My photo
Estou em direção à névoa da cidade. O cheiro de fritura dá a noção da chegada. E sobre a ponte vejo o rio gotejar, lá embaixo. Libertação dos sentidos!!!!

Thursday, May 06, 2010

É do U2

O Baum chegou empolgado com uma pá de músicas que baixou da internet. “Pensei que esse som fosse do U2”, disse convicto ao mostrar One na voz grave de Jonnhy Cash. Também sempre tive a certeza da autoria dos irlandeses. Escutei novamente. Será? Fiquei na dúvida. “É do Jonnhy Cash”, reforçou o parceiro. Bom, vai saber, tem tantas versões e releituras rolando por aí. Fui pesquisar. Para esclarecer: Cash deu outra roupagem para One em 2000, mas a balada já estava gravada entre os maiores clássicos da história do Pop/Rock mundial. One é a terceira faixa do álbum Achtung Baby, de 1991.

Monday, May 03, 2010

Contatos

Foge do clichê quando o papo é sobre alienígenas. Não tem aqueles monstros horrendos. Não aparecem armas espaciais, raio laser, e tal. O heroísmo norte-americano que salva o mundo da invasão extraterrestre também fica de fora. As naves gigantescas e brilhantes não entram no roteiro. Não é um blockbuster. E mesmo sem todos esses recursos, tão tradicionais, Contatos de 4º Grau, é instigante, assustador, provocativo, dá medo, o melhor que já vi nesse gênero. Aborda o mistério das abduções. É baseado em fatos reais, nos relatos da Dra. Abigail Tyler, ao tentar desvendar o que ocorreu com ela, sua família, e os habitantes de uma pequena cidade do Alasca. Montagem ou não, farsa ou não, eu gostei. Faz pensar.

Ainda sobre filmes: no domingo vi Nome Próprio. Grande interpretação de Leandra Leal.

Sobre futebol: parabéns ao Grêmio pelo Campeonato Gaúcho 2010.

Segunda-feira, 3 de maio: Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Tuesday, April 27, 2010

Bass

Baixoterapia. A ideia é do mano Vidal. Músico da antiga, ele está amadurecendo o projeto que surgiu há algum tempo, quando conversávamos sobre sons e autoajuda. O esquema é o seguinte: reunir num DVD as melhores linhas/solos de baixo e comercializar como elemento místico-espiritualista-religioso-psicológico-salvador do tipo: “chegou a grande solução para as agruras da sua vida!”. Elimina estresse, traumas, depressão, entre outros males de naturezas diversas. O kit completo do tratamento incluiria manual de instruções, cifras comentadas, cordas novas, vídeos com os melhores do ramo e suas técnicas maravilhosas. Uma audição de meia hora, três vezes por semana, já seria o suficiente para os primeiros resultados. O ponto alto da campanha ficaria por parte dos depoimentos, extremamente emocionados, sobre o antes e o depois da conversão. Nos casos agudos, o recomendável seria a slapterapia, um recurso mais intenso, com preço acima do pacote normal, verdade, mas com elevado índice de redenção. Putz, o tempo ocioso, às vezes, é um perigo.

Friday, April 23, 2010

23 de abril

Dia saudar São Jorge, Ogum, o Santo Guerreiro. Senhor do ferro, das armas, é o Orixá que zela pelo trabalho e abre os caminhos. É vencedor de demandas. Suas cores são o verde e o vermelho. Eu tenho Ogum em minha companhia... Ogam, toca pra Ogum! Ogunhê!!!



Wednesday, April 14, 2010

Apelo

É como no dito popular: as imagens falam por si. Fiz essas fotos em março. Aqui, apenas dois registros significativos de um conjunto de flagrantes que captei - no decorrer vou postando as demais. Foi na praia da Pinheira, Palhoça, Santa Catarina. É um pequeno paraíso, rico em belezas naturais e exemplar na hospitalidade de seus moradores. Agora, quem frequenta sazonalmente precisa ter um pouco mais de cuidado, vamos dizer assim. Os que lá habitam também têm papel fundamental na preservação. Nosso planeta padece com a insensibilidade humana. Os resultados, na forma de notícias, em grande parte, vêm com a palavra tragédia grifada na descrição dos eventos climáticos. Pequenos cuidados podem fazer a diferença, não custa, não dói, é fácil. Se sujar, limpe! O exemplo vem de casa. A natureza, nossos filhos e netos agradecem.

Leitura do momento

Antes de tudo, comovente. Muita coisa mudou hoje na Colômbia, pelo menos não se tem aquela violência latente do final dos anos 80 e início dos 90. O livro, porém, vale como documento de uma época de caos e medo. Trata-se de uma grande reportagem, ao abordar a guerra do narcotráfico, o terrorismo, Pablo Escobar, as Farc, o trabalho da imprensa, a angústia dos sequestrados e suas famílias, e a busca da pacificação no país. Traz os bastidores das negociações pela libertação dos reféns, na maioria jornalistas, que eram levados como forma de pressionar o governo pela não extradição dos traficantes. Pulsante!

Obra: Notícia de um sequestro
Autor: Gabriel García Márquez
Páginas: 318
Preço: R$ 44,90
Editora: Record

Monday, April 12, 2010

Mais do que a qualidade da película, o filme cumpre um papel muito mais importante do que o puro e simples entretenimento. Ele pode ser o estímulo para muita gente na busca da espiritualidade, do conhecimento, da religiosidade e, principalmente, da obra de Chico Xavier. São mais de 400 livros e um legado de fé, caridade e amor. São ensinamentos que, independente de credo, nos motivam a sermos pessoas melhores, a fazermos mais por nossos irmãos, enfim, a evoluirmos em nossa existência. Em tempos de tantas barbaridades, violência, insensatez e egoísmo, vale um tempinho para reflexão. Vá ao cinema, mas não descarte a leitura. Faz bem para alma e o coração. Chico é uma lição para vida.

Wednesday, March 31, 2010

Tá valendo

Depois do almoço, dia desses, aquela caminhadinha básica para assentar o rango, descendo a ladeira, Rua da Praia. Ali fui fisgado por um alarido agradável, música de primeira, ao ar livre, ao vivo. Para quem curte som de raiz – blues, folk, country – vale a dica: Bluegrass Porto-Alegrense. Ouvi, gostei, comprei o CD, R$ 15.

Wednesday, March 24, 2010

Posteridade

Tem sons que ficam para história, são clássicos. Alguns, bem particulares, e que ilustram a trajetória de cada um. Ontem, conversei com um parceiro da antiga, o Richard, que retorna aos nossos pagos, e lembramos dos fados que criamos em outros momentos. Lamentamos não termos registrado com qualidade as inspirações de tempos idos. Puxamos pela memória e os riffs renasceram, as letras tomaram forma e a nostalgia se fez presente. Voltamos ao passado, mas nos enchemos de entusiasmo para o que pode vir pela frente. Por enquanto, tudo sem compromisso, pela ceva, pela irmandade, mas aposto no entrosamento e na verve dos próximos passos.

Thursday, October 29, 2009

Birth Ritual

Estava procurando na rede o vídeo de Birth Ritual. Encontei um show de 1991. Apesar de precário, é visceral e lembra o quanto era gloriosa, rica e produtiva a nossa querida Seattle. Voltei no tempo. Gostava desse som cru, gorduroso, pegado. Entre os devaneios noventistas, lembrei de quando produzíamos, no braço e no xerox, nossos próprios “materiais de divulgação”, tipo esse aí ao lado. Claro, o nosso era bem mais tosco, evidentemente. Como a grana sempre faltava, o troço tinha um caráter bem underground, rústico, no corpo a corpo, flyer e tudo mais. Pequenos bares, parceria para o equipamento no palco, o tradicional achaque para o trago, grandes momentos, enfim. No começo, o talentoso Élson dava uma força e elaborava uns desenhos para nossa “publicidade”. O Milton ainda deve ter algumas amostras guardadas. E as faixas? Bah! Tudo é história.

