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Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Wednesday, February 20, 2008

Putz

É uma pena. Saiu hoje na Zero Hora, Contracapa, por Roger Lerina. Lamentável, mas a história parece que é real. A Ultramen vai dar um tempo, sem data determinada para voltar. Os caras vão se dedicar a projetos pessoais. Numa época de tão raras bandas de qualidade, é triste ver que um dos melhores grupos no cenário nacional entrará em estágio de stand by. Como diria a Funéria, que infortúnio. A banda ainda manterá a agenda até abril, devem gravar DVD ao vivo na abertura do Opinião, mas, enfim. Segue a nota oficial enviada à coluna do Lerina:

“Depois de 16 anos de estrada, músicas executadas nas principais FMs e shows pelo Brasil, a Ultramen vai dar um tempo... por tempo indeterminado. Nessa parada, os músicos vão cuidar de projetos pessoais e não prometem data pro retorno das atividades da banda, nem comentam o que cada um vai fazer durante esse tempo. A banda segue fazendo shows até o final de abril.”

Foto: Eduardo Quadros, Divulgação.

Friday, February 01, 2008

Como nascem as expressões

Dia desses, voltando de viagem a trabalho, conversava com outros dois colegas. Falávamos sobre um quarto personagem, famoso, reza a lenda, por ser pegador. Há rumores, de tempos, que o cidadão passa o rodo geral no setor onde labuta.
- O papo que rola é de que o cara não perdoa, reiterei.
- É real. Ele é matador mesmo, confirmou o colega.
- O profissional sempre de chuteirinha trava alta, acrescentei, aludindo ao futebol.
- O homem é o camisa nove, evoluiu o parceiro.
- Centroavante nato, é só bola na rede, rebati.
- Como vocês são chulos, criticou a moça.
Silêncio. Olhares. Pensamentos. Risos. O breve momento de pausa antecedeu uma das expressões mais peculiares que já ouvi nos últimos tempos. Para não ser indelicado ao tratar do tema e atendendo ao pedido da colega de não baixarmos o nível, o outro lascou, referindo-se ao sujeito foco dos debates:
- Ele é afeito às lides da centroavância.

Monday, January 28, 2008

Trânsito lento

"Estamos vivendo o pré-caos". A afirmação é de um professor da UFRGS, especialista em transportes com quem conversei na semana passada. No bate-papo, expressei minha preocupação quanto ao inchaço populacional e a falta de infra-estrutura para atender toda essa demanda. Ele, citando dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), me deixou ainda mais abalado. Em 2007, foram comercializados, no país, mais de 4,2 milhões de unidades, uma alta de 29,57% em relação ao ano anterior. Claro, por um lado, isso representa crescimento econômico, empregos e uma certa estabilidade financeira por parte da população. O problema é que os investimentos em estradas, por exemplo, não conseguem acompanhar infimamente o desenvolvimento da indústria. Resultado: destruição da malha viária já existente, mais acidentes, engarrafamentos, só para citar alguns problemas neste processo. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Estacionar, atualmente, é uma missão extremamente complicada, mesmo com as cidades menos movimentadas com a maior parte da população no Litoral. Por falar em Litoral, meu Deus! Acompanhando o movimento todos os finais de semana, é visível o aumento da frota. Saindo da Free Way, tem trânsito lento na sexta e no domingo. Haja paciência. Outro exemplo, a BR 116. Estrangulada. O pior é que não se visualizam soluções a curto prazo, como ressaltou o professor. Por outro lado, para amenizar, afirmou que ainda vai demorar um pouco para termos por aqui o mesmo que acontece em SP. No fundo, acho que ele disse isso só para aliviar e descontrair diante do breve silêncio após sua avaliação exposta aqui na abertura do texto. “Mas é um bom tema, importante. Temos que intensificar os debates neste sentido”, finalizou.

