançar o Moonwalk. Aquilo, sim, foi mágico. Não acreditávamos no que nossos olhos estavam vendo. Michael, brilhante, caminhando, flutuando para trás. Marcou muito. Muito, mesmo. Fez parte da minha e da infância dos meus primos. Ver imagens desse cara, pra mim, é viajar no tempo, é voltar à inocência. Ele não teve infância, mas alegrou a nossa como nenhum outro personagem dos idos anos 80. Valeu, Michael!

Wednesday, June 24, 2009

Shoot You Down

Tem um boato rolando por aí que, caso se confirme, será uma grande notícia para o nosso atual-empobrecido-carente cenário musical. O ano de 2009 marca os 20 anos do primeiro álbum da banda Stone Roses, um dos melhores e mais influentes grupos da Grã-Bretanha. Por conta disso, os caras, que encerraram as atividades em 1996, podem voltar para as comemorações. Os indícios sobre o retorno são fortes. Em matéria publicada no The Sun, o ex-baixista, Mani, que atualmente toca no Primal Scream, afirma que há boas possibilidades. Ele faz apenas uma ressalva: para amenizar o ranço entre o guitarrista, John Squire, e o vocalista, Ian Brown, só com muita grana na jogada. Marketing? Pode ser. O certo é que algumas gravadoras já estão estudando o projeto. Eu dou um real. Brincadeira, mas fico na torcida pelo bem dos nossos ouvidos.

Wednesday, June 17, 2009

Voz da perifa

Acabei de ler recentemente mais um clássico do mestre Zuenir Ventura: 1968 – O que fizemos de nós. Ele faz uma avaliação, um resgate histórico, um paralelo destes últimos 40 anos. Fala das mudanças e o legado daqueles tempos na formação da sociedade. Compara os costumes, a cultura, a política, entre outros setores. Também traz entrevistas com personalidades que viveram as emoções, as frustrações e as alegrias dos combativos e inesquecíveis anos 60. Uma das conversas é com Heloísa Buarque de Holanda. No bate-papo, ela citou a periferia como única produtora, atualmente, de arte engajada. Como tenho uma grande afinidade com esse tipo de movimento – foco de minhas pesquisas – me chamou bastante atenção alguns termos, bastante apropriados, utilizados pela professora. Heloísa classifica como “micropolítica” as ações dessa rapaziada, como no caso do Afroreggae, do Hip Hop, com grande poder de resolução nos conflitos locais. A professora destaca a forma de atuação destes coletivos, que se traduz em uma espécie de “tecnologia social”. Em época de crack e disseminação da violência, a periferia tem feito a sua parte em prol de crianças e jovens que, graças a estas iniciativas, estão tendo uma alternativa de futuro fora do tráfico, das drogas e da criminalidade.

Tuesday, June 16, 2009

Filminho

A chegada do frio é um estímulo para atualizarmos os títulos que ainda não conferimos. Vamos, então, aos cinemas – para os lançamentos – ou às locadoras. Porém, como grande parte das pessoas tem as mesmas ideias nos mesmos momentos, o resultado é lotação, filas e o estresse constante.Tentei locar alguns DVDs no final de semana. Todas as novidades, os mais badalados, já estavam fora. Se você é uma pessoa mais paciente, talvez esses fatores nem alterem seu humor. Pra mim é quase inviável. Para aqueles que, como eu, acabam se irritando facilmente com o atropelo e os afoitos de plantão, vai uma dica: filmes nacionais. É, meu amigo, tem coisa muito boa sendo feita por aqui, sim senhor. Não tenha preconceito. Eles estão lá, quietinhos, nas prateleiras mais distantes, no canto, esquecidos. Por lá, naquelas paragens mais afastadas, geralmente não há disputas, empurra-empurra ou socos. Procure pelos brasileiros na sua locadora e seja feliz. Fora os clássicos, seguem algumas outras sugestões:

Querô
Estômago
O Cheiro do Ralo
Show de Bola
Quase Irmãos
A Concepção
Baixio das Bestas
O Homem que Desafiou o Diabo
Cidade Baixa
Nina
Cama de Gato
Batismo de Sangue
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
A Casa de Alice
Um Copo de Cólera

Lembra de mais algum?

Monday, February 09, 2009

Do outro lado da moeda

Outro dia encontrei um amigo que há muito não via. Parceiro mesmo, da antiga. Dos tempos das grandes noites nos bares do Vale. Madrugadas de rock, funk e psicodelia. Enfim. Nos encontramos por acaso. Resolvi dar uma banda, nada marcado. Lá estava, no balcão e a gelada pegando. Depois de um abraço efusivo, ele perguntou:
- Ficou rico?
- Não, bem capaz.
- Então entrou para alguma seita ou coisa parecida?
- Também não.
- Então?
Ele continua, como de praxe, com vários projetos culturais-musicais-cibernéticos. Está casado, tem um filho, mas sempre maluco. Na seqüência, fiquei pensando. Acho, que de um modo, levamos tudo muito a sério. Com isso, fechamos a porta para tantas coisas, especialmente no processo evolutivo-criativo. Valeu, Muthafuckerniggerlucio (na foto, primeiro da esquerda p/direita-sentado).

Monday, January 26, 2009

Harry Potter maldito

Voltava para casa, dia desses, final da tarde, mais uma jornada corrida de trabalho. Como faço usualmente, no trem, lia atentamente o interminável, mas muito bom – recomendo - (554 páginas) - Abusado, Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos. Trajava calça e camisa sociais, como regra o cerimonial no meu ambiente profissional. Enfim. Lá pelas tantas, começou a ladainha: “senhoras e senhores........” Era um menino, 12, 13 anos, no máximo. Miúdo, porém eloqüente. Chegou perto com suas balas de goma. Ajudei com dois reais, embora recusasse a mercadoria. Percebi que minha atitude causou surpresa no moleque. Ele se afastou, mas continuava me olhando. Sagaz e exercendo seu poder de associação, retornou ao meu lado. Respirou fundo, como se tomasse coragem. De certo pensou, "agora é o momento". Talvez aquela dúvida o viesse atormentando há horas. O diálogo foi rápido:
- O senhor é da igreja?
- Não.
- Ah, tá. Sabe o que é? Eu queria perguntar uma coisa.
- Pergunta.
- É verdade que o Harry Potter é do diabo?
- Hein? Como é? Não, claro que não. Isso é tudo mentira, conversa fiada, não vai atrás.
- Ah, obrigado tio, tchau.
E lá se foi na próxima estação. Desembarcou, adentrando em outro vagão para seguir com a labuta. Perdi a concentração na leitura. O guri se tornou o meu personagem daquele dia.

Friday, September 19, 2008

Legal

Por força do trabalho, acabei visitando o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, na quinta-feira, à noite. Confesso que não tenho essa prática entre minhas prioridades nas horas de folga. E por isso, não tinha idéia do volume de pessoas que dedicam seu tempo a apreciar as obras em exposição. Confesso minha ignorância no assunto. E confesso que muita coisa por lá não entendi. Mas o clima é legal. Literalmente dá para respirar cultura. Acho que deveria freqüentar mais. Arte é uma coisa bem ampla e penso que, além do treino, é preciso uma certa sensibilidade mais aguçada para ver além. Ouvi muitos comentários sobre traços precisos, técnicas apuradas, cores, sombras, enfim. Algumas coisas consegui sacar, mas meu poder de classificação, até o momento, não tem nada de complexo. Apenas posso dizer: legal, gostei. Gostei da exposição de Pedro Weingärtner, “Obra Gráfica”. Gostei da exposição de Antonio Caringi, “50 anos do Laçador”. Gostei muito, também, do acervo permanente, em especial, de uma pintura de Emiliano Di Cavalcanti, “Cristo Morto” (foto), utilizando óleo sobre tela. Me impressionou mesmo. A partir de agora, vou reservar sempre um tempinho para dar uma passada no Margs. Agora, como aproximar toda essa maravilha da população, desmistificar um pouco esse conceito de arte? Fica já a sugestão para o debate e para um próximo post.

Wednesday, September 17, 2008

Churrasquinho no domingo?

Liguei para o Mano, ontem. Este é seu apelido: Mano. Ele é meu primo. Há tempos não falava com a figura. Temos várias histórias de festas, coisas hilárias, entre outras passagens bíblicas. Crescemos juntos, praticamente. Parceria pura. Só não lembro a última vez que conversamos. Ou melhor, lembro, sim. Foi num velório. Que coisa! No nosso papo mais recente prometemos mais uma vez: “vamos marcar alguma coisa. Vamos nos reunir”. Depois fiquei pensando. Como acabamos nos tornando escravos do tempo. É impressionante. A correria do dia-a-dia é implacável mesmo. A necessidade nos impõe limitações. Precisamos trabalhar de forma enlouquecida. Não é necessariamente uma reclamação. Ter emprego, atualmente, é tão complicado que todas as manhãs devemos agradecer ao Velhinho por nossa atividade remunerada. Por outro lado, os quesitos lazer, entretenimento, família, acima de tudo, são também fundamentais para nossa formação e sobrevivência. Claro, nem sempre conseguimos cumprir o que planejamos, magoamos pessoas, por ser essa uma missão complicadamente difícil, ou seja, achar o equilíbrio entre os dois extremos. Agora, é necessário que seja um exercício contínuo, buscar é imperativo, eu diria. Prossigamos na missão. Vamos tentar um churrasquinho no próximo domingo. Ou outra atividade que o valha. Amigos, manifestem-se. Não vamos deixar o tempo se esvair de uma forma tão apática.