Friday, October 16, 2009

Duff

O ex-baixista do Guns, Duff McKagan, revela: "fizemos bastante dinheiro na época do Guns, mas não fiquei rico, tinha vinte e poucos anos. Se fosse hoje, com a minha experiência, tenho certeza que teria ficado com bem mais dinheiro”. Afirma ainda que não faz download ilegal e não deixa os filhos baixarem músicas ilegalmente. A banda Duff McKagan’s Loaded toca no Brasil mês que vem no festival Maquinaria, em São Paulo. Outra curiosidade, o cara se formou em economia e tem uma coluna onde analisa a atual conjuntura finaceira. A matéria completa pode ser conferida no G1.

Foto: Duff McKagan’s Loaded/Divulgação.

Thursday, October 15, 2009

Daniel San

Deu no noticiário do meio-dia, na TV: sujeito é preso suspeito de agressão a motoboy. Esguio, a roupa parecia enfiada num cabo de vassoura, entre 45 e 50 anos, estava sendo conduzido à delegacia por um policial. Na entrevista, o repórter pergunta, entre outros questionamentos:
- O que você utilizava para bater no rapaz?
A resposta:
- Só usei a mão. Sou meio carateca, sou meio faixa preta.
O PM chegou a sair de quadro para rir.

Thursday, October 01, 2009

Eu fui

Nessa febre eterna e enfadonha de revival da década de 1980, como é revigorante ver que os anos 90 também seguem vivos. Taí o novo do Pearl Jam, que não me deixa mentir. Esses caras foram inspiradores, quando vivenciávamos romanticamente o sonho de montar uma banda, de compor, de cantar nossos dramas e angústias, de viver da música. Éramos adoradores de Seattle. Cultivávamos com orgulho nossos cavanhaques. Lembro quando tiramos, daquele jeito, que nem a nossa cara, Reavermirror. Azar, estávamos “tocando” Pearl Jam, o que poucas bandas da nossa pequena cena arriscavam. O Adriano fazia o backing – o pai dele tinha a melhor segunda de Sapucaia.Valeu a pena. Outro dia vi o clipe de The Fixer, primeiro single do novo Backspacer. Massa. Parece que a vitalidade está de volta, o Pearl Jam retornou. Eu fui no show em Porto Alegre (28/11/05) e chorei.

Monday, September 21, 2009

Errare

Papo sobre música sempre me atrai. Conversava recentemente com o mestre Vidal, jornalista experiente, bassman, admiradores que somos do groove, do samba de raiz, do samba rock. Lembrávamos do pai de todos, Jorge Ben Jor. Tenho uma gravação do LP Tábua de Esmeralda, de 1972. É um clássico, do tipo, dá para escutar do início ao fim sem pular nenhuma faixa. Ficamos divagando sobre a forma como Ben Jor tocava, um jeito todo particular, aliado a letras e melodias quase psicodélicas, inusitadas, repletas de requinte e com uma sensibilidade ímpar. Particularmente, considero esse som, Errare Humanum Est, um exemplo de tudo isso, somado a uma temática mística e marcação de caixa desconcertante. Enfim, Ben Jor é o cara, pena estar sumido, pena ser lembrado só pelas mais populares. A musicalidade dele deveria ser melhor aproveitada, estuda e escutada pelas novas gerações. Assim é.

Sunday, September 13, 2009

Sun

Trilha sonora mais apropriada para o momento, depois da chuvarada constante dos últimos dias. Umidade a fu. O pior de tudo é que a meteorologia prevê um aguaceiro também para outubro. Aproveitemos os raros períodos de sol. Dizem que é culpa do El Niño. Eta gurizinho xarope. Punk mesmo é a situação das pessoas que tiveram que deixar suas casas com as cheias dos rios. Dias melhores e ensolarados virão. Fé em Deus e pé na tábua. Boa semana a todos. Segue o som com The Doors.

Friday, August 14, 2009

40 anos

Foi a celebração da paz, do amor, das drogas, do sexo, do rock. O festival de Woodstock, um dos maiores de todos os tempos, está completando 40 anos. Entre os dias 15 e 17 de agosto de 1969, o público, em número muito acima dos 200 mil participantes previstos inicialmente pelos organizadores, além de toda curtição, também mostrou para o mundo sua inconformidade com a guerra do Vietnã. Foi a marca de uma geração, influenciando muitos dos que vieram depois, passando pela arte, pela filosofia de vida, e pelo sonho de uma sociedade mais democrática e menos beligerante. Enquanto acontecia o festival, no Brasil, os dias eram difíceis por conta da repressão. Vivíamos o endurecimento do regime militar, mas os ideais que ecoavam de lá nos traziam a esperança de tempos mais amenos. Woodstock entrou para história. Foi além da música, tornou-se referência em termos de mobilização e deu outro significado nas relações sociais, culturais e políticas.

Fotos: Getty Images

Wednesday, August 12, 2009

Seres iluminados

Os artistas dão outro sentido para nossas vidas. Pessoas, culturalmente talentosas, são portadoras do entretenimento, da emoção, da sensibilidade, da alegria. São almas iluminadas, evoluídas, eu diria, têm outro tempo das coisas. São realmente marcantes seja qual for a linha de atuação, teatro, circo, música, pintura, literatura. Louvo, principalmente, os que atuam no underground, pois lutam contra as mais variadas adversidades para levar ao público aquilo que os move, a verve artística, a paixão, o alimento para seus espíritos inquietos e questionadores. Essa moçada tem todo meu respeito e reverência. Pensei nisso tudo há alguns dias quando escutava coisas antigas, sons de outras épocas, fiquei viajando. De um modo geral, é escasso o tempo que dedicamos à cultura em nossas vidas. Deveríamos ir mais ao teatro, ao cinema, aos shows, ao bar da esquina. Por outro lado, a infraestrutura, o suporte, o incentivo, poderiam ser bem melhores em se tratando de apoio aos artistas no nosso país. A cultura deveria ter outra concepção, afinal, gera renda, emprego, e uma infinidade de bens simbólicos.

Dica: Segue até o dia 30 de agosto, no Margs, a exposição A Arte na França: o Realismo 1860-1960. Pela primeira vez no RS é possível ver obras de artistas como Courbet, Monet, Van Gogh, Degas, Renoir, Picasso, Cézanne, Balthus, Millet, Dérain, Miró, Dalí e Manet, além de brasileiros como Cândido Portinari, Almeida Júnior e Iberê Camargo. A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 19h. INGRESSO: um quilo de alimento não perecível. Só.

A foto é do mímico francês Marcel Marceau, que morreu em 2007, aos 84.
Crédito: Philippe Driss/AFP

Friday, August 07, 2009

Leitura do momento

Uma profunda pesquisa história. Te coloca nos bastidores, dando a perfeita sensação de que você está no local dos fatos. Resgata os momentos derradeiros de uma das figuras mais intrigantes da vida política do Brasil. Apresenta ao leitor as várias faces de Getúlio e da família Vargas, rememorando episódios, desde os tempos do pampa gaúcho, passando pelo Estado Novo, a queda, a volta e o fim de uma era, que ficou marcada no cenário político nacional. A passionalidade da imprensa, a guerra de acusações, os embates ideológicos, os mistérios do crime na Rua Tonelero, o fatídico mês de agosto. Tudo isso é revisitado com riqueza de detalhes e uma narrativa pulsante.



Obra: Getúlio
Autor: Juremir Machado da Silva
Páginas: 434
Preço: R$ 19,90
Editora: Best Bolso

Thursday, August 06, 2009

A verdadeira Love

A Ci sabe que sou fã dessa mina. Love é a protagonista da série Ghost Whisperer, mas já fez de tudo um pouco no mundo artístico. O mais legal dessa foto é que, aqui, ela aparece sem o glamour, sem fotoshop, etc. E só ela, frente e verso, verdadeira. Não tem disfarce. Da página onde busquei a imagem, havia muitos comentários sobre celulite e outros “defeitos”. É complicado. A imposição de um padrão quase não deixa mais espaço para a naturalidade. Sei, evidentemente, que todos queremos nos apresentar da melhor forma. Não há mal nenhum nisso. Correção estética é perfeitamente aceitavel, às vezes, necessário mesmo, salva a autoestima, em alguns casos. Exercícios, ótimo, faz bem para o corpo e para alma. Agora, ter o que mostra a TV como objetivo, já é outro papo. As chamadas "imperfeições" fazem parte da concepção, afinal, somos humanos, não máquinas. Não há beleza somente no universo das turbinadas e exuberantes - muitas vezes artificiais. Preservemos as individualidades. Um pequeno detalhe pode fazer uma grande diferença, superando qualquer equipamento tecnicamente elaborado.