Wednesday, January 16, 2008

A Ponte

Para começar 2008, queria falar de um tema menos árido e que foi alvo de uma entrevista que fiz recentemente para um freela. Conversei com a historiadora Alice Trusz, uma das autoras do livro A Ponte do Guaíba. Pois a Ponte está completando 50 anos em dezembro de 2008. Ela contou como a pesquisa foi realizada, levando em consideração os aspectos econômicos-sociais-culturais-ambientais que envolveram o empreendimento, construído entre 1955 e 1958. A Ponte, com a peculiaridade do vão móvel, realmente transformou a paisagem no bairro Navegantes e tornou-se um cartão postal de Porto Alegre, sendo ilustrada em comerciais e filmes. Só o Jorge Furtado utilizou três vezes o cenário. Uma das histórias curiosas contadas por Alice Trusz remete à confusão quanto ao nome da Ponte. Na época da inauguração, o governador do Estado, Ildo Meneghetti, batizou a Ponte como Travessia Regis Bittencourt, em homenagem ao engenheiro que projetou a obra. Porém, quando assumiu o Piratini, Leonel Brizola, resolveu exaltar a figura do presidente Getúlio Vargas e rebatizou-a como Travessia Getúlio Vargas. O inusitado é que no outro dia, a placa com o nome da Ponte foi roubada e ela passou a ser conhecida mesmo como Ponte do Guaíba. O livro, de 96 páginas, conta com textos de Rualdo Menegat, Luiz Antônio Bolcato Custódio, Flávio Kiefer, Alice Dubina Trusz, Rosélia Araújo Vianna e Beatriz Blay, que também assina a edição, contando com a coordenação editorial de Maria Cristina Wolff de Carvalho. A obra traz ainda imagens históricas e recentes, estas últimas produzidas no verão e outono de 2007 pelo fotógrafo Eduardo Aigner. O valor do livro é de R$ 59,00. Garanto que seria uma grana muito bem empregada. Vale a pena.

Tuesday, December 25, 2007

Qual é a graça?

Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.

Wednesday, December 19, 2007

Leitura do momento

Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:
Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.

Tuesday, December 18, 2007

A função de dezembro

O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.

Tuesday, October 16, 2007

Sobre o Tropa de Elite

É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?

Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.

Thursday, October 11, 2007

Iniciativas que afastam a molecada do tráfico

Nas condições normais de pressão e temperatura, é praticamente impossível concorrer com o apelo do tráfico nas periferias. Para os adolescentes, poucas são as opções e estímulos para trilhar um caminho diferente. Falo da falta de oportunidades, de maneira geral, e da baixa auto-estima, diante do descaso da sociedade, em última instância. São renegados, rotulados e praticamente invisíveis, como avalia Luiz Eduardo Soares. Para os jovens favelados, uma das poucas referências em relação ao poder público é quando a polícia entra em ação. Frente a uma realidade tão cruel, unir-se ao tráfico é quase que inevitável. Isso porque, o tráfico, às avessas, possibilita experimentar o reconhecimento, a valorização, “um plano de carreira”, dinheiro, status. Representam conquistas dificultadas ao extremo para eles pelas vias legais. Esclareço que esta não é uma defesa ao tráfico, mas a ilustração de como a batalha é desleal para quem se importa. É um círculo, literalmente, vicioso. Por isso, mais uma vez defendo iniciativas como o Hip Hop, que tão pouco apoio recebe da sociedade civil organizada. Para quem entende o Hip Hop apenas como estilo musical, cabe ressaltar que a premissa maior do movimento é fomentar a cultura da paz. A religiosidade também se presta a este fim. Nos cultos de matriz africana, por exemplo, é visível a crescente participação da juventude. Enquanto cantam e rezam para saudar seus Orixás, retiram-se do rol de possíveis soldados da violência e desenham um futuro com mais esperança e alternativas. Parece pouco ou simplista? Pode ser, mas já é alguma coisa. Cada vez que se consegue trazer um para o lado branco da força, a contabilidade da paz cresce e nós agradecemos.