Thursday, September 11, 2008

Eu vim com a Nação Zumbi

Por falar em música, vi o show da Nação Zumbi no Canal Brasil, um domingo desses. Fiquei espantado, emocionado, na verdade. Depois que o Chico levou sua poesia para a outra dimensão, deixei de acompanhar um pouco a banda, embora sempre ouvindo uma coisa e outra. Agora, a apresentação dos caras despertou novamente meu entusiasmo. Eles estão maduros, seguros e firmaram a identidade "Nação Zumbi". Quando a banda surgiu, no início dos anos 90, tendo à frente o mestre Science, musicalmente falando, foi, para mim, o troço mais inovador que já existiu por aqui nos últimos 30 anos, pelo menos. A perda prematura, deixou a banda meio desorientada, com uma sonoridade quase sem personalidade. Entretanto, "como um pássaro o tempo voa" e os pernambucanos souberam ter esse tempo como aliado. Evidente que os clássicos da época não podem faltar, até como um sinal de respeito ao fundador do grupo, mas a banda foi além. Os tambores que nunca silenciaram, agora, estão cada vez mais encorpados, Du Peixe está cantando, Pupilo está mais visceral, Lúcio arranca riffs gordurosos, sem falar nas letras. Arrisco, sem medo de errar: a Nação é a melhor banda do Brasil. Por favor, não me venham com essas melodias ridículas que estão por aí, sem conteúdo, e todas parecidas, produção em série, fruto da modinha do momento. Não, por favor, isso não. Estamos falando de música de verdade, não de palhaçada ou arremedos. Aliás, os anos dois mil estão se caracterizando por essa pulverização musical. Assim é.

Saturday, August 16, 2008

Tuesday, July 01, 2008

Balaio de gato

Acompanhei, no final de semana, uma matéria gigantesca, na Record, sobre a cantora Amy Winehouse. Tudo bem, se espicharam um pouco mais para explicar o que era enfisema pulmonar, enfermidade que acomete a estrela do momento. Agora, pergunto, na ignorância que me é peculiar no assunto, tendo em vista minha preferência declarada pela programação AM, quem é essa dita cuja na ordem dos fatos? Quer dizer, gosto de som, já participei de banda e tal, entretanto, confesso não estar ligado nas novidades do mundo POP/Rocker/enfim. Perdão aos que a apreciam, mas pelo que tenho tentado ler e ouvir, sei lá. Talento indiscutível, porém, não estou entendendo tanta exposição, tanto estardalhaço. Cantora de mão cheia, ok, mas como tantas outras, nada espetacular, ou inovador. Parecido com tudo que rola por aí. Será devido ao seu envolvimento com drogas? Bom, desde sempre jovens roqueiros mantiveram essa relação próxima com os tóxicos. Enfim, ou estamos em falta e sem critérios para novos ídolos, ou, como falei antes, minha superficialidade sobre o tema seja mais latente do que imagino. Agora, a mina dá porrada em fã (foto) também. Ah, só um pouquinho. Tá lhooooco. Pára tudo que eu vou descer. E tem mais um bando no balaio de gato que virou a produção musical neste novo milênio. Que saudades dos anos 90.

Tuesday, June 17, 2008

Custo-benefício

Tem que ter paciência. Bom, não é de graça que as operadoras de telefonia são as campeãs de reclamações nos Procons. Eu desafio alguém a solicitar algum tipo de serviço à empresa Brasil Telecom e não se estressar. Há um mês, aproximadamente, pedimos os préstimos da companhia para instalação de banda larga, após insistentes telefonemas da BrT oferecendo a tecnologia. Pois bem, aceitamos. Era o início da peregrinação. Nos informaram que em 48 horas iriam liberar o sinal. OK, faz parte do processo. Compramos o modem, felizes, esperando com otimismo usufruir do benefício. Chamamos o parceiro Richard, Kid em computadores. Tri na boa vontade, foi lá em casa e fez toda a mão. Um porém. Cadê o sinal? Será problema no modem? O irmão da Clau testou o aparelho na casa dele. Funcionou, sem problemas. Bom, só tem um jeito, ligar para a assistência da empresa. Advinha? 48 horas para a visita dos técnicos. Passaram os dois dias. Tudo bem, teve o final de semana no meio. Voltamos a fazer contato. Nada. Seguinte, vamos cancelar, então. Feito. Entretanto, no final da semana passada, o telefone ficou mudo. Opção? Ligar para a Brasil Telecom. Depois de ouvir repetidamente toda aquela cantilena – para isso, tecle 1; para aquilo, tecle 2 ... – descobrimos, quase um mês depois, que ainda não tinham fechado a ordem de serviço para instalação da banda larga e, por isso, não poderiam abrir outra para verificar o problema na linha. Dá-lhe ligar novamente para fechar a primeira ordem de serviço. No meio do estresse, um técnico da empresa liga para o celular. Pensei, nossos problemas acabaram. Surpresa. Disse o representante da BrT: “E a banda larga, tudo ok, funcionando?” Não é possível, não pode ser sério. Aí, contamos toda a história para o cidadão. Perguntou nosso endereço e disse: “Pois é. Nessa região realmente estamos com problema no sinal”. Foi só então quando conseguimos fechar a ordem de serviço inicial. Agora sim, paciência tem limite. Não queremos mais ser clientes. Ainda no sábado, voltamos a ligar para nos livrar da empresa. A atendente: “para esse procedimento, somente em horário comercial, de segunda a sexta”. Enfim. Na segunda, os caras arrumaram o telefone. Entretanto, a conta da banda larga que nem chegamos a usar também veio junto.

Monday, June 16, 2008

Reflexões sobre a cidade

Avançando nas leituras, é inevitável lincar aos aforismos do mestre Chico, o Science. Neste caso, refiro-me a um "pensar-olhar-sentir" a cidade, esse elemento vivo, pulsante e reconfigurado (r) no âmbito da contemporaneidade. "A cidade se apresenta centro das ambições para mendigos ou ricos e outras armações. Coletivos, automóveis, motos e metrôs, trabalhadores, patrões, policiais, camelôs". São esses fluxos que potencializam a diversidade cultural, através de hibridismos envolvendo costumes, comportamento, ideologias, linguagens, enfim. É uma espécie de caos, que nega a etimologia da palavra e vê-se ligada a um tipo de organização específica. A cidade sugere o urbano. O urbano apresenta suas tribos, estabelecidas pelo sentimento de pertença e repulsa. A cidade se movimenta. O tensionamento entre as classes é outra característica, embora o espaço urbano não faça distinções. Todos estão representados. Até os monumentos esquecidos pelo tempo são reintegrados. As pichações se encarregam disso. Não quero fazer juízo de valores, certo ou errado. É apenas constatação, advinda do exercício de observar, observação participativa, afinal, aqui vivemos. Reitero os versos de Chico: “A cidade não pára, a cidade só cresce. O de cima sobe e o de baixo desce”. Acrescento: “O objeto cidade é uma sucessão de territórios onde as pessoas, de maneira mais ou menos efêmera, se enraízam, se retraem, buscam abrigo e segurança” (MAFFESOLI, 2006, p.224).

Thursday, June 12, 2008

É justus?

Pauta do bate-papo, dias atrás: processos utilizados pelas empresas para contratação. Tudo bem, a concorrência é grande. Há que se refinar cada vez mais os métodos de escolha? Concordo. Agora, elencar como primordial a avaliação psicológica dentre os critérios, acho questionável, absolutamente duvidoso. Penso ser esta uma ferramenta extremamente subjetiva. Como forma de auto-conhecimento ou de indicativo relacionado a pontos que precisam ser melhorados pelo candidato, ok. Entretanto, não creio ser a forma mais justa para seleção, principalmente quando o processo não vem acompanhado de testes práticos relevantes à função pretendida. Se não for assim, de que vale a experiência? Que venham as dinâmicas de grupo, os malabarismos, a grafologia, análise do Orkut, jogos psicológicos, sei lá, enfim, mas que nunca deixem de lado o “saber fazer” e que atribuam a este o peso devido. Não sou especialista no assunto, pode ser, de minha parte, uma análise bastante superficial, mas não me furto a sugerir o debate, tendo em vista os atravessamentos do mercado no nosso dia-a-dia. Preparemo-nos. Acho que vou me inscrever no Aprendiz. Roberto Justus é o cara. Até CD o cidadão está lançando. Maravilha, Alberto!*

* Expressão cunhada pelo Rock Gol.