Wednesday, August 05, 2009

Confraria

Encontrei, ontem, camaradas dos tempos de sonzera no Vira Verão, no Bat Bar, em Portão, no BR3, entre outros botecos da vida. Alguns parceiros ainda na ativa, outros com projetos diferentes, enfim. Foi uma grande oportunidade de colocar o papo em dia, lembrar boas histórias e combinar os próximos encontros da nossa “confraria”. Seria legal dar um nome. Quem tiver sugestão, pode mandar. Foi legal, também, ver a rapaziada peleando por uma cena musical na região, um sonho ainda pulsante, renovado através dos anos. Os caras estão se organizando. Tem programa na Rádio Unisinos e até um jornal. Não tenho muitos detalhes, mas sei que vai ao ar todas as terças, das 20h às 21h. Gente se mexendo, velhos irmãos, multiculturalismo, novos planos, ceva gelada. Assim é.

Friday, July 10, 2009

O que vou dizer lá em casa?

“Ah, que bunda!”. Pela foto, fica difícil atribuir um outro pensamento ao mano Obama. Repare, também, o Sarkozy bem de canto. O francês parece estar dizendo para si: “nossa!”. Esse flagra rolou em Roma, durante o encontro do G8 e de adolescentes de 14 países reunidos pelo Unicef. É brasileira a dona do atributo que chamou a atenção dos líderes mundiais. Mayara Tavares, 17 anos, participa da J8 (Cúpula Júnior). A foto é de Jason Reed, da agência Reuters. Horas depois da cena, um vídeo circulou mostrando que Barack, na verdade, estava ajudando uma outra garota a descer o degrau. Pode ser. Mas que ele aproveitou para conferir o material, não tenho dúvida. Big ass, brother!!

Tuesday, July 07, 2009

Coloradismo

Esse cara é diferenciado. Matador. Me arrisco a dizer: craque. Não teve culpa na derrota para o Corinthians. Pelo contrário, procurou o jogo, mas a bola não chegou nele. Milagre não dá para fazer. Enfim, passou. No domingo, Nilmar fez dois e colocou o Colorado na liderança do Brasileirão com 2 a 0 no Náutico, na casa deles. Ao perder o título da Copa do Brasil, fiquei chateado, normal. Lembrei, porém, que o Colorado tem crédito. De 2006 pra cá foram nove finais. Perdemos duas. Quinta, agora, tem outra. E estamos ponteando o certame nacional. Claro, algumas coisas precisam ser revistas. Taison faz horas que anda pipocando. O D’Ale até perdeu pênalti nos Aflitos. “Apenas Cristino, Kaká e Messi são craques todos os dias”, afirmou o gringo na ZH de hoje. Tá bom. O certo é que temos Nilmaravilha. Até quando não sei. Mas bobeou, ele guarda. Por enquanto é isso: minha camisa vermelha e a cachaça na mão.

Monday, June 29, 2009

Eu era o Michael

Bom, os noticiários já falaram e vão continuar abordando por muito tempo ainda as questões envolvendo a trajetória e morte de Michael Jackson. Não quero, aqui, relembrar tudo isso. Quero apenas fazer um breve relato da minha relação com essa figuraça. Eu tinha entre 7 e 8 anos. Por influência de meus primos, não perdia o desenho dos Jackson Five. Naturalmente, começamos a imitar o que víamos. Um primo mais velho aprendia as coreografias e nos ensinava. Éramos entre cinco, como eles. Onde a família estivesse reunida, as apresentações eram certas. Um tanto envergonhados no começo, depois virava festa e todo mundo caia na dança. Ensaiávamos para os “shows”. Eu era o mais novo dos guris. Eu era o Michael. Me sentia, dublava. Eu era o Michael. Veio o Thriller. A febre aumentou. Todos queriam dançar como o Michael. Éramos, agora, o Michael, todos juntos. Felizes. E na TV, acompanhamos impressionados o Michael verdadeiro lançar o Moonwalk. Aquilo, sim, foi mágico. Não acreditávamos no que nossos olhos estavam vendo. Michael, brilhante, caminhando, flutuando para trás. Marcou muito. Muito, mesmo. Fez parte da minha e da infância dos meus primos. Ver imagens desse cara, pra mim, é viajar no tempo, é voltar à inocência. Ele não teve infância, mas alegrou a nossa como nenhum outro personagem dos idos anos 80. Valeu, Michael!

Wednesday, June 24, 2009

Shoot You Down

Tem um boato rolando por aí que, caso se confirme, será uma grande notícia para o nosso atual-empobrecido-carente cenário musical. O ano de 2009 marca os 20 anos do primeiro álbum da banda Stone Roses, um dos melhores e mais influentes grupos da Grã-Bretanha. Por conta disso, os caras, que encerraram as atividades em 1996, podem voltar para as comemorações. Os indícios sobre o retorno são fortes. Em matéria publicada no The Sun, o ex-baixista, Mani, que atualmente toca no Primal Scream, afirma que há boas possibilidades. Ele faz apenas uma ressalva: para amenizar o ranço entre o guitarrista, John Squire, e o vocalista, Ian Brown, só com muita grana na jogada. Marketing? Pode ser. O certo é que algumas gravadoras já estão estudando o projeto. Eu dou um real. Brincadeira, mas fico na torcida pelo bem dos nossos ouvidos.

Wednesday, June 17, 2009

Voz da perifa

Acabei de ler recentemente mais um clássico do mestre Zuenir Ventura: 1968 – O que fizemos de nós. Ele faz uma avaliação, um resgate histórico, um paralelo destes últimos 40 anos. Fala das mudanças e o legado daqueles tempos na formação da sociedade. Compara os costumes, a cultura, a política, entre outros setores. Também traz entrevistas com personalidades que viveram as emoções, as frustrações e as alegrias dos combativos e inesquecíveis anos 60. Uma das conversas é com Heloísa Buarque de Holanda. No bate-papo, ela citou a periferia como única produtora, atualmente, de arte engajada. Como tenho uma grande afinidade com esse tipo de movimento – foco de minhas pesquisas – me chamou bastante atenção alguns termos, bastante apropriados, utilizados pela professora. Heloísa classifica como “micropolítica” as ações dessa rapaziada, como no caso do Afroreggae, do Hip Hop, com grande poder de resolução nos conflitos locais. A professora destaca a forma de atuação destes coletivos, que se traduz em uma espécie de “tecnologia social”. Em época de crack e disseminação da violência, a periferia tem feito a sua parte em prol de crianças e jovens que, graças a estas iniciativas, estão tendo uma alternativa de futuro fora do tráfico, das drogas e da criminalidade.

Tuesday, June 16, 2009

Filminho

A chegada do frio é um estímulo para atualizarmos os títulos que ainda não conferimos. Vamos, então, aos cinemas – para os lançamentos – ou às locadoras. Porém, como grande parte das pessoas tem as mesmas ideias nos mesmos momentos, o resultado é lotação, filas e o estresse constante.Tentei locar alguns DVDs no final de semana. Todas as novidades, os mais badalados, já estavam fora. Se você é uma pessoa mais paciente, talvez esses fatores nem alterem seu humor. Pra mim é quase inviável. Para aqueles que, como eu, acabam se irritando facilmente com o atropelo e os afoitos de plantão, vai uma dica: filmes nacionais. É, meu amigo, tem coisa muito boa sendo feita por aqui, sim senhor. Não tenha preconceito. Eles estão lá, quietinhos, nas prateleiras mais distantes, no canto, esquecidos. Por lá, naquelas paragens mais afastadas, geralmente não há disputas, empurra-empurra ou socos. Procure pelos brasileiros na sua locadora e seja feliz. Fora os clássicos, seguem algumas outras sugestões:

Querô
Estômago
O Cheiro do Ralo
Show de Bola
Quase Irmãos
A Concepção
Baixio das Bestas
O Homem que Desafiou o Diabo
Cidade Baixa
Nina
Cama de Gato
Batismo de Sangue
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
A Casa de Alice
Um Copo de Cólera

Lembra de mais algum?