Friday, October 05, 2007

Duff e rosquinhas

Matt Groening. A Playboy do mês passado traz uma entrevista muito legal com esse cara. Ele colocou o nome de seus pais e irmãos em personagens de desenho: Homer, Margie, Lisa e Meggie. E o Bart mistura a personalidade de seu criador e de um outro irmão que não coube na animação. Groening foi quem concebeu Os Simpsons, em 1987. Movida pelo sarcasmo, ironia e forte crítica aos costumes norte-americanos, a família amarela já teve suas aventuras representadas em cerca de 400 episódios e um filme, recentemente. Na entrevista, Groening lembra como foi o início da série, uma das mais duradouras da TV mundial, batendo até a chata e badalada Friends. Os Simpsons também revelaram técnicas inovadoras do ponto de vista estético, por exemplo, que revolucionaram a confecção dos desenhos atuais. Ele também é o pai de Futurama, que terá novos capítulos em 2008. Vale a pena dar uma conferida neste bate-papo. O cara é bem descontraído, o que indica a origem de tanta irreverência no dia-a-dia de seus personagens. Sou fã dessa família.

Tuesday, September 25, 2007

O Tas falou, tá falado

Zapeando no final de semana passado vi uma entrevista com o Marcelo Tas. O cara dispensa comentários. É um blogueiro de primeira. E ele disse algumas coisas interessantes sobre este meio de interatividade e comunicação. Uma delas, parece óbvia, mas, pelo menos pra mim, muitas vezes passava batido. Ele relatou, não com estas palavras, mas com esse sentido: para quem tem um blog, sua principal ferramenta de divulgação é a assiduidade. Quem lê, procura novidades, se não acha, vai embora. Então, seguem minhas desculpas aos que, mesmo eventualmente, visitam este espaço.

Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas

Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)

Friday, August 10, 2007

É melhor ser alegre que ser triste

Todo artista precisa de inspiração. Por exemplo, Pedro Juan, necessita sentir na pele o ar de Havana. No meio da semana vi o documentário Vinícius. E para este, o combustível musical e poético era o amor. Necessitava estar constantemente apaixonado. Casou-se nove vezes. E aliado a este estado de espírito, soma-se a genialidade. Vinícius de Mores aproximou a métrica do popular. Foi um dos criadores da bossa nova e dono de canções imortais. O documentário é fabuloso. Traz um retrato fiel da vida do poeta, com depoimentos, interpretações sonoras e os versos dos mais bonitos que já li na vida. Além disso, mostra as transformações do Rio de Janeiro, sua cidade natal, desde a época em que era a capital do Brasil. A obra emociona também pelas imagens antigas em parcerias com Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto. Ainda as reuniões em seu apartamento, nas noites de whisky, cantoria e composições. E mais: as interpretações dos poemas por Camila Morgado e Ricardo Blat, num pocket show em homenagem a Vinícius, são maravilhosas e de uma sensibilidade incrível. Vale a pena. Recomendo. Só vendo é possível tentar dimensionar quem foi Vinícius de Moraes. Me fez lembrar das leituras, quando adolescente, na biblioteca pública de São Leopoldo. Bons tempos. Foi um período de mergulho intenso na literatura brasileira.