Wednesday, June 11, 2008

Leitura do momento

Depois de algum tempo, volto, trazendo o tópico “Leitura do momento”. E ele também retornou, um dos meus autores preferidos: Pedro Juan Gutiérrez. “Nosso GG em Havana” retrata a passagem do escritor britânico Graham Greene pela ilha, nos anos 50, período pré-Fidel. A trama envolve o submundo hard core cubano, agentes do FBI, KGB, caçadores de nazistas e a máfia italiana de Nova York. Porém, tudo mais light em relação a suas obras anteriores. Acho que faltou aquele tom sarcástico característico. Por outro lado, ilustra um outro momento no cenário político do país, antes da revolução, com várias correntes ideológicas em movimento, todas prospectando, mesmo que nas entrelinhas, o quanto prósperos poderiam ser seus projetos de futuro para Cuba. Boa leitura, recomendo, embora eu seja suspeito em se tratando de Pedro Juan. É que o texto do cara é tão envolvente que os finais sempre deixam um sentimento de: “já acabou?”.

Wednesday, February 20, 2008

Putz

É uma pena. Saiu hoje na Zero Hora, Contracapa, por Roger Lerina. Lamentável, mas a história parece que é real. A Ultramen vai dar um tempo, sem data determinada para voltar. Os caras vão se dedicar a projetos pessoais. Numa época de tão raras bandas de qualidade, é triste ver que um dos melhores grupos no cenário nacional entrará em estágio de stand by. Como diria a Funéria, que infortúnio. A banda ainda manterá a agenda até abril, devem gravar DVD ao vivo na abertura do Opinião, mas, enfim. Segue a nota oficial enviada à coluna do Lerina:

“Depois de 16 anos de estrada, músicas executadas nas principais FMs e shows pelo Brasil, a Ultramen vai dar um tempo... por tempo indeterminado. Nessa parada, os músicos vão cuidar de projetos pessoais e não prometem data pro retorno das atividades da banda, nem comentam o que cada um vai fazer durante esse tempo. A banda segue fazendo shows até o final de abril.”

Foto: Eduardo Quadros, Divulgação.

Friday, February 01, 2008

Como nascem as expressões

Dia desses, voltando de viagem a trabalho, conversava com outros dois colegas. Falávamos sobre um quarto personagem, famoso, reza a lenda, por ser pegador. Há rumores, de tempos, que o cidadão passa o rodo geral no setor onde labuta.
- O papo que rola é de que o cara não perdoa, reiterei.
- É real. Ele é matador mesmo, confirmou o colega.
- O profissional sempre de chuteirinha trava alta, acrescentei, aludindo ao futebol.
- O homem é o camisa nove, evoluiu o parceiro.
- Centroavante nato, é só bola na rede, rebati.
- Como vocês são chulos, criticou a moça.
Silêncio. Olhares. Pensamentos. Risos. O breve momento de pausa antecedeu uma das expressões mais peculiares que já ouvi nos últimos tempos. Para não ser indelicado ao tratar do tema e atendendo ao pedido da colega de não baixarmos o nível, o outro lascou, referindo-se ao sujeito foco dos debates:
- Ele é afeito às lides da centroavância.

Monday, January 28, 2008

Trânsito lento

"Estamos vivendo o pré-caos". A afirmação é de um professor da UFRGS, especialista em transportes com quem conversei na semana passada. No bate-papo, expressei minha preocupação quanto ao inchaço populacional e a falta de infra-estrutura para atender toda essa demanda. Ele, citando dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), me deixou ainda mais abalado. Em 2007, foram comercializados, no país, mais de 4,2 milhões de unidades, uma alta de 29,57% em relação ao ano anterior. Claro, por um lado, isso representa crescimento econômico, empregos e uma certa estabilidade financeira por parte da população. O problema é que os investimentos em estradas, por exemplo, não conseguem acompanhar infimamente o desenvolvimento da indústria. Resultado: destruição da malha viária já existente, mais acidentes, engarrafamentos, só para citar alguns problemas neste processo. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Estacionar, atualmente, é uma missão extremamente complicada, mesmo com as cidades menos movimentadas com a maior parte da população no Litoral. Por falar em Litoral, meu Deus! Acompanhando o movimento todos os finais de semana, é visível o aumento da frota. Saindo da Free Way, tem trânsito lento na sexta e no domingo. Haja paciência. Outro exemplo, a BR 116. Estrangulada. O pior é que não se visualizam soluções a curto prazo, como ressaltou o professor. Por outro lado, para amenizar, afirmou que ainda vai demorar um pouco para termos por aqui o mesmo que acontece em SP. No fundo, acho que ele disse isso só para aliviar e descontrair diante do breve silêncio após sua avaliação exposta aqui na abertura do texto. “Mas é um bom tema, importante. Temos que intensificar os debates neste sentido”, finalizou.

Wednesday, January 16, 2008

A Ponte

Para começar 2008, queria falar de um tema menos árido e que foi alvo de uma entrevista que fiz recentemente para um freela. Conversei com a historiadora Alice Trusz, uma das autoras do livro A Ponte do Guaíba. Pois a Ponte está completando 50 anos em dezembro de 2008. Ela contou como a pesquisa foi realizada, levando em consideração os aspectos econômicos-sociais-culturais-ambientais que envolveram o empreendimento, construído entre 1955 e 1958. A Ponte, com a peculiaridade do vão móvel, realmente transformou a paisagem no bairro Navegantes e tornou-se um cartão postal de Porto Alegre, sendo ilustrada em comerciais e filmes. Só o Jorge Furtado utilizou três vezes o cenário. Uma das histórias curiosas contadas por Alice Trusz remete à confusão quanto ao nome da Ponte. Na época da inauguração, o governador do Estado, Ildo Meneghetti, batizou a Ponte como Travessia Regis Bittencourt, em homenagem ao engenheiro que projetou a obra. Porém, quando assumiu o Piratini, Leonel Brizola, resolveu exaltar a figura do presidente Getúlio Vargas e rebatizou-a como Travessia Getúlio Vargas. O inusitado é que no outro dia, a placa com o nome da Ponte foi roubada e ela passou a ser conhecida mesmo como Ponte do Guaíba. O livro, de 96 páginas, conta com textos de Rualdo Menegat, Luiz Antônio Bolcato Custódio, Flávio Kiefer, Alice Dubina Trusz, Rosélia Araújo Vianna e Beatriz Blay, que também assina a edição, contando com a coordenação editorial de Maria Cristina Wolff de Carvalho. A obra traz ainda imagens históricas e recentes, estas últimas produzidas no verão e outono de 2007 pelo fotógrafo Eduardo Aigner. O valor do livro é de R$ 59,00. Garanto que seria uma grana muito bem empregada. Vale a pena.

Tuesday, December 25, 2007

Qual é a graça?

Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.

Wednesday, December 19, 2007

Leitura do momento

Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:
Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.

Tuesday, December 18, 2007

A função de dezembro

O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.

Tuesday, October 16, 2007

Sobre o Tropa de Elite

É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?

Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.

Thursday, October 11, 2007

Iniciativas que afastam a molecada do tráfico

Nas condições normais de pressão e temperatura, é praticamente impossível concorrer com o apelo do tráfico nas periferias. Para os adolescentes, poucas são as opções e estímulos para trilhar um caminho diferente. Falo da falta de oportunidades, de maneira geral, e da baixa auto-estima, diante do descaso da sociedade, em última instância. São renegados, rotulados e praticamente invisíveis, como avalia Luiz Eduardo Soares. Para os jovens favelados, uma das poucas referências em relação ao poder público é quando a polícia entra em ação. Frente a uma realidade tão cruel, unir-se ao tráfico é quase que inevitável. Isso porque, o tráfico, às avessas, possibilita experimentar o reconhecimento, a valorização, “um plano de carreira”, dinheiro, status. Representam conquistas dificultadas ao extremo para eles pelas vias legais. Esclareço que esta não é uma defesa ao tráfico, mas a ilustração de como a batalha é desleal para quem se importa. É um círculo, literalmente, vicioso. Por isso, mais uma vez defendo iniciativas como o Hip Hop, que tão pouco apoio recebe da sociedade civil organizada. Para quem entende o Hip Hop apenas como estilo musical, cabe ressaltar que a premissa maior do movimento é fomentar a cultura da paz. A religiosidade também se presta a este fim. Nos cultos de matriz africana, por exemplo, é visível a crescente participação da juventude. Enquanto cantam e rezam para saudar seus Orixás, retiram-se do rol de possíveis soldados da violência e desenham um futuro com mais esperança e alternativas. Parece pouco ou simplista? Pode ser, mas já é alguma coisa. Cada vez que se consegue trazer um para o lado branco da força, a contabilidade da paz cresce e nós agradecemos.