Monday, February 09, 2009

Do outro lado da moeda

Outro dia encontrei um amigo que há muito não via. Parceiro mesmo, da antiga. Dos tempos das grandes noites nos bares do Vale. Madrugadas de rock, funk e psicodelia. Enfim. Nos encontramos por acaso. Resolvi dar uma banda, nada marcado. Lá estava, no balcão e a gelada pegando. Depois de um abraço efusivo, ele perguntou:
- Ficou rico?
- Não, bem capaz.
- Então entrou para alguma seita ou coisa parecida?
- Também não.
- Então?
Ele continua, como de praxe, com vários projetos culturais-musicais-cibernéticos. Está casado, tem um filho, mas sempre maluco. Na seqüência, fiquei pensando. Acho, que de um modo, levamos tudo muito a sério. Com isso, fechamos a porta para tantas coisas, especialmente no processo evolutivo-criativo. Valeu, Muthafuckerniggerlucio (na foto, primeiro da esquerda p/direita-sentado).

Monday, January 26, 2009

Harry Potter maldito

Voltava para casa, dia desses, final da tarde, mais uma jornada corrida de trabalho. Como faço usualmente, no trem, lia atentamente o interminável, mas muito bom – recomendo - (554 páginas) - Abusado, Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos. Trajava calça e camisa sociais, como regra o cerimonial no meu ambiente profissional. Enfim. Lá pelas tantas, começou a ladainha: “senhoras e senhores........” Era um menino, 12, 13 anos, no máximo. Miúdo, porém eloqüente. Chegou perto com suas balas de goma. Ajudei com dois reais, embora recusasse a mercadoria. Percebi que minha atitude causou surpresa no moleque. Ele se afastou, mas continuava me olhando. Sagaz e exercendo seu poder de associação, retornou ao meu lado. Respirou fundo, como se tomasse coragem. De certo pensou, "agora é o momento". Talvez aquela dúvida o viesse atormentando há horas. O diálogo foi rápido:
- O senhor é da igreja?
- Não.
- Ah, tá. Sabe o que é? Eu queria perguntar uma coisa.
- Pergunta.
- É verdade que o Harry Potter é do diabo?
- Hein? Como é? Não, claro que não. Isso é tudo mentira, conversa fiada, não vai atrás.
- Ah, obrigado tio, tchau.
E lá se foi na próxima estação. Desembarcou, adentrando em outro vagão para seguir com a labuta. Perdi a concentração na leitura. O guri se tornou o meu personagem daquele dia.

Friday, September 19, 2008

Legal

Por força do trabalho, acabei visitando o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, na quinta-feira, à noite. Confesso que não tenho essa prática entre minhas prioridades nas horas de folga. E por isso, não tinha idéia do volume de pessoas que dedicam seu tempo a apreciar as obras em exposição. Confesso minha ignorância no assunto. E confesso que muita coisa por lá não entendi. Mas o clima é legal. Literalmente dá para respirar cultura. Acho que deveria freqüentar mais. Arte é uma coisa bem ampla e penso que, além do treino, é preciso uma certa sensibilidade mais aguçada para ver além. Ouvi muitos comentários sobre traços precisos, técnicas apuradas, cores, sombras, enfim. Algumas coisas consegui sacar, mas meu poder de classificação, até o momento, não tem nada de complexo. Apenas posso dizer: legal, gostei. Gostei da exposição de Pedro Weingärtner, “Obra Gráfica”. Gostei da exposição de Antonio Caringi, “50 anos do Laçador”. Gostei muito, também, do acervo permanente, em especial, de uma pintura de Emiliano Di Cavalcanti, “Cristo Morto” (foto), utilizando óleo sobre tela. Me impressionou mesmo. A partir de agora, vou reservar sempre um tempinho para dar uma passada no Margs. Agora, como aproximar toda essa maravilha da população, desmistificar um pouco esse conceito de arte? Fica já a sugestão para o debate e para um próximo post.

Wednesday, September 17, 2008

Churrasquinho no domingo?

Liguei para o Mano, ontem. Este é seu apelido: Mano. Ele é meu primo. Há tempos não falava com a figura. Temos várias histórias de festas, coisas hilárias, entre outras passagens bíblicas. Crescemos juntos, praticamente. Parceria pura. Só não lembro a última vez que conversamos. Ou melhor, lembro, sim. Foi num velório. Que coisa! No nosso papo mais recente prometemos mais uma vez: “vamos marcar alguma coisa. Vamos nos reunir”. Depois fiquei pensando. Como acabamos nos tornando escravos do tempo. É impressionante. A correria do dia-a-dia é implacável mesmo. A necessidade nos impõe limitações. Precisamos trabalhar de forma enlouquecida. Não é necessariamente uma reclamação. Ter emprego, atualmente, é tão complicado que todas as manhãs devemos agradecer ao Velhinho por nossa atividade remunerada. Por outro lado, os quesitos lazer, entretenimento, família, acima de tudo, são também fundamentais para nossa formação e sobrevivência. Claro, nem sempre conseguimos cumprir o que planejamos, magoamos pessoas, por ser essa uma missão complicadamente difícil, ou seja, achar o equilíbrio entre os dois extremos. Agora, é necessário que seja um exercício contínuo, buscar é imperativo, eu diria. Prossigamos na missão. Vamos tentar um churrasquinho no próximo domingo. Ou outra atividade que o valha. Amigos, manifestem-se. Não vamos deixar o tempo se esvair de uma forma tão apática.

Thursday, September 11, 2008

Eu vim com a Nação Zumbi

Por falar em música, vi o show da Nação Zumbi no Canal Brasil, um domingo desses. Fiquei espantado, emocionado, na verdade. Depois que o Chico levou sua poesia para a outra dimensão, deixei de acompanhar um pouco a banda, embora sempre ouvindo uma coisa e outra. Agora, a apresentação dos caras despertou novamente meu entusiasmo. Eles estão maduros, seguros e firmaram a identidade "Nação Zumbi". Quando a banda surgiu, no início dos anos 90, tendo à frente o mestre Science, musicalmente falando, foi, para mim, o troço mais inovador que já existiu por aqui nos últimos 30 anos, pelo menos. A perda prematura, deixou a banda meio desorientada, com uma sonoridade quase sem personalidade. Entretanto, "como um pássaro o tempo voa" e os pernambucanos souberam ter esse tempo como aliado. Evidente que os clássicos da época não podem faltar, até como um sinal de respeito ao fundador do grupo, mas a banda foi além. Os tambores que nunca silenciaram, agora, estão cada vez mais encorpados, Du Peixe está cantando, Pupilo está mais visceral, Lúcio arranca riffs gordurosos, sem falar nas letras. Arrisco, sem medo de errar: a Nação é a melhor banda do Brasil. Por favor, não me venham com essas melodias ridículas que estão por aí, sem conteúdo, e todas parecidas, produção em série, fruto da modinha do momento. Não, por favor, isso não. Estamos falando de música de verdade, não de palhaçada ou arremedos. Aliás, os anos dois mil estão se caracterizando por essa pulverização musical. Assim é.