Tuesday, August 07, 2007

Leitura do momento

Contundente. É tipo um soco na boca do estômago. Em relatos que conversam com o leitor, os caras apontam a realidade cruel em que a juventude da periferia é exposta cotidianamente. O tráfico, a violência, o vício, o medo, a corrupção policial, o racismo, o descaso, o ódio, a bala perdida, etc. Trazem para discussão a forma como todos estes problemas estão sendo (ou como deveriam ser) tratados pelo poder público e pela sociedade. O terreno é bastante espinhoso e complexo. E essa é a questão. Como desenrolar todos esses nós quando temos falência moral de cima para baixo? Falta base, educação, saúde, cultura, emprego. Sem isso, o círculo será literalmente vicioso. Avançando nas páginas, voltei à minha monografia. Estudei o Hip Hop e a mídia e, em determinado momento, cheguei a conclusão de que quem ajuda a favela é a própria favela. Falta conhecimento de causa e vontade política para projetos sociais eficientes que possam acender aquela luz no fim do túnel para a rapaziada. Numa entrevista que fiz com DJ Nezzo para o TC, ele disse: “na maioria das vezes, a única referência que a comunidade tem com o estado é quando a polícia entre na periferia”. E da parte da mídia, uma das falhas que apontei, é a falta de aprofundamento e contextualização neste tipo de cobertura, relatando, por exemplo, ações como as do movimento Hip Hop. E o que é mais perigoso, a generalização: favela como sinônimo de marginalidade. A temática precisa ser constantemente debatida de forma séria, por todos os seguimentos. Recomendo esta leitura como um incentivo a internalizar essas questões e a projetar de que forma podemos fazer a nossa parte. Lutemos pela salvação do coletivo.

Friday, July 27, 2007

Mais sobre o Rei Lagarto

The End é o nome do livro de Sam Bernett, lançado neste mês, na França, que reabre a polêmica sobre a morte de Jim Morrison. Segundo o cara, no dia 3 de julho de 1971, o vocalista do The Doors foi encontrado desacordado no banheiro de uma casa noturna parisiense. Bernett era o então gerente da Rock and Roll Circus. Ele conta que naquela noite, Morrison estava duro da fanta, total fora da casa, e que comprou heroína para sua namorada. Logo depois, trancou-se no banheiro masculino, onde foi localizado apagadaço. Um médico que estava no estabelecimento teria afirmado que Jim estava morto. Dali, Morrison foi levado para seu apartamento onde tentaram, na banheira, reanimá-lo, sem sucesso. Claro que já choveram críticas e contestações a esta versão. Segue o mistério, o que alimenta ainda mais o mito de um dos maiores poetas do rock mundial. Salve o Rei Lagarto.

Monday, July 23, 2007

Pra irritar

Acompanhar os jogos do Inter, nos últimos tempos, tem sido um teste de paciência. Nem sempre dá pra se controlar. De minha parte, sábado foi um dia de extrema irritação. O colorado fez força pra perder. Na semana passada, ouvi o Gallo afirmar que trabalha com uma concepção moderna de futebol. Ou seja, na avaliação desse cidadão, sua equipe se adapta à movimentação da equipe adversária. Tá bom, então tô ficando louco, né? Só se falta de esquema ou incompetência tática mudaram de nome. Cada jogo é uma formação. O time não tem mais identidade. Falo isso não porque o Inter pipocou contra o Juventude, mas venho, há horas, observando essa esculhambação. Tudo bem, viemos de três vitórias, mas credito muito mais à fragilidade dos adversários do que por mérito vermelho. Aliás, alguém pode me responder algumas questões como: quem é Magal? Quem é Roger? Por que o Clemer e o Christian não pedem o boné? Perdão pelo desabafo, mas tá punk mesmo. Outro dia o Guerrinha comentou que o torcedor do Inter é um cara que não vive sem emoção. Ano passado era pela disputa da Libertadores e Mundial. Esse ano, pra se manter na linha intermediária, sendo otimista. E assim é. Tomara que eu morda a língua. Tomara.

Thursday, July 19, 2007

O desastre

Nossa, quanta tristeza. E choca ainda mais por tudo ter acontecido tão perto da gente, com muitos conhecidos de conhecidos nossos. As cenas são assustadoras. A angústia das famílias, meu Pai, a espera, a identificação dos corpos, o sofrimento. Quanto pesar. Estamos todos abalados, irmanados, enlutados por aqueles que partiram de forma tão abrupta. Que Deus abençoe, ilumine a todos e nos dê força para tocar a vida.

Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.