Friday, October 05, 2007

Duff e rosquinhas

Matt Groening. A Playboy do mês passado traz uma entrevista muito legal com esse cara. Ele colocou o nome de seus pais e irmãos em personagens de desenho: Homer, Margie, Lisa e Meggie. E o Bart mistura a personalidade de seu criador e de um outro irmão que não coube na animação. Groening foi quem concebeu Os Simpsons, em 1987. Movida pelo sarcasmo, ironia e forte crítica aos costumes norte-americanos, a família amarela já teve suas aventuras representadas em cerca de 400 episódios e um filme, recentemente. Na entrevista, Groening lembra como foi o início da série, uma das mais duradouras da TV mundial, batendo até a chata e badalada Friends. Os Simpsons também revelaram técnicas inovadoras do ponto de vista estético, por exemplo, que revolucionaram a confecção dos desenhos atuais. Ele também é o pai de Futurama, que terá novos capítulos em 2008. Vale a pena dar uma conferida neste bate-papo. O cara é bem descontraído, o que indica a origem de tanta irreverência no dia-a-dia de seus personagens. Sou fã dessa família.

Tuesday, September 25, 2007

O Tas falou, tá falado

Zapeando no final de semana passado vi uma entrevista com o Marcelo Tas. O cara dispensa comentários. É um blogueiro de primeira. E ele disse algumas coisas interessantes sobre este meio de interatividade e comunicação. Uma delas, parece óbvia, mas, pelo menos pra mim, muitas vezes passava batido. Ele relatou, não com estas palavras, mas com esse sentido: para quem tem um blog, sua principal ferramenta de divulgação é a assiduidade. Quem lê, procura novidades, se não acha, vai embora. Então, seguem minhas desculpas aos que, mesmo eventualmente, visitam este espaço.

Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas

Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)

Friday, August 10, 2007

É melhor ser alegre que ser triste

Todo artista precisa de inspiração. Por exemplo, Pedro Juan, necessita sentir na pele o ar de Havana. No meio da semana vi o documentário Vinícius. E para este, o combustível musical e poético era o amor. Necessitava estar constantemente apaixonado. Casou-se nove vezes. E aliado a este estado de espírito, soma-se a genialidade. Vinícius de Mores aproximou a métrica do popular. Foi um dos criadores da bossa nova e dono de canções imortais. O documentário é fabuloso. Traz um retrato fiel da vida do poeta, com depoimentos, interpretações sonoras e os versos dos mais bonitos que já li na vida. Além disso, mostra as transformações do Rio de Janeiro, sua cidade natal, desde a época em que era a capital do Brasil. A obra emociona também pelas imagens antigas em parcerias com Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto. Ainda as reuniões em seu apartamento, nas noites de whisky, cantoria e composições. E mais: as interpretações dos poemas por Camila Morgado e Ricardo Blat, num pocket show em homenagem a Vinícius, são maravilhosas e de uma sensibilidade incrível. Vale a pena. Recomendo. Só vendo é possível tentar dimensionar quem foi Vinícius de Moraes. Me fez lembrar das leituras, quando adolescente, na biblioteca pública de São Leopoldo. Bons tempos. Foi um período de mergulho intenso na literatura brasileira.

Tuesday, August 07, 2007

Leitura do momento

Contundente. É tipo um soco na boca do estômago. Em relatos que conversam com o leitor, os caras apontam a realidade cruel em que a juventude da periferia é exposta cotidianamente. O tráfico, a violência, o vício, o medo, a corrupção policial, o racismo, o descaso, o ódio, a bala perdida, etc. Trazem para discussão a forma como todos estes problemas estão sendo (ou como deveriam ser) tratados pelo poder público e pela sociedade. O terreno é bastante espinhoso e complexo. E essa é a questão. Como desenrolar todos esses nós quando temos falência moral de cima para baixo? Falta base, educação, saúde, cultura, emprego. Sem isso, o círculo será literalmente vicioso. Avançando nas páginas, voltei à minha monografia. Estudei o Hip Hop e a mídia e, em determinado momento, cheguei a conclusão de que quem ajuda a favela é a própria favela. Falta conhecimento de causa e vontade política para projetos sociais eficientes que possam acender aquela luz no fim do túnel para a rapaziada. Numa entrevista que fiz com DJ Nezzo para o TC, ele disse: “na maioria das vezes, a única referência que a comunidade tem com o estado é quando a polícia entre na periferia”. E da parte da mídia, uma das falhas que apontei, é a falta de aprofundamento e contextualização neste tipo de cobertura, relatando, por exemplo, ações como as do movimento Hip Hop. E o que é mais perigoso, a generalização: favela como sinônimo de marginalidade. A temática precisa ser constantemente debatida de forma séria, por todos os seguimentos. Recomendo esta leitura como um incentivo a internalizar essas questões e a projetar de que forma podemos fazer a nossa parte. Lutemos pela salvação do coletivo.

Friday, July 27, 2007

Mais sobre o Rei Lagarto

The End é o nome do livro de Sam Bernett, lançado neste mês, na França, que reabre a polêmica sobre a morte de Jim Morrison. Segundo o cara, no dia 3 de julho de 1971, o vocalista do The Doors foi encontrado desacordado no banheiro de uma casa noturna parisiense. Bernett era o então gerente da Rock and Roll Circus. Ele conta que naquela noite, Morrison estava duro da fanta, total fora da casa, e que comprou heroína para sua namorada. Logo depois, trancou-se no banheiro masculino, onde foi localizado apagadaço. Um médico que estava no estabelecimento teria afirmado que Jim estava morto. Dali, Morrison foi levado para seu apartamento onde tentaram, na banheira, reanimá-lo, sem sucesso. Claro que já choveram críticas e contestações a esta versão. Segue o mistério, o que alimenta ainda mais o mito de um dos maiores poetas do rock mundial. Salve o Rei Lagarto.

Monday, July 23, 2007

Pra irritar

Acompanhar os jogos do Inter, nos últimos tempos, tem sido um teste de paciência. Nem sempre dá pra se controlar. De minha parte, sábado foi um dia de extrema irritação. O colorado fez força pra perder. Na semana passada, ouvi o Gallo afirmar que trabalha com uma concepção moderna de futebol. Ou seja, na avaliação desse cidadão, sua equipe se adapta à movimentação da equipe adversária. Tá bom, então tô ficando louco, né? Só se falta de esquema ou incompetência tática mudaram de nome. Cada jogo é uma formação. O time não tem mais identidade. Falo isso não porque o Inter pipocou contra o Juventude, mas venho, há horas, observando essa esculhambação. Tudo bem, viemos de três vitórias, mas credito muito mais à fragilidade dos adversários do que por mérito vermelho. Aliás, alguém pode me responder algumas questões como: quem é Magal? Quem é Roger? Por que o Clemer e o Christian não pedem o boné? Perdão pelo desabafo, mas tá punk mesmo. Outro dia o Guerrinha comentou que o torcedor do Inter é um cara que não vive sem emoção. Ano passado era pela disputa da Libertadores e Mundial. Esse ano, pra se manter na linha intermediária, sendo otimista. E assim é. Tomara que eu morda a língua. Tomara.

Thursday, July 19, 2007

O desastre

Nossa, quanta tristeza. E choca ainda mais por tudo ter acontecido tão perto da gente, com muitos conhecidos de conhecidos nossos. As cenas são assustadoras. A angústia das famílias, meu Pai, a espera, a identificação dos corpos, o sofrimento. Quanto pesar. Estamos todos abalados, irmanados, enlutados por aqueles que partiram de forma tão abrupta. Que Deus abençoe, ilumine a todos e nos dê força para tocar a vida.

Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.

Thursday, July 12, 2007

Escrever por música

Dia desses voltei ao fone de ouvido. Em tempos de Mp3, Ipods, celulares com rádio, etc, maravilhas modernas, lembrei dos tempos do bom e velho Walkman. Tinha esquecido como era a sensação de perambular com trilha sonora. Remocei uns 10 anos. Pensamentos borbulhantes, chapação virtual, enfim, há tempos a mente não se agitava de tal maneira. É um tipo de egoísmo barulhento em que os órgãos se balançam, vibrando no ritmo dos riffs. Enquanto milhares de pessoas circulam apressadas, aquele momento é só seu. Aquela música lhe pertence. O volume sobe repentinamente. Não há mais ruídos ao redor. Apenas o deleite dos tímpanos que internalizam o punch, as rimas e a distorção. É como sonhar em outra dimensão, talvez um Vanilla Sky em que você tem o controle. Nada de errado em chorar, sorrir ou escrever. Verve pura, essência da vida. Sem mais a dizer. Som. Assim é.

Wednesday, July 04, 2007

Ainda sobre o Vlado

Em tempos de debates sobre TV Pública e o receio de um conteúdo chapa-branca, vejamos o que disse Vladimir Herzog, ainda nos anos 70, ao assumir o comando da TV Cultura de São Paulo: “Jornalismo em rádio e TV deve ser encarado como instrumento de diálogo e não como um monólogo paternalista. Para isso, é preciso que espelhe os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige. Um telejornal de emissora do governo também pode ser um bom jornal e, para isso, não é preciso esquecer que se trata de emissora do governo. Basta não adotar uma atitude servil”.