Saturday, August 16, 2008

Tuesday, July 01, 2008

Balaio de gato

Acompanhei, no final de semana, uma matéria gigantesca, na Record, sobre a cantora Amy Winehouse. Tudo bem, se espicharam um pouco mais para explicar o que era enfisema pulmonar, enfermidade que acomete a estrela do momento. Agora, pergunto, na ignorância que me é peculiar no assunto, tendo em vista minha preferência declarada pela programação AM, quem é essa dita cuja na ordem dos fatos? Quer dizer, gosto de som, já participei de banda e tal, entretanto, confesso não estar ligado nas novidades do mundo POP/Rocker/enfim. Perdão aos que a apreciam, mas pelo que tenho tentado ler e ouvir, sei lá. Talento indiscutível, porém, não estou entendendo tanta exposição, tanto estardalhaço. Cantora de mão cheia, ok, mas como tantas outras, nada espetacular, ou inovador. Parecido com tudo que rola por aí. Será devido ao seu envolvimento com drogas? Bom, desde sempre jovens roqueiros mantiveram essa relação próxima com os tóxicos. Enfim, ou estamos em falta e sem critérios para novos ídolos, ou, como falei antes, minha superficialidade sobre o tema seja mais latente do que imagino. Agora, a mina dá porrada em fã (foto) também. Ah, só um pouquinho. Tá lhooooco. Pára tudo que eu vou descer. E tem mais um bando no balaio de gato que virou a produção musical neste novo milênio. Que saudades dos anos 90.

Tuesday, June 17, 2008

Custo-benefício

Tem que ter paciência. Bom, não é de graça que as operadoras de telefonia são as campeãs de reclamações nos Procons. Eu desafio alguém a solicitar algum tipo de serviço à empresa Brasil Telecom e não se estressar. Há um mês, aproximadamente, pedimos os préstimos da companhia para instalação de banda larga, após insistentes telefonemas da BrT oferecendo a tecnologia. Pois bem, aceitamos. Era o início da peregrinação. Nos informaram que em 48 horas iriam liberar o sinal. OK, faz parte do processo. Compramos o modem, felizes, esperando com otimismo usufruir do benefício. Chamamos o parceiro Richard, Kid em computadores. Tri na boa vontade, foi lá em casa e fez toda a mão. Um porém. Cadê o sinal? Será problema no modem? O irmão da Clau testou o aparelho na casa dele. Funcionou, sem problemas. Bom, só tem um jeito, ligar para a assistência da empresa. Advinha? 48 horas para a visita dos técnicos. Passaram os dois dias. Tudo bem, teve o final de semana no meio. Voltamos a fazer contato. Nada. Seguinte, vamos cancelar, então. Feito. Entretanto, no final da semana passada, o telefone ficou mudo. Opção? Ligar para a Brasil Telecom. Depois de ouvir repetidamente toda aquela cantilena – para isso, tecle 1; para aquilo, tecle 2 ... – descobrimos, quase um mês depois, que ainda não tinham fechado a ordem de serviço para instalação da banda larga e, por isso, não poderiam abrir outra para verificar o problema na linha. Dá-lhe ligar novamente para fechar a primeira ordem de serviço. No meio do estresse, um técnico da empresa liga para o celular. Pensei, nossos problemas acabaram. Surpresa. Disse o representante da BrT: “E a banda larga, tudo ok, funcionando?” Não é possível, não pode ser sério. Aí, contamos toda a história para o cidadão. Perguntou nosso endereço e disse: “Pois é. Nessa região realmente estamos com problema no sinal”. Foi só então quando conseguimos fechar a ordem de serviço inicial. Agora sim, paciência tem limite. Não queremos mais ser clientes. Ainda no sábado, voltamos a ligar para nos livrar da empresa. A atendente: “para esse procedimento, somente em horário comercial, de segunda a sexta”. Enfim. Na segunda, os caras arrumaram o telefone. Entretanto, a conta da banda larga que nem chegamos a usar também veio junto.

Monday, June 16, 2008

Reflexões sobre a cidade

Avançando nas leituras, é inevitável lincar aos aforismos do mestre Chico, o Science. Neste caso, refiro-me a um "pensar-olhar-sentir" a cidade, esse elemento vivo, pulsante e reconfigurado (r) no âmbito da contemporaneidade. "A cidade se apresenta centro das ambições para mendigos ou ricos e outras armações. Coletivos, automóveis, motos e metrôs, trabalhadores, patrões, policiais, camelôs". São esses fluxos que potencializam a diversidade cultural, através de hibridismos envolvendo costumes, comportamento, ideologias, linguagens, enfim. É uma espécie de caos, que nega a etimologia da palavra e vê-se ligada a um tipo de organização específica. A cidade sugere o urbano. O urbano apresenta suas tribos, estabelecidas pelo sentimento de pertença e repulsa. A cidade se movimenta. O tensionamento entre as classes é outra característica, embora o espaço urbano não faça distinções. Todos estão representados. Até os monumentos esquecidos pelo tempo são reintegrados. As pichações se encarregam disso. Não quero fazer juízo de valores, certo ou errado. É apenas constatação, advinda do exercício de observar, observação participativa, afinal, aqui vivemos. Reitero os versos de Chico: “A cidade não pára, a cidade só cresce. O de cima sobe e o de baixo desce”. Acrescento: “O objeto cidade é uma sucessão de territórios onde as pessoas, de maneira mais ou menos efêmera, se enraízam, se retraem, buscam abrigo e segurança” (MAFFESOLI, 2006, p.224).

Thursday, June 12, 2008

É justus?

Pauta do bate-papo, dias atrás: processos utilizados pelas empresas para contratação. Tudo bem, a concorrência é grande. Há que se refinar cada vez mais os métodos de escolha? Concordo. Agora, elencar como primordial a avaliação psicológica dentre os critérios, acho questionável, absolutamente duvidoso. Penso ser esta uma ferramenta extremamente subjetiva. Como forma de auto-conhecimento ou de indicativo relacionado a pontos que precisam ser melhorados pelo candidato, ok. Entretanto, não creio ser a forma mais justa para seleção, principalmente quando o processo não vem acompanhado de testes práticos relevantes à função pretendida. Se não for assim, de que vale a experiência? Que venham as dinâmicas de grupo, os malabarismos, a grafologia, análise do Orkut, jogos psicológicos, sei lá, enfim, mas que nunca deixem de lado o “saber fazer” e que atribuam a este o peso devido. Não sou especialista no assunto, pode ser, de minha parte, uma análise bastante superficial, mas não me furto a sugerir o debate, tendo em vista os atravessamentos do mercado no nosso dia-a-dia. Preparemo-nos. Acho que vou me inscrever no Aprendiz. Roberto Justus é o cara. Até CD o cidadão está lançando. Maravilha, Alberto!*

* Expressão cunhada pelo Rock Gol.

Wednesday, June 11, 2008

Leitura do momento

Depois de algum tempo, volto, trazendo o tópico “Leitura do momento”. E ele também retornou, um dos meus autores preferidos: Pedro Juan Gutiérrez. “Nosso GG em Havana” retrata a passagem do escritor britânico Graham Greene pela ilha, nos anos 50, período pré-Fidel. A trama envolve o submundo hard core cubano, agentes do FBI, KGB, caçadores de nazistas e a máfia italiana de Nova York. Porém, tudo mais light em relação a suas obras anteriores. Acho que faltou aquele tom sarcástico característico. Por outro lado, ilustra um outro momento no cenário político do país, antes da revolução, com várias correntes ideológicas em movimento, todas prospectando, mesmo que nas entrelinhas, o quanto prósperos poderiam ser seus projetos de futuro para Cuba. Boa leitura, recomendo, embora eu seja suspeito em se tratando de Pedro Juan. É que o texto do cara é tão envolvente que os finais sempre deixam um sentimento de: “já acabou?”.

Wednesday, February 20, 2008

Putz

É uma pena. Saiu hoje na Zero Hora, Contracapa, por Roger Lerina. Lamentável, mas a história parece que é real. A Ultramen vai dar um tempo, sem data determinada para voltar. Os caras vão se dedicar a projetos pessoais. Numa época de tão raras bandas de qualidade, é triste ver que um dos melhores grupos no cenário nacional entrará em estágio de stand by. Como diria a Funéria, que infortúnio. A banda ainda manterá a agenda até abril, devem gravar DVD ao vivo na abertura do Opinião, mas, enfim. Segue a nota oficial enviada à coluna do Lerina:

“Depois de 16 anos de estrada, músicas executadas nas principais FMs e shows pelo Brasil, a Ultramen vai dar um tempo... por tempo indeterminado. Nessa parada, os músicos vão cuidar de projetos pessoais e não prometem data pro retorno das atividades da banda, nem comentam o que cada um vai fazer durante esse tempo. A banda segue fazendo shows até o final de abril.”