Thursday, July 12, 2007

Escrever por música

Dia desses voltei ao fone de ouvido. Em tempos de Mp3, Ipods, celulares com rádio, etc, maravilhas modernas, lembrei dos tempos do bom e velho Walkman. Tinha esquecido como era a sensação de perambular com trilha sonora. Remocei uns 10 anos. Pensamentos borbulhantes, chapação virtual, enfim, há tempos a mente não se agitava de tal maneira. É um tipo de egoísmo barulhento em que os órgãos se balançam, vibrando no ritmo dos riffs. Enquanto milhares de pessoas circulam apressadas, aquele momento é só seu. Aquela música lhe pertence. O volume sobe repentinamente. Não há mais ruídos ao redor. Apenas o deleite dos tímpanos que internalizam o punch, as rimas e a distorção. É como sonhar em outra dimensão, talvez um Vanilla Sky em que você tem o controle. Nada de errado em chorar, sorrir ou escrever. Verve pura, essência da vida. Sem mais a dizer. Som. Assim é.

Wednesday, July 04, 2007

Ainda sobre o Vlado

Em tempos de debates sobre TV Pública e o receio de um conteúdo chapa-branca, vejamos o que disse Vladimir Herzog, ainda nos anos 70, ao assumir o comando da TV Cultura de São Paulo: “Jornalismo em rádio e TV deve ser encarado como instrumento de diálogo e não como um monólogo paternalista. Para isso, é preciso que espelhe os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige. Um telejornal de emissora do governo também pode ser um bom jornal e, para isso, não é preciso esquecer que se trata de emissora do governo. Basta não adotar uma atitude servil”.

Wednesday, June 27, 2007

Eles têm caráter...

Foi o que disse o pai de um dos covardes que, recentemente, espancaram uma doméstica no Rio de Janeiro. “Eles erraram, mas não se pode prender crianças. Não se pode deixar que fiquem presos junto com bandidos. Eles têm caráter, estão na faculdade, trabalham”. Em síntese, são as declarações. Revoltante. Pra quem não acompanhou a história, cinco jovens, filhos da classe média e média alta, agrediram violentamente uma trabalhadora enquanto ela esperava o ônibus. “Pensamos que fosse uma prostituta”, alegaram, como se justificasse a barbárie. Enquanto isso, aqui em Porto Alegre, outra demonstração de intolerância. Em frente ao prédio do Direito da UFRGS, um muro foi pichado com a frase: “Negro só se for na cozinha do R.U. Cotas não!". Uma demonstração pura de racismo, vindo de universitários, o que torna a questão muita mais séria. Se de quem deveria brotar a esperança de um futuro mais justo, observa-se ações retrógradas com esta, coloca-se em xeque o pensamento democrático e a sobrevivência da diversidade. É preciso identificar e punir o mais rápido possível os responsáveis para que não tornem-se exemplo a outros. A discussão sobre cotas nas universidades é válida, oportuna, acima de tudo, e que pode vir a corrigir distorções sociais históricas, caso sejam aprovadas. Existem opiniões divergentes, faz parte do contraditório, mas impõe-se que os debates ocorram dentro de níveis de civilidade. É o mínimo que se espera a partir de integrantes da comunidade acadêmica. RACISMO É CRIME.

Foto: Leandro Molina

Wednesday, June 20, 2007

Pra não deixar dúvidas

Claro que em campo tudo pode acontecer. Cada jogo é uma história diferente. Perder, vencer, empatar, normal. O que vale é o resultado dentro das quatro linhas. Mas, por favor, vamos parar com essa palhaçada de imortal. Vamos dar um tempo com essa besteira de mística tricolor. Bater em morto é barbada. E muito se falava durante a semana em “Caxias de grife” ... Tá bom!!! Chega de soberba, né!?! Foi incontestável. Três a zero lá e dois a zero aqui. Algo mais a se questionar? Enfim. No final do ano, dá-lhe Boca no Japão.

Salve Coletivo

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