Wednesday, June 27, 2007

Eles têm caráter...

Foi o que disse o pai de um dos covardes que, recentemente, espancaram uma doméstica no Rio de Janeiro. “Eles erraram, mas não se pode prender crianças. Não se pode deixar que fiquem presos junto com bandidos. Eles têm caráter, estão na faculdade, trabalham”. Em síntese, são as declarações. Revoltante. Pra quem não acompanhou a história, cinco jovens, filhos da classe média e média alta, agrediram violentamente uma trabalhadora enquanto ela esperava o ônibus. “Pensamos que fosse uma prostituta”, alegaram, como se justificasse a barbárie. Enquanto isso, aqui em Porto Alegre, outra demonstração de intolerância. Em frente ao prédio do Direito da UFRGS, um muro foi pichado com a frase: “Negro só se for na cozinha do R.U. Cotas não!". Uma demonstração pura de racismo, vindo de universitários, o que torna a questão muita mais séria. Se de quem deveria brotar a esperança de um futuro mais justo, observa-se ações retrógradas com esta, coloca-se em xeque o pensamento democrático e a sobrevivência da diversidade. É preciso identificar e punir o mais rápido possível os responsáveis para que não tornem-se exemplo a outros. A discussão sobre cotas nas universidades é válida, oportuna, acima de tudo, e que pode vir a corrigir distorções sociais históricas, caso sejam aprovadas. Existem opiniões divergentes, faz parte do contraditório, mas impõe-se que os debates ocorram dentro de níveis de civilidade. É o mínimo que se espera a partir de integrantes da comunidade acadêmica. RACISMO É CRIME.

Foto: Leandro Molina

Wednesday, June 20, 2007

Pra não deixar dúvidas

Claro que em campo tudo pode acontecer. Cada jogo é uma história diferente. Perder, vencer, empatar, normal. O que vale é o resultado dentro das quatro linhas. Mas, por favor, vamos parar com essa palhaçada de imortal. Vamos dar um tempo com essa besteira de mística tricolor. Bater em morto é barbada. E muito se falava durante a semana em “Caxias de grife” ... Tá bom!!! Chega de soberba, né!?! Foi incontestável. Três a zero lá e dois a zero aqui. Algo mais a se questionar? Enfim. No final do ano, dá-lhe Boca no Japão.

Manifestações

Aos amigos que visitam este blog, não fiquem com o pé atrás quando bater aquele impulso, aquela vontade de comentar algum post. Não há contra-indicações. Exponham suas opiniões, sejam protagonistas, dividam com os demais seus posicionamentos. É uma oportunidade de exercitar, testar seu poder de crítica, argumentar. Ou não. O certo é que da interatividade nascem pautas, réplicas, tréplicas, diversão, novas bobagens – o que é muito saudável e, diga-se de passagem, muitas vezes mais produtivo - e quem sabe até mesmo um fórum de discussões. Mesclar idéias é dar luz a culturas diferentes, vivências diversas e aprendizado, em última instância. De minha parte, prometo não ser mais tão relapso nas atualizações. Vamos aos debates. Abraços hermanos.

Tuesday, June 19, 2007

Leitura do momento

Avançando nesta leitura, fico cada vez mais assustado quando algumas pesquisas de opinião apontam a preferência pelo retorno da ditadura. Os que são favoráveis ao regime de exceção argumentam, principalmente, que na época dos generais não havia corrupção, ou muito menos do que se verifica atualmente. Por outro lado, também não existia imprensa para denunciar as falcatruas. Minha adolescência foi nos anos 90. Não vivenciei este período negro da história brasileira. Porém, foi um tema que sempre me interessou e que influenciou muitas de minhas leituras. Certa vez perguntei a um coronel reformado, oficial no regime, o que ele pensava sobre a retração da cultura no país a partir de 64 até o final dos anos 80. O homem ficou irado. “Aquilo não era cultura, era uma bagunça, uma putaria e que merecia ser barrada pelo bem da família”. Enfim. Que fique claro que isso não é uma crítica aos militares. Tenho grandes amigos no meio verde-oliva, parentes e colegas fardados. Todos pessoas maravilhosas. E que são contrárias ao retorno da ditadura. Critico a mentalidade intolerante da época, que em nome sei lá do que, torturou e matou milhares de cidadãos. Vlado foi uma dessas vítimas. Pagou com a vida ao lutar por um estado democrático de direito e por tentar fazer jornalismo de verdade. É bom que a gente reflita sobre isso. Nossa democracia é recente, tem muito a amadurecer, tendo em vista questões como ética, moralidade política e etc, mas retroceder seria mergulhar no fim do mundo.

Friday, June 08, 2007

Tudo é tão tufum...

Diálogo que presenciei na mesa ao lado, durante o horário de almoço, nesta sexta-feira. Rapaz e moça conversam de forma descontraída. Não são namorados. Aparentam 24 anos.
Ele: ...sou um cara cético.
Ela: mas cético em que sentido?
Ele: em todos os sentidos. Só acredito nas coisas que podem ser provadas. Sou muito assim. Não é egoísmo. As pessoas já me magoaram muito.
Ela: mas cético em todos os sentidos mesmo?
Ele: em todos. Só creio no que é concreto.
Ela: eu acredito nas pessoas. Não muito, mas acredito.
Ele: pois eu já me decepcionei muito. Muito mesmo. Hoje sou assim.
....
Ele:...sabe, voltei para o Orkut.
Ela: pois é. Eu vi que tu tinhas saído.
Ele: estava preocupado de ficar me expondo. Precisei me aconselhar com uns amigos. Eles me convenceram a voltar. O Orkut tem 95% de coisas ruins, mas os 5% de coisas boas me fizeram voltar. Sei lá, voltei. Te adicionei.
Ela: é, eu estou no Orkut, mas entro pouco.
...
Ela: tu vais no campus hoje, amanhã, no ano que vem?
Ele: vou. Tenho algumas coisas pra fazer.
Ela: entrega esse dvd pra mim?
Ele: o que é?
Ela: um documentário.
Ele: deixa eu ver...esse eu já olhei. Não gostei. Achei muito superficial. Ah, eu sou assim, muito crítico com as coisas.
...
Bah, troféu Carlos Lacerda pra ti, magrão. Putz, a vida é bem mais simples, não acham? Nós é que complicamos tudo. Enfim. Terminei de almoçar e caminhei por 10 minutos no sol antes de voltar ao trabalho.

Wednesday, June 06, 2007

A pior banda da semana

Fomos no Abbey Road, em Novo Hamburgo, no último sábado, 2. Lugar bacana, clima aconchegante, enfim, indico pra quem está atrás de uma festa com música da melhor qualidade. O DJ trabalha bem, sabe articular o ecletismo dentro do universo "rock", sem deixar cair a verve da rapaziada. Tem também som ao vivo, com banda no palco. Pra mim, o ponto alto da função. E geralmente, pelo menos nas oportunidades que estive lá, os grupos sempre se puxaram e mandaram bem. A gente sabe que no caso do cover a mentira faz parte, mas a banda que observei no final de semana, tenha paciência, santa paciências, eu diria. Até o momento, um acidente de percurso em relação à qualidade do espaço. Putz, mas no sábado, além do exagerado engodo musical e muita pose, faltou o bom e velho ensaio. Até mesmo os TNT-Cascavelletes da vida os caras conseguiram errar, festival do lá e cá. Inimigos do ritmo. Cada um numa nota nos finais apoteóticos que as bandas gostam de fazer. Cruzes. Doeu nos ouvidos. Tocaram U2, duas músicas, One e Desire. Ou melhor, tentaram. Sou mais eu manco na viola. E olha que sou treze a fu nas seis cordas. Nunca ouvi três figuras tão desentrosadas. E de tempos em tempos, o guitarrista-cantor-poser-castelhano arrematava: “bate palma quem tem sentimento”. O meu sentimento era de ódio, como diria uma grande amiga. Ai que ódio, ai que ódio...O pior é que a indiada toda no bar já estava dura da fanta. Resultado: aplausos pelas bizarrices. Freak show total. Se você ficou curioso pra saber que banda é essa, vale um aviso. Na página do bar, o nome que está lá não é o do grupo em questão. Erraram ou precisou ser trocado por força maior, não sei. Agora, se me perguntarem pessoalmente, terei o maior prazer em revelar. Afinal, trata-se de utilidade pública.