Foto: Eduardo Quadros, Divulgação.

Friday, February 01, 2008

Como nascem as expressões

Dia desses, voltando de viagem a trabalho, conversava com outros dois colegas. Falávamos sobre um quarto personagem, famoso, reza a lenda, por ser pegador. Há rumores, de tempos, que o cidadão passa o rodo geral no setor onde labuta.
- O papo que rola é de que o cara não perdoa, reiterei.
- É real. Ele é matador mesmo, confirmou o colega.
- O profissional sempre de chuteirinha trava alta, acrescentei, aludindo ao futebol.
- O homem é o camisa nove, evoluiu o parceiro.
- Centroavante nato, é só bola na rede, rebati.
- Como vocês são chulos, criticou a moça.
Silêncio. Olhares. Pensamentos. Risos. O breve momento de pausa antecedeu uma das expressões mais peculiares que já ouvi nos últimos tempos. Para não ser indelicado ao tratar do tema e atendendo ao pedido da colega de não baixarmos o nível, o outro lascou, referindo-se ao sujeito foco dos debates:
- Ele é afeito às lides da centroavância.

Monday, January 28, 2008

Trânsito lento

"Estamos vivendo o pré-caos". A afirmação é de um professor da UFRGS, especialista em transportes com quem conversei na semana passada. No bate-papo, expressei minha preocupação quanto ao inchaço populacional e a falta de infra-estrutura para atender toda essa demanda. Ele, citando dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), me deixou ainda mais abalado. Em 2007, foram comercializados, no país, mais de 4,2 milhões de unidades, uma alta de 29,57% em relação ao ano anterior. Claro, por um lado, isso representa crescimento econômico, empregos e uma certa estabilidade financeira por parte da população. O problema é que os investimentos em estradas, por exemplo, não conseguem acompanhar infimamente o desenvolvimento da indústria. Resultado: destruição da malha viária já existente, mais acidentes, engarrafamentos, só para citar alguns problemas neste processo. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Estacionar, atualmente, é uma missão extremamente complicada, mesmo com as cidades menos movimentadas com a maior parte da população no Litoral. Por falar em Litoral, meu Deus! Acompanhando o movimento todos os finais de semana, é visível o aumento da frota. Saindo da Free Way, tem trânsito lento na sexta e no domingo. Haja paciência. Outro exemplo, a BR 116. Estrangulada. O pior é que não se visualizam soluções a curto prazo, como ressaltou o professor. Por outro lado, para amenizar, afirmou que ainda vai demorar um pouco para termos por aqui o mesmo que acontece em SP. No fundo, acho que ele disse isso só para aliviar e descontrair diante do breve silêncio após sua avaliação exposta aqui na abertura do texto. “Mas é um bom tema, importante. Temos que intensificar os debates neste sentido”, finalizou.

Wednesday, January 16, 2008

A Ponte

Para começar 2008, queria falar de um tema menos árido e que foi alvo de uma entrevista que fiz recentemente para um freela. Conversei com a historiadora Alice Trusz, uma das autoras do livro A Ponte do Guaíba. Pois a Ponte está completando 50 anos em dezembro de 2008. Ela contou como a pesquisa foi realizada, levando em consideração os aspectos econômicos-sociais-culturais-ambientais que envolveram o empreendimento, construído entre 1955 e 1958. A Ponte, com a peculiaridade do vão móvel, realmente transformou a paisagem no bairro Navegantes e tornou-se um cartão postal de Porto Alegre, sendo ilustrada em comerciais e filmes. Só o Jorge Furtado utilizou três vezes o cenário. Uma das histórias curiosas contadas por Alice Trusz remete à confusão quanto ao nome da Ponte. Na época da inauguração, o governador do Estado, Ildo Meneghetti, batizou a Ponte como Travessia Regis Bittencourt, em homenagem ao engenheiro que projetou a obra. Porém, quando assumiu o Piratini, Leonel Brizola, resolveu exaltar a figura do presidente Getúlio Vargas e rebatizou-a como Travessia Getúlio Vargas. O inusitado é que no outro dia, a placa com o nome da Ponte foi roubada e ela passou a ser conhecida mesmo como Ponte do Guaíba. O livro, de 96 páginas, conta com textos de Rualdo Menegat, Luiz Antônio Bolcato Custódio, Flávio Kiefer, Alice Dubina Trusz, Rosélia Araújo Vianna e Beatriz Blay, que também assina a edição, contando com a coordenação editorial de Maria Cristina Wolff de Carvalho. A obra traz ainda imagens históricas e recentes, estas últimas produzidas no verão e outono de 2007 pelo fotógrafo Eduardo Aigner. O valor do livro é de R$ 59,00. Garanto que seria uma grana muito bem empregada. Vale a pena.

Tuesday, December 25, 2007

Qual é a graça?

Realmente não consigo entender a fixação de certas pessoas com foguetes, rojões, bombinhas e assemelhados. Nessa época, então, que loucura. Na segunda, 24, indo para o Natal na casa do meu irmão, me deparei com crianças e adolescentes brincando com os referidos artefatos. Prova o que já se sabe: o material é vendido indiscriminadamente nos estabelecimentos mais diversos. Muitas vezes, na maioria, não se tem nem a procedência dos explosivos. O que é pior, alguns pais também não estão nem aí. Só depois que ocorrem as tragédias é que se lembram das orientações que deveriam ter dado. Outros ainda incentivam os menores através dos exemplos, já que são fãs dessa palhaçada, e o fazem com crianças por perto. Total irresponsabilidade. Sei que é um momento de comemoração, confraternização, renovação, etc, mas extravasar dessa forma é burrice. Visualizemos tal situação: lá pelo meio da festa, tudo rolando numa boa, como deve ser, e o abobadão, para se mostrar, começa a soltar foguetes. Um dos artefatos falha, estoura na sua mão. Se apenas perder os dedos, o cara deve ficar bem feliz. As pessoas não sabem o potencial de perigo com que estão lidando, os médicos plantonistas que o digam. Tem coisas que devem ser feitas somente por profissionais. Essa é uma delas. Só assim é possível acompanhar, com segurança, espetáculos verdadeiramente bonitos.

Wednesday, December 19, 2007

Leitura do momento

Tempos atrás publiquei neste espaço que Nelson Motta estava escrevendo a biografia de Sebastião Rodrigues Maia. Pois aí está, materializada a obra de uma vida muito louca, cheia de percalços, brigas, prisões, vícios, mas repleta de ritmo, que resultou numa das melhores páginas já escritas na história da música brasileira. Tim Maia era temperamental, inconseqüente, porém, sempre esteve à frente de seu tempo. Introduziu o Soul no país, acrescentando um tempero tipicamente nacional. Produziu algo novo e revolucionário num tempo em que a Jovem Guarda enlouquecia as garotinhas. Ele pensava música no mais amplo sentido que esta palavra possa ter. Previa arranjos, frases sonoras, métrica das batidas, as linhas de baixo, os riffs e intervenção dos metais. Sensibilidade total. Só para citar uma das passagens, fiquei emocionado nas circunstâncias como ele compôs “Azul da cor do mar”:
Ah! Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi...
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri...
Não dá para contar. Deixo aqui a curiosidade, só para provocar um pouco. É que a leitura realmente vale a pena, não tenha dúvida. Fato a lamentar foi a perda precoce desse cara, vítima de seus próprios excessos, mas que muito ensinou/influenciou os que vieram depois. Salve Tim. Ah, e o texto do Nelson Motta... Sem comentário, seria chover no molhado falar alguma coisa.