Tuesday, April 03, 2007

Decibéis

Quem seguidamente cruza a Rua da Praia com a Rua General Câmara, na capital, já deve ter visto este personagem. Ou melhor, ouvido. “Quem não arrisca não petisca, a sorte grande não belisca”. Trata-se de um senhor, aparentando entre 45 e 50 anos, deficiente visual, e que vende bilhetes de loteria. “Mega Sena acumulada. UM MILHÃO DE REAIS. É pra hoje. Mega Sena acumulada”. E segue a ladainha. O que mais chama a atenção é a altura com que o cidadão anuncia o seu comércio. O homem parece um alto-falante. Uma voz forte, firme, sem desafinar, com ritmo, continuo, enfim. Subindo a ladeira, dias desses, em direção à Praça da Matriz, escutei o seguinte comentário: “Bah, dá pra ouvir o cara lá da Azenha”. Claro, um “pouco” de exagero, mas o lance impressiona mesmo. Ele ganha do pai do Milton.

Friday, March 30, 2007

A segunda vida

Putz, essa semana me deparei com uma leitura abordando a Second Life. Second Life? Pois é, até então nunca tinha ouvido falar. Ela existe, mas não tem nada a ver com religiosidade, crença ou algo do gênero. Trata-se de um mundo virtual, onde as pessoas relacionam-se como se estivessem em uma cidade normal. Existem casas, prédios, carros, empresas, festas, enfim. Cada pessoa é representada por uma espécie de bonequinho, mas com formas humanas bem definidas, como nos mais avanços jogos de computador. Os seres que habitam a Second Life são chamados de Avatar. E a coisa é tão “real” que para você se vestir, por exemplo, precisa comprar roupas em lojas existentes nesse cenário paralelo. E custa dinheiro. Linden é o nome da moeda. Isso se processa através de transações por cartões de crédito, daí, de forma verdadeira. Ou seja, até terrenos são comercializados na Second Life, mas quitados com grana mesmo, real, dólar, euro. O mais interessante é que neste final de semana será inaugurado o primeiro CTG na Second Life. Fiquei chocado. Interessante e surpreendente. Cada vez mais, homens e mulheres estão optando por este tipo de relacionamento. Fico preocupado com o futuro. Me pergunto onde fica o toque, o olho no olho? E o Orkut? Sei, é uma forma, digamos, um tanto “fria” de trocar idéias. Mas, uma vida dentro do computador já é demais pra minha cabeça. E o troço vem ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo. São pelo menos cinco milhões de pessoas “vivendo” uma outra identidade. Em linhas gerais, é mais ou menos assim que funciona.

Wednesday, March 14, 2007

Ouça no volume máximo

Pois bem, amigos. Hoje o assunto é música. Então, queria lembrar de uma grande banda que, infelizmente, encerrou definitivamente suas atividades, pelo que sei, ou até que surjam informações contrárias. Trata-se de um grupo de São Leopoldo. Talvez nem todos lembrem, mas estou falando da PULSE. O que aconteceu com os caras? Resolvi expor o assunto depois de estar viajando na Internet e encontrar a página da banda. O site está todo desfigurado, mas ainda é possível ouvir as composições do grupo. E que sonzera, meu velho! Muita melodia, pegada, harmonia, arranjos, putz. E mais: estavam muito a frente de todos nós, do ponto de vista de qualidade sonora, visão empresarial, marketing, etc. Mais ainda: sempre curti o lance de variar o som com altos e baixos, calmaria e pancada, preparação e explosão. E isso, a PULSE sabia fazer muito bem. Pra resumir, baita vocal do Gomez mais novo. Letra: aí vai uma das minhas preferidas:

Unconscious

The sun rises again.
I feel its gentle touch on my face.
My bed is all I have.
This unconsciousness fills the air.
I can’t feel my legs, my arms or
Forget the pain! Take me out of my head...
“So young and full of life”,
my mother always says before she cries.
It’s hard to realize that all that’s left for me is in this cry.
And every night the car crash echoes inside myself.
The darkness blurs my thoughts and I pray:
“Please God, help me, end this day!”
Unspoken words will have to be postponed.
My life goes on unconscious.

Tuesday, March 13, 2007

Oremos

Pois é, como diria o grande Aroldo de Souza: e agora, tchê? Ontem saiu a notícia de que o jornal Correio do Povo também foi vendido para Igreja Universal. A Rádio e TV Guaíba já tinham sido incorporadas ao patrimônio do senhor Edir Macedo. A venda do Correio surpreendeu ainda mais, já que o proprietário do complexo havia, anteriormente, negado veementemente a negociação envolvendo o jornal. Bom, enfim. Restam incertezas por parte de todos que trabalham por lá, principalmente os jornalistas. Muitos com anos de casa. Também fica a dúvida sobre as intenções dos novos proprietários. Se investirem na área de informação, quem sabe isso possa movimentar o mercado, abrir novos campos de trabalho e valorizar os profissionais da área. Fica o benefício da dúvida. Mas também a angústia, as especulações, uma vez que, até o momento, nada há de concreto. Os novos proprietários deverão se apresentar na próxima semana. O lamentável, efetivamente até agora, é o desgaste de uma das empresas jornalísticas mais tradicionais do Estado. É uma pena. E o que é pior, especula-se que o complexo Correio do Povo – Rádio Guaíba tenha sido vendido por algo em torno de R$ 100 milhões. Muito pouco para este império que contou a história do povo gaúcho. Enfim. Esperemos. Melhor, oremos. Fazer o quê?

Monday, March 12, 2007

Esse cara era foda

Bueno, como disse no post abaixo, estamos retomando as atividades. Neste primeiro contato efetivo em 2007, gostaria de sugerir algo da série “Leitura do Momento”. Vamos lá, então. Não é segredo que tenho uma paixão pelas biografias. Acho que o campo de visão vai além, não só a respeito do personagem, mas em relação ao contexto. Enfim. O lance é que nos últimos dias tenho dedicado minhas idas e vindas no trem à leitura de “Sinfonia Inacaba”, de Lilian Dreyer. O livro foi um presente da minha amiga Mary Mezzari. Trata-se da vida de José Lutzenberger. Então, no avançar das páginas, percebe-se o quanto esse cara era genial. Desde os primeiros anos de vida, Jolch, como era chamado pelas outras crianças, já apresentava tamanha sensibilidade e curiosidade em relação aos assuntos a sua volta. E chega a dar um nó na garganta quando recorda, ainda na infância, as visitas, as brincadeiras e a adoração pelo verde, flora e fauna, exuberantes no Morro da Polícia, em Porto Alegre. Das águas límpidas do Arroio Dilúvio. As praias do Guaíba. Estamos falando em meados dos anos 20. No final dos anos 60, quando retorna da Europa, apavora-se com a degradação e o crescimento desordenado da cidade. Putz, anos 60. Fico imaginado a dor desse homem nos seus últimos anos de vida. Por falar em retornar da Europa, essa volta ao Brasil ocorre por estar vivendo uma crise de consciência. Formou-se em Agronomia na UFRGS, mas com uma visão muito mais ampla do que os colegas de faculdade. Nesse momento já dispunha de uma consciência ecológica, aliás, a palavra ecologia era praticamente desconhecida na época. E Lutz foi um dos responsáveis pela propagação. Por todas suas aptidões, incluindo extremo conhecimento em química, fluência em inglês, alemão e francês, velocidade de raciocínio, dentre tantas outras qualidades, foi contratado por uma multinacional alemã, ligada ao setor químico. Viajou o mundo. Estava sendo cotado para um cargo de executivo, prestes a ganhar um dos maiores salários da empresa, quando percebeu que a indústria havia focado seus investimentos no ramo de defensivos agrícolas. Defensivos agrícolas? Pois bem, futuramente, esses produtos viriam a ser chamados de agrotóxicos, devido também a luta e insistência de Lutzemberger. E isso foi o pivô de sua dor de cabeça. Não poderia mais trabalhar para uma empresa que distribuía veneno pelo mundo, acabando com tudo que era vivo nas lavouras, inclusive muitos agricultores morreram na esperança de ver suas plantações mais produtivas. Na época não havia a cultura de equipamentos de proteção e era um período em que pouco se sabia sobre as conseqüências do uso continuo deste material. Pois o homem previu a catástrofe que estaria por vir. Pediu demissão e montou em Porto Alegre a Agapan, na defesa da natureza, na defesa da vida. Tornou-se um ambientalista. Precisamos de mais militantes como Lutzemberger. O aquecimento global é uma realidade. E logo chegará o dia em que a natureza irá, efetivamente, cobrar de nós tudo o que fizemos contra ela ao longo dos anos. Que medo! Proponho fazermos a nossa parte enquanto há tempo.

Wednesday, March 07, 2007

Retomando a atividade

Em breve, muito em breve, novos posts. Aguardem.

Tuesday, December 26, 2006

Os poemas do trem

Diariamente utilizo o trem para o deslocamento ao trabalho. Geralmente, me distraio com o fone de ouvido e a rádio sintonizada em AM, lógico. Mas, por vezes, na correria, esqueço o aparelho. E nestes casos a distração vem através de uma cochilada. Entre uma e outra piscada, dias desses, me detive a ler os poemas que ficam expostos nas paredes do veículo. Percebi, então, o quando é complicado escrever este tipo de texto. É necessário muito talento para transformar a inspiração em algo visível. Quando mais jovem, na adolescência para ser mais exato, era metido a poeta. Escrevia desesperadamente. Boa parte deste material foi para o lixo, graças a Deus. Lembrando de alguns, penso, como eram ridículos, piegas ao extremo, previsíveis ao extremo e depressivos ao extremo. Hoje não me arrisco mais nestas investidas. Poema é algo muito complexo, difícil. É tênue demais a linha que separa um ótimo poema de um borrão. E não existe meio termo, pelo menos na minha avaliação. Muitas vezes se pensa que a utilização de palavras e expressões rebuscadas significam conhecimento e o sucesso da poesia. Muito pelo contrário, acredito. Que o diga Mario Quintana. Escrever de forma simples não necessariamente resulta em abandonar a sutileza do texto, uma das características do poema. Mas pra isso é necessário mais que vontade. Isso eu tenho bastante. Letra de música é diferente, a melodia, o instrumental podem salvá-la, e assim é, na maioria das vezes. Acho que escrever poesia é um dom divino. Eu tô fora. Recolho-me a minha insignificância poética. Mas fica a dica. Sugiro uma leitura dos poemas do trem. Existem coisas maravilhosas. Por outro lado, também estão por lá verdadeiros amontoados de palavras, que só fazem sentido na cabeça de quem escreveu, se é que este tem noção do que queria realmente dizer.

Contraponto:
Na verdade, acho que sou muito burro e não entendo nada. Quem sabe me faltam leitura, sensibilidade e boa vontade pra sacar as coisas que estão diante dos olhos. Será que perdi a fantasia e o romantismo no modo de encarar a vida? Será que o pragmatismo tomou conta do meu ser?

Conclusão:
Ah, porra nenhuma. Salvo exceções, os poemas do trem são uma bosta.

Remorso:
Quem sou eu pra ficar avacalhando os poemas do trem ou qualquer outro?

Monday, December 25, 2006

Mr. Dinamite, a lenda

Este foi um dos caras mais influentes da música mundial. Pai do soul, inspirador do funk, gospel e hip hop, Mr. Dinamite também popularizou a dança em meados dos anos 70. Moradores de guetos como o Bronx, nesta época, espelhavam-se em James Brown, em suas atitudes e coreografias. Incorporavam os passos, movimentos estes que serviram de base para os primeiros b-boys. Politizado, James Brown foi ativista do movimento negro, lutando pela igualdade racial. Foi ele quem imortalizou a célebre frase de Steve Biko: say it loud, i’m black and proud. O mundo perde um dos artistas mais performáticos de todos os tempos. Ficam o legado, a irreverência e os sucessos. James Brown morreu na madrugada desta segunda-feira, 25, aos 73 anos, em Atlanta, nos Estados Unidos, vítima de uma forte pneumonia.
Mr. Dinamite foi batizado como James Joseph Brown. Nasceu em 3 de maio de 1933 na Geórgia, Estados Unidos. Filho de família pobre, teve a infância marcada pela miséria e violência. Abandonado pelos pais aos 4 anos, ficou aos cuidados de parentes e amigos. Muito cedo começou a trabalhar. Engraxava sapados e recolhia alimentos dos cestos de lixo para matar a fome. Freqüentou poucas escolas, já que também eram poucos os colégios destinados a negros nesta época. O ingresso na música ocorreu através das melodias religiosas, quando passou a fazer parte de corais nas igrejas.

Saturday, December 23, 2006

Eu dancei o clipe

Revendo algumas ilustrações que utilizei na minha monografia encontrei esta, à esquerda. É a capa do Thriller, de 1982, o disco mais vendido do mundo, cerca de 100 milhões de cópias, segundo o Livro dos Recordes, edição de novembro de 2006. Então, este álbum traz clássicos como a faixa título e ainda The Girl Is Mine, Billie Jean e Beat It. O disco também conta com participações especiais de Paul MacCartney, do guitarrista Eddie Van Halen e do ator Vincent Price. Tem mais: os videoclipes deste LP foram considerados inovadores para época. Inclusive, a estréia de Billie Jean na MTV norte-americana foi marcado como o primeiro de um músico negro na emissora. Além disso, Thriller e as coreografias de seu autor influenciaram, indiscutivelmente, a mobilização dos primeiros b-boys brasileiros. Conclusão: Michael Jackson negão era o cara. E eu confesso: quando pequeno tentei fazer aquele passo que ele desliza pra trás, tá ligado?! Bom Natal a todos.

Monday, December 18, 2006

Bandeiras coloradas estão tremulando torcedor do Brasil. A rede ainda está balançando, balançando...

Isso eu não poderia deixar de registrar. O colorado bateu o poderoso Barcelona de Ronaldinho, Deco e companhia. Foi a vitória da união, do grupo, da garra, da vontade. Se não tínhamos o talento dos melhores, sobrou alma e muita raça. A marcação vermelha neutralizou o ataque dos espanhóis que não encontrava espaço para produzir suas jogadas maravilhosas. Se na vida existem coisas que não têm preço, o beiço da principal estrela do Barça é uma delas. E mais: os caras vieram de um passeio em cima do América do México. Pra meio mundo, o Inter seria o próximo a tomar um chocolate. Mas, enfim. Taí, mais uma vez a prova de que atualmente no futebol não existe favoritismo nem já ganhou antes dos 90 minutos. Apesar de toda empáfia dos espanhóis, o colorado entrou em campo de cabeça erguida, enfrentou cada lance com seriedade e resultado foi esse que todos pudemos acompanhar. INTERNACIONAL 1 X 0 BARCELONA. Um a zero ganha jogo, sim senhor.

MUITA EMOÇÃO. CANTA TORCIDA COLORADA. O INTER É CAMPEÃO DO MUNDO.

Friday, December 08, 2006

Parceria é tudo

Em determinado momento perguntei pra essa figura: Paulo, tu acha que eu vou morrer? Ele disse: Vai, mas não hoje. Pois é. Há alguns dias fui brincar de dublê e acabei me dando mal. Na verdade, por um problema mecânico perdi o controle do carro e entrei num barranco. Cinco pontos na cabeça e um galo considerável. Mas enfim, graças a Deus, foi só. Porém, se não fossem figuras como esse negão aí, sei lá o que poderia ter acontecido. Este post é pra agradecer o tanto que todos vocês fizeram por mim. Desde o contato com os bombeiros até as ligações posteriores para saber como eu estava. É nessa hora que a gente percebe o quanto as amizades são importantes na vida. Geralmente a correria do dia-a-dia não nos deixa espaço pra mais quase nada. No entanto, precisamos tirar um tempo pra cultivar as parcerias, conversar, saber como as pessoas estão. Um telefonema que seja. Tirei muitas lições desse dia. Obrigado por tudo, gente. Tem uma lista para quem eu gostaria de deixar o meu “valeu mesmo” e não queria esquecer de ninguém. Para não correr esse risco, meu respeito a todos, todos mesmo, que de alguma forma procuraram saber notícias da minha situação. Aos poucos vou agradecendo pessoalmente, um por um. Uma das melhores coisas nesse mundo é amizade. Ah, vale registrar uma surpresa muito boa: a visita do Carolos. Obrigado, irmão.

Aos meus pais e à minha Risoflora.

Wednesday, November 29, 2006

O talento derrubando preconceitos

Vai ao ar neste domingo, às 12h30, pela Rádio Unisinos FM 103.3, uma entrevista que fizemos – Claiton Fortunato, Paulo Rogério e Júlio Ferreira - com a cantora Marietti Fialho. No programa Estúdio Aberto, ela fala sobre sua carreira, as influências e as dificuldades de se viver de música no Brasil sem ter que apelar para o jabá. Ainda rola uma canja, só no vocal, de Telhados de Paris, releitura de Nei Lisboa, no CD Baladas do Bom Fim. Marietti ainda aborda a questão do preconceito e conta histórias vividas por ela, mostrando quanto o racismo vai ficando cada vez mais explicito na sociedade. Dona de uma voz poderosa, esbanja simpatia e humildade. Foi um bate-papo super descontraído, embora tratando de temas importantes. Vale a pena conferir. É um exemplo de força de vontade, determinação, uma história de vida emocionante digna de uma guerreira. Da perifa pro mundo, Marietti Fialho. Meu respeito.

Técnica: Leandro Molina
Supervisão: Sérgio Endler

Monday, November 27, 2006

Enferrujado, mas vivo

Bah, faz uma cara que não faço um som. Vontade própria e motivos de força maior – não necessariamente nessa ordem - me afastaram do circuito por algumas longas temporadas. Mas o sangue ainda corre, a verve se mantém, apesar da ferrugem. Destreinado, porém, com a cabeça fervendo de letras e projetos para o futuro. Aqui na imagem, participação numa destas sextas-feiras da vida com a amiga Dayana, da All Stars Band. Grande figura. É a garantia de muito talento e carisma no palco. Retomando a cagação de tese, o tempo é o senhor das situações. Nos faz amadurecer, aprender, esquecer as mágoas e olhar para frente. E assim é. Hoje sei exatamente o que quero fazer. Então, lá vamos nós. Esta é a melhor parte da viagem. Da viagem, a melhor parte e a que mais gosto.