Tuesday, December 18, 2007

A função de dezembro

O ano voou mesmo. Já estamos em dezembro, melhor, metade do mês. Em seguida será 2008. Mas o que mais me incomoda nesta época é loucura das pessoas. Há uma histeria no ar. A correria se intensifica, o trânsito fica mais insuportável que o normal. O calor aumenta consideravelmente. Todos os lugares estão lotados, o tempo inteiro. Filas se multiplicam, a paciência se esvai. O foguetório rompe a noite os sete dias da semana, perturbando, enchendo o saco. As festas temáticas não param, a hipocrisia das campanhas sociais entope nossas TVs, rádios e e-mails. Os jingles natalinos invadem até nossos sonhos. Que troço enfadonho. Há quem goste dessa função toda. De minha parte, torço para que o tempo siga passando rápido e que venha logo janeiro.

Tuesday, October 16, 2007

Sobre o Tropa de Elite

É a febre do momento. E não por acaso. O filme é bom mesmo. Vi no final de semana. O porém é que a crítica tem dado uma ênfase à violência policial, empreendendo teses e falácias sobre o assunto. Discutem a indicação do capitão Nascimento como novo herói nacional. Pra mim, o foco dos debates recai sobre outro tema: o tráfico. É desta prática que partem todas as outras implicações. Acho que o exemplo a seguir, consagrado pela cultura popular, cabe como ilustração quanto à distorção dos apontamentos que estão sendo relatados. Trata-se daquela história do marido traído que sabe que a mulher pratica o adultério na sua própria sala. Então, como solução, o cidadão dá um jeito de consumir com o sofá, avaliando que seus problemas terminaram. É mais ou menos por aí, saca? Foco errado. O tráfico, como falei no post abaixo, ainda sob influência do Cabeça de Porco, e corroborando com o pensamento de Luiz Eduardo Soares, é a mola propulsora de uma ciranda macabra que envolve e/ou evolui às custas do vício de terceiros, da violência, da corrupção policial, da falência da sociedade e seus valores. Aliás, todos temos nossa parcela de culpa nesse processo. Somos egoístas ao extremo. A questão é evitar a proliferação do tráfico, um problema que foge à alçada exclusiva das polícias que, muitas vezes, tornam-se vítmas do sistema, consciente ou inconscientemente, uma vez que são cotidianamente jogados aos leões pelas condições de trabalho que lhes são impostas. E neste contexto, vítimas também são os moradores, pessoas de bem, gente honesta que, por vezes, são extorquidos, violentados por estes senhores da lei. Desde de domingo, até esta terça-feira, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre tráfico na capital. As matérias, "Mercadores da Morte", assinadas pelo jornalista Humberto Trezzi, trazem o depoimento do sociólogo Rodrigo Azevedo, da PUCRS, que resume o pensamento que tento expressar: "Num cenário em que o produto é muito rentável, apesar do risco, repressão pura às drogas já provou que não adianta". Como defendi anteriormente, é necessário políticas públicas sociais efetivas, envolvendo toda sociedade civil organizada, afinal, todos somos potenciais vítimas da violência urbana, especialmente, a motivada pelo tráfico. Acho que o questionamento central do Tropa de Elite, nas divagações do personagem central, é: quantas crianças terão que morrer para que um playboy possa fumar seu baseado?

Só uma Obs: Luiz Eduardo Soares também é um dos autores de Elite da Tropa, o livro que deu origem ao filme.

Thursday, October 11, 2007

Iniciativas que afastam a molecada do tráfico

Nas condições normais de pressão e temperatura, é praticamente impossível concorrer com o apelo do tráfico nas periferias. Para os adolescentes, poucas são as opções e estímulos para trilhar um caminho diferente. Falo da falta de oportunidades, de maneira geral, e da baixa auto-estima, diante do descaso da sociedade, em última instância. São renegados, rotulados e praticamente invisíveis, como avalia Luiz Eduardo Soares. Para os jovens favelados, uma das poucas referências em relação ao poder público é quando a polícia entra em ação. Frente a uma realidade tão cruel, unir-se ao tráfico é quase que inevitável. Isso porque, o tráfico, às avessas, possibilita experimentar o reconhecimento, a valorização, “um plano de carreira”, dinheiro, status. Representam conquistas dificultadas ao extremo para eles pelas vias legais. Esclareço que esta não é uma defesa ao tráfico, mas a ilustração de como a batalha é desleal para quem se importa. É um círculo, literalmente, vicioso. Por isso, mais uma vez defendo iniciativas como o Hip Hop, que tão pouco apoio recebe da sociedade civil organizada. Para quem entende o Hip Hop apenas como estilo musical, cabe ressaltar que a premissa maior do movimento é fomentar a cultura da paz. A religiosidade também se presta a este fim. Nos cultos de matriz africana, por exemplo, é visível a crescente participação da juventude. Enquanto cantam e rezam para saudar seus Orixás, retiram-se do rol de possíveis soldados da violência e desenham um futuro com mais esperança e alternativas. Parece pouco ou simplista? Pode ser, mas já é alguma coisa. Cada vez que se consegue trazer um para o lado branco da força, a contabilidade da paz cresce e nós agradecemos.

Friday, October 05, 2007

Duff e rosquinhas

Matt Groening. A Playboy do mês passado traz uma entrevista muito legal com esse cara. Ele colocou o nome de seus pais e irmãos em personagens de desenho: Homer, Margie, Lisa e Meggie. E o Bart mistura a personalidade de seu criador e de um outro irmão que não coube na animação. Groening foi quem concebeu Os Simpsons, em 1987. Movida pelo sarcasmo, ironia e forte crítica aos costumes norte-americanos, a família amarela já teve suas aventuras representadas em cerca de 400 episódios e um filme, recentemente. Na entrevista, Groening lembra como foi o início da série, uma das mais duradouras da TV mundial, batendo até a chata e badalada Friends. Os Simpsons também revelaram técnicas inovadoras do ponto de vista estético, por exemplo, que revolucionaram a confecção dos desenhos atuais. Ele também é o pai de Futurama, que terá novos capítulos em 2008. Vale a pena dar uma conferida neste bate-papo. O cara é bem descontraído, o que indica a origem de tanta irreverência no dia-a-dia de seus personagens. Sou fã dessa família.

Tuesday, September 25, 2007

O Tas falou, tá falado

Zapeando no final de semana passado vi uma entrevista com o Marcelo Tas. O cara dispensa comentários. É um blogueiro de primeira. E ele disse algumas coisas interessantes sobre este meio de interatividade e comunicação. Uma delas, parece óbvia, mas, pelo menos pra mim, muitas vezes passava batido. Ele relatou, não com estas palavras, mas com esse sentido: para quem tem um blog, sua principal ferramenta de divulgação é a assiduidade. Quem lê, procura novidades, se não acha, vai embora. Então, seguem minhas desculpas aos que, mesmo eventualmente, visitam este espaço.

Algumas obs:
- muita chuva e alagamentos
- garfiaram o colorado mesmo em 2005
- festa boa no domingo com amigos do peito
- teremos postagens mais atualizadas

Ouvindo:
Friday I'm In Love (para Cíntia)

Friday, August 10, 2007

É melhor ser alegre que ser triste

Todo artista precisa de inspiração. Por exemplo, Pedro Juan, necessita sentir na pele o ar de Havana. No meio da semana vi o documentário Vinícius. E para este, o combustível musical e poético era o amor. Necessitava estar constantemente apaixonado. Casou-se nove vezes. E aliado a este estado de espírito, soma-se a genialidade. Vinícius de Mores aproximou a métrica do popular. Foi um dos criadores da bossa nova e dono de canções imortais. O documentário é fabuloso. Traz um retrato fiel da vida do poeta, com depoimentos, interpretações sonoras e os versos dos mais bonitos que já li na vida. Além disso, mostra as transformações do Rio de Janeiro, sua cidade natal, desde a época em que era a capital do Brasil. A obra emociona também pelas imagens antigas em parcerias com Tom Jobim, Baden Powell e João Gilberto. Ainda as reuniões em seu apartamento, nas noites de whisky, cantoria e composições. E mais: as interpretações dos poemas por Camila Morgado e Ricardo Blat, num pocket show em homenagem a Vinícius, são maravilhosas e de uma sensibilidade incrível. Vale a pena. Recomendo. Só vendo é possível tentar dimensionar quem foi Vinícius de Moraes. Me fez lembrar das leituras, quando adolescente, na biblioteca pública de São Leopoldo. Bons tempos. Foi um período de mergulho intenso na literatura brasileira.