Foto: Talita Raquel

Verborragia de qualidade

Viva a criatividade. Com ela tudo é possível. Num cenário musical tão pobre e pasteurizado, pouco resta para nossa apreciação e deleite. Pois na última sexta-feira, pela TV, tive uma surpresa bem positiva e que me renovou a esperança quanto às possibilidades de composições com conteúdo. Cito o grupo Mamelo Sound System, de São Paulo. O lance das figuras é Rap, mas eles exploram a sonoridade de uma forma tão original que transcende o senso comum quando se fala em Hip Hop. Aliás, as rimas também são de uma sensibilidade impressionante, abordando temas como cotidiano, negritude, religiosidade, diversão, resgate cultural, etc. O bagulho é louco mesmo, pesado, visceral, refrão pegado e tal. Tá valendo. Recomendo, se me permitem.

Ouvindo: Zulu/Zumbi – Mamelo Sound System

Friday, September 29, 2006

Coletiva

Bah, abandonei o bagulho. Ficou tempos desativado. Punk. Tá, mas tamo de volta e trazendo um registro da entrevista coletiva do MV BILL, em Porto Alegre, na abertura da Semana da Juventude, em 12 de agosto. Sobre a cultura Hip Hop, o cara disse o seguinte: "A ascensão é uma coisa que é necessária. A partir do momento que os afro-descendentes, as pessoas de periferia, de baixa renda vão ganhando visibilidade e oportunidade acho que as coisas vão se equilibrando. Não é tomar o espaço de ninguém, é ocupar um espaço que está vago". Sobre a política de cotas: "Olha, eu gostaria muito que fosse de uma forma diferente. É um pouco constrangedor, mas se não for dessa forma, infelizmente a gente não entra no processo de inclusão. Gostaria muito que fosse uma forma diferente do ingresso desses jovens nas faculdades, mas eu não consigo ver uma forma melhor. Então, as cotas acabam sendo uma coisa necessária, mas acho que elas não precisam ser perpétuas. Acho que ao mesmo tempo que criam as política de cotas, podem também melhorar o ensino básico, público, fazer a educação virar prioridade no Brasil. Acho que com isso, as cotas vão acabar muito rápido".

Wednesday, August 23, 2006

Vamo que vamo

Como diria o Rappin Hood, passei pra deixar um salve pras parceiras e pros parceiros. A correria tá grande, mas na seqüência vou postar por aqui coisas bem legais que ocorreram em Porto Alegre nos últimos dias, como a Seletiva Estadual de Basquete de Rua, realizada pela Cufa-RS. Vai ter fotinho e tudo mais. Deixo também uma sugestão de som, que achei massa: Zumbira e os Palmares. Os caras tem pegada e mesclam tri bem samba, rock e outros ritmos. Abraços. Voltaremos.

Friday, July 28, 2006

Previsão completa

Coloquei ali no espaço dos serviços o link da MetSul Meteorologia. O site dos caras está muito bom. Além da previsão completa e dos mapas prognósticos, é possível conferir diversas matérias e curiosidades relacionadas aos fenômenos da natureza. E mais: tem a chancela de nomes como Eugenio Hackbart e Luiz Fernando Nachtigall, os principais meteorologistas do RS - esses acertam mesmo. Vale dar uma olhada.

Confraria Castro Alves

Num dos posts anteriores falei sobre o Programa Confraria Castro Alves, veiculado na TV Assembléia. Então, volto a convidá-los a prestigiar este espaço. No domingo agora, dia 30, os convidados são os seguintes:

Rita da Silva – Vice-presidente do Quilombo da Família Silva
Onir Araújo – Movimento Negro Unificado – Advogado do Quilombo Silva
Pauta: Situação dos Quilombolas – Situação do Quilombo do Silva, primeiro Quilombo Urbano reconhecido no Brasil

Malu Viana – Central Única das Favelas RS – Cufa RS
Pauta: União da Juventude Negra na América Latina

Lúcia Brito – ONG Maria Mulher
Pauta: Trabalho da entidade – suas experiências no Movimento Negro

O Confraria Castro Alves vai ao ar todos os domingos, às 16h, no canal 16 da net. Também pode ser conferido na Internet, no site da Assembléia Legislativa, no link da TV Assembléia.

Apresentação: Professor Pernambuco
Produção: Claiton Fortunato

Tuesday, July 18, 2006

Cultura Negra Part.2

No domingo acompanhei na TVE o documentário "Brasil Eterno Quilombo". Trata-se de uma produção que, além de denunciar o racismo no país, baseado em estatísticas oficiais, também exaltou a valorização do negro nos diversos aspectos. Trouxe depoimentos de militantes do movimento, expoentes como Oliveira Silveira. Muito bem produzido, roteiro e fotografia maravilhosos. E ainda, emocionantes os ritos, as rezas referentes às religiões de matriz africana, interpretadas entre poesias e o som do atabaque. O vídeo também foi exibido sábado, no Memorial do Rio Grande do Sul. Além disso, concorre em dois festivais: Gramado Cine Vídeo Nacional e Regional, no Festival de Gramado, e no EXPOCOM de Minas Gerais, na categoria melhor documentário universitário. No mais, estou muito feliz porque este filme foi idealizado e editado por um grande irmão: Júlio Ferreira, mais conhecido como Julinho. Figuraça. Um cara tri do bem, grande aliado. Detonou, meu bruxo. Suerte, mano.

Monday, July 17, 2006

Cultura Negra

Há quase um ano venho trabalhando na produção de um programa voltado para a cultura negra. Chama-se Confraria Castro Alves. Vai ao ar todos os domingos, às 16h , na TV Assembléia, canal 16 da Net. O espaço congrega debates sobre igualdade racial, cotas, educação, juventude, saúde, religiosidade, violência e artes. É um programa pioneiro nas emissoras legislativas em relação à esta temática. No Programa que vai ao ar no próximo dia 23, o apresentador, professor Pernambuco, conversará com a advogada Letícia Lemos da Silva, com o professor de História, Arilson Gomes, e com o Babalorixá, Baba Diba de Yemonja. Um dos pontos da pauta irá tratar sobre a Lei 10.639/03, que dispõe sobre a inclusão da cultura negra no currículo escolar. Vale a pena acompanhar. Os depoimentos são bastante significativos e merecem que fiquemos atentos a questões como estas para a construção de uma sociedade mais justa. O Programa pode ser acompanhado também pela Internet, no site da Assembléia Legislativa.

Dica de leitura do professor Arilson:
Educando pela Diversidade Afrobrasileira e Africana – Jorge Arruda
OBS: O livro pode ser encontrado no Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

Thursday, July 13, 2006

O marketing furado e a pseudo-intelectualidade

Dias atrás encontrei um amigo que agora trabalha em Brasília. Falamos dos ossos do ofício e sobre o quase sacerdócio relativo à nossa atividade. Diversos assuntos, enfim. Mas a parte que mais rendeu foi quando entramos no quesito música – bandas, underground sonoro, ideologia dos grupos, etc. Ele me contou de um cenário bem legal que rola por lá. Lamentou, porém, a falta de criatividade que poderia separar o joio do trigo. A produção em série acaba fazendo tudo soar como punheta em cabo de vassoura. E pra piorar, acrescentei, poucos, muito poucos, são os que conseguem estabelecer um simples diálogo com o público. Além disso, divagamos, é um certo egoísmo montar uma banda apenas por diversão. Creio, disse, se faz necessário ter consciência social sobre o verdadeiro papel que um grupo pode exercer no ambiente onde está inserido. Como isto pode acontecer? Resposta: através, basicamente, da produção de conhecimento. Sempre haverá público. E uma banda medíocre, atrai um público medíocre, numa relação de ação e conseqüência. O amigo de Brasília foi mais longe, avaliou: a superficialidade dos nossos tempos produz os pseudo-intelectuais. São aqueles que fazem alarde dos milhões de livros que acabaram de ler, mas que quando questionados sobre a influência dessas obras no contexto da sua produção, acabam patinando nas decorebas, nas frases prontas, no clichê. Nomes de bandas também, ressaltou, muitas vezes, têm o efeito contrário, o marketing furado. Em algumas ocasiões, nem os próprios integrantes sabem ao certo o que significa. Ou sabem superficialmente, perdendo, assim, a oportunidade de passar uma mensagem consistente e repleta de significados para, quem sabe, um posterior debate sobre a questão. Seguimos a cagação de tese até o final da última garrafa de vinho. Aí o leitor pode questionar: quem vocês pensam que são? Prestem atenção nas alternativas:
a) dois cuzões
b) dois pseudo-intelectuais falando de seus páreas
c) dois abobados sem talento que foram refugados por suas bandas
d) dois desocupados e rançosos
e) todas alternativas estão corretas

Salve Coletivo

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