Tuesday, August 07, 2007

Leitura do momento

Contundente. É tipo um soco na boca do estômago. Em relatos que conversam com o leitor, os caras apontam a realidade cruel em que a juventude da periferia é exposta cotidianamente. O tráfico, a violência, o vício, o medo, a corrupção policial, o racismo, o descaso, o ódio, a bala perdida, etc. Trazem para discussão a forma como todos estes problemas estão sendo (ou como deveriam ser) tratados pelo poder público e pela sociedade. O terreno é bastante espinhoso e complexo. E essa é a questão. Como desenrolar todos esses nós quando temos falência moral de cima para baixo? Falta base, educação, saúde, cultura, emprego. Sem isso, o círculo será literalmente vicioso. Avançando nas páginas, voltei à minha monografia. Estudei o Hip Hop e a mídia e, em determinado momento, cheguei a conclusão de que quem ajuda a favela é a própria favela. Falta conhecimento de causa e vontade política para projetos sociais eficientes que possam acender aquela luz no fim do túnel para a rapaziada. Numa entrevista que fiz com DJ Nezzo para o TC, ele disse: “na maioria das vezes, a única referência que a comunidade tem com o estado é quando a polícia entre na periferia”. E da parte da mídia, uma das falhas que apontei, é a falta de aprofundamento e contextualização neste tipo de cobertura, relatando, por exemplo, ações como as do movimento Hip Hop. E o que é mais perigoso, a generalização: favela como sinônimo de marginalidade. A temática precisa ser constantemente debatida de forma séria, por todos os seguimentos. Recomendo esta leitura como um incentivo a internalizar essas questões e a projetar de que forma podemos fazer a nossa parte. Lutemos pela salvação do coletivo.

Friday, July 27, 2007

Mais sobre o Rei Lagarto

The End é o nome do livro de Sam Bernett, lançado neste mês, na França, que reabre a polêmica sobre a morte de Jim Morrison. Segundo o cara, no dia 3 de julho de 1971, o vocalista do The Doors foi encontrado desacordado no banheiro de uma casa noturna parisiense. Bernett era o então gerente da Rock and Roll Circus. Ele conta que naquela noite, Morrison estava duro da fanta, total fora da casa, e que comprou heroína para sua namorada. Logo depois, trancou-se no banheiro masculino, onde foi localizado apagadaço. Um médico que estava no estabelecimento teria afirmado que Jim estava morto. Dali, Morrison foi levado para seu apartamento onde tentaram, na banheira, reanimá-lo, sem sucesso. Claro que já choveram críticas e contestações a esta versão. Segue o mistério, o que alimenta ainda mais o mito de um dos maiores poetas do rock mundial. Salve o Rei Lagarto.

Monday, July 23, 2007

Pra irritar

Acompanhar os jogos do Inter, nos últimos tempos, tem sido um teste de paciência. Nem sempre dá pra se controlar. De minha parte, sábado foi um dia de extrema irritação. O colorado fez força pra perder. Na semana passada, ouvi o Gallo afirmar que trabalha com uma concepção moderna de futebol. Ou seja, na avaliação desse cidadão, sua equipe se adapta à movimentação da equipe adversária. Tá bom, então tô ficando louco, né? Só se falta de esquema ou incompetência tática mudaram de nome. Cada jogo é uma formação. O time não tem mais identidade. Falo isso não porque o Inter pipocou contra o Juventude, mas venho, há horas, observando essa esculhambação. Tudo bem, viemos de três vitórias, mas credito muito mais à fragilidade dos adversários do que por mérito vermelho. Aliás, alguém pode me responder algumas questões como: quem é Magal? Quem é Roger? Por que o Clemer e o Christian não pedem o boné? Perdão pelo desabafo, mas tá punk mesmo. Outro dia o Guerrinha comentou que o torcedor do Inter é um cara que não vive sem emoção. Ano passado era pela disputa da Libertadores e Mundial. Esse ano, pra se manter na linha intermediária, sendo otimista. E assim é. Tomara que eu morda a língua. Tomara.

Thursday, July 19, 2007

O desastre

Nossa, quanta tristeza. E choca ainda mais por tudo ter acontecido tão perto da gente, com muitos conhecidos de conhecidos nossos. As cenas são assustadoras. A angústia das famílias, meu Pai, a espera, a identificação dos corpos, o sofrimento. Quanto pesar. Estamos todos abalados, irmanados, enlutados por aqueles que partiram de forma tão abrupta. Que Deus abençoe, ilumine a todos e nos dê força para tocar a vida.

Agora, há que se registrar que era um desastre anunciado. Em menos de um ano, dois acidentes monstruosos com aviões no Brasil. Uma bagunça, várzea total. Ninguém se entende nesse sistema viciado, defasado. Ao longo dos últimos meses ouvimos declarações das autoridades dando conta de que “não existe crise aérea no país”. Ou que os problemas são frutos do “crescimento econômico”. Mas a melhor de todas foi o famigerado “relaxa e goza”. Por favor! Pessoas pernoitando nos aeroportos, atrasos intermináveis, desrespeito, incertezas, o caso dos controladores. E a segurança? Há horas especialistas vêm alertando que Congonhas é piada. É um jogo de empurra. Quem tem (ou deveria ter) competência pra resolver se esquiva. Ninguém mata no peito e chama pra si a responsabilidade. Só pra dar um exemplo, o mandatário maior da nação, até o momento, dois dias depois da tragédia que vitimou cerca de 200 pessoas, ainda não deu as caras para uma satisfação sobre o acidente com o avião da TAM. Não pode ser sério. Como é que vai ficar? Quais as providências? O homem vai realmente meter a mão na massa ou vai continuar preocupado em achar desculpas para as vaias do Pan? Não penso nisso tudo como uma questão política, especificamente, mas como uma questão de gestão, gerenciamento, fazer de verdade. Aplicar bravatas é barbada.

Thursday, July 12, 2007

Escrever por música

Dia desses voltei ao fone de ouvido. Em tempos de Mp3, Ipods, celulares com rádio, etc, maravilhas modernas, lembrei dos tempos do bom e velho Walkman. Tinha esquecido como era a sensação de perambular com trilha sonora. Remocei uns 10 anos. Pensamentos borbulhantes, chapação virtual, enfim, há tempos a mente não se agitava de tal maneira. É um tipo de egoísmo barulhento em que os órgãos se balançam, vibrando no ritmo dos riffs. Enquanto milhares de pessoas circulam apressadas, aquele momento é só seu. Aquela música lhe pertence. O volume sobe repentinamente. Não há mais ruídos ao redor. Apenas o deleite dos tímpanos que internalizam o punch, as rimas e a distorção. É como sonhar em outra dimensão, talvez um Vanilla Sky em que você tem o controle. Nada de errado em chorar, sorrir ou escrever. Verve pura, essência da vida. Sem mais a dizer. Som. Assim é.

Wednesday, July 04, 2007

Ainda sobre o Vlado

Em tempos de debates sobre TV Pública e o receio de um conteúdo chapa-branca, vejamos o que disse Vladimir Herzog, ainda nos anos 70, ao assumir o comando da TV Cultura de São Paulo: “Jornalismo em rádio e TV deve ser encarado como instrumento de diálogo e não como um monólogo paternalista. Para isso, é preciso que espelhe os problemas, esperanças, tristezas e angústias das pessoas às quais se dirige. Um telejornal de emissora do governo também pode ser um bom jornal e, para isso, não é preciso esquecer que se trata de emissora do governo. Basta não adotar uma atitude servil”.

Salve Coletivo